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Oposição do Mali mantém pressão sobre o presidente

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Após dois meses de protestos, a coalizão opositora no Mali rejeitou nesta terça-feira (28) um plano para sair da crise e pediu "mais do que nunca" a demissão do presidente Ibrahim Bubacar Keita.

Na segunda-feira, os 15 presidentes da Comunidade de Estados da África do Oeste (Cedeao), reunidos em uma cúpula extraordinária por videoconferência, pediram aos malienses para voltar à normalidade e ameaçaram com sanções.

Os membros da Cedeao temem que se repitam os eventos de 2012, quando um golpe de Estado favoreceu a tomada do poder no norte do país por vários grupos jihadistas.

Desde então, uma intervenção internacional incentivada pela França impede que estes grupos ganhem terreno.

Os membros do Conselho de Segurança da ONU também pediram a todas as partes a "seguir estas recomendações sem demora" e expressaram sua "profunda preocupação".

No entanto, a coalizão opositora, o chamado Movimento de 5 de Junho - União de Forças Patrióticas (M5-RFP), rejeitou novamente o plano nesta terça.

O M5-RFP, que inclui opositores políticos, líderes religiosos e membros da sociedade civil, disse em um comunicado estar "surpreso" com as conclusões da cúpula da Cedeao, "que continua reduzindo a crise sociopolítica no Mali a um simples contencioso eleitoral" sobre o segundo turno das eleições legislativas, celebradas em março e abril.

A coalizão "exige mais do que nunca a demissão de Ibrahim Bubacar Keita e de seu regime", segundo o comunicado.

O Tribunal Constitucional invalidou cerca de trinta resultados das últimas eleições legislativas.

O movimento tem o apoio do influente imã Mahmud Dicko, que foi partidário de Keita.

À noite, o primeiro-ministro se reuniu durante uma hora com o influente líder religioso em sua residência, segundo um correspondente da AFP.

Boubou Cissé "pediu ao imã que se envolva para que os atores do M5-RFP aceitem a mão estendida do chefe de Estado, unindo-se ao governo de união nacional, privilegiando o diálogo como solução inevitável para sair da crise", declarou à AFP o diretor da célula de comunicação do primeiro-ministro, Boubou Doucouré.

O imã, por sua vez, não fez declarações após o encontro.

O M5-RFP havia decretado uma "trégua" até depois da grande festa muçulmana do Eid al Adha, prevista para a sexta-feira.

Mas no comunicado desta terça, afirmou que "o povo continuará mobilizado e determinado a exercer seu direito constitucional à desobediência civil".

Os protestos também se explicam por anos de insegurança no centro e no norte do país, pela crise econômica e a corrupção.

Em 10 de julho, a terceira grande manifestação desencadeou três dias de enfrentamentos em Bamako, os mais graves na capital desde 2012, que deixaram entre 11 e 23 mortos.