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Oposição desmantelada e atrás das grades sem chance frente a Ortega na Nicarágua

·3 minuto de leitura

A oposição ao governo da Nicarágua está marginalizada das eleições gerais de 7 de novembro, nas quais o presidente Daniel Ortega disputará um quarto mandato contra candidatos sem chance, enquanto seus principais adversários estão presos, afirmam analistas.

"A oposição ficou dispersa e com uma liderança capturada. As opções para vencer (as eleições) nestas condições são nulas", avaliou o analista e ex-deputado opositor Eliseo Núñez.

Ao menos 31 importantes opositores, entre eles sete pré-candidatos à Presidência, foram detidos desde junho, acusados em sua maioria de "traição" à pátria.

Com eles, a lista de dissidentes presos no âmbito da crise política que o país vive após a repressão aos protestos de 2018 aumentou para 136, segundo a oposição.

Entre os detidos está Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-1997), considerada potencial competidora para enfrentar o sandinismo e bem posicionada para disputar a Presidência, segundo alguns cidadãos e pesquisas de opinião.

"Os principais rostos da oposição democrática, entre eles as pré-candidaturas presidenciais que contavam com a maior margem de preferência... Estão sequestrados (detidas) pela ditadura, no exílio ou na clandestinidade", protestou em um comunicado a opositora Unidade Nacional Azul e Branco (UNAB), formada por vários grupos que participaram dos protestos de 2018.

Vários opositores e críticos ao governo optaram por deixar o país nos últimos meses por medo de ser presos na nova onda de detenções, entre eles o ex-guerrilheiro da revolução e agora opositor Luis Carrión, que deixou o país depois que três ex-companheiros de luta foram detidos pela polícia.

"Estava claro que o próximo da lista era eu", revelou à imprensa Carrión, um dissidente da governista Frente Sandinista (FSLN, esquerda), que questionou a liderança de Ortega.

Somou-se à lista de exilados a pré-candidata presidencial e advogada María Moreno, que pretendia disputar as eleições pela Aliança Cidadãos pela Liberdade (CxL, direita).

"Não tenho em quem votar, meu candidato a presidente" está preso, afirmou o ativista opositor Josué Garay nas redes sociais.

Após desmantelar a oposição, Ortega, que governou durante a revolução nos anos 1980 e voltou ao poder em 2007, foi proclamado na segunda-feira por seu partido candidato a uma terceira reeleição consecutiva, novamente em uma chapa com sua esposa, Rosario Murillo, que é sua vice-presidente desde 2017.

- Oposição "sem caráter" -

A maioria dos detidos apoiou os protestos de 2018 que pediam a renúncia de Ortega, cuja repressão deixou pelo menos 328 mortos e 100.000 exilados, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA.

"A verdadeira oposição está na prisão, exilada ou escondida", concordou o ex-diplomata e sacerdote Edgar Parrales.

Para o governo, a revolta de 2018 foi um golpe de Estado frustrado, promovido por Washington com o apoio da oposição, de empresários e sacerdotes, aos quais desqualificou em seus discursos, chamando-os de "covardes" e "cães".

Em seus discursos recentes, Ortega argumentou que os opositores presos são "conspiradores que preparavam um novo golpe de Estado", acusou os Estados Unidos de querer "boicotar" as próximas eleições e descartou libertar os dissidentes presos.

"O panorama é tétrico nas atuais circunstâncias" para a oposição, afirmou Parrales, para quem os candidatos dos seis grupos de direita inscritos na segunda-feira no Conselho Supremo Eleitoral (CSE) para participar das eleições não buscam um "caminho verdadeiro". "A oposição ficou pulverizada e sem carisma", avaliou.

O bloco opositor mais forte na disputa é a aliança CxL, que, segundo Parrales, para muitos termina fazendo o jogo de Ortega.

"Não teve suficiente caráter para enfrentar" o governo quando foram presos quase todos os seus pré-candidatos à Presidência, inscrevendo ao final como chapa eleitoral o ex-guerrilheiro da chamada contrarrevolução Oscar Sobalvarro e a ex-miss Berenice Quezada, sem experiência política.

Do exílio, o sociólogo Oscar Vargas opinou que "Ortega continua no poder porque tem sabido atingir o movimento social e triturar os personagens da política nacional".

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