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Operação sobre venda de remédios em SP encontra armário com R$ 8 milhões em notas

BRUNA NARCIZO
·2 minutos de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um armário com mais de R$ 8 milhões em dinheiro vivo foi encontrado nesta quinta-feira (1º) em um imóvel em Santana de Parnaíba, no interior de São Paulo, durante as investigações sobre um suposto esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro com a distribuição e venda de medicamentos no estado. O dinheiro foi encontrado na residência de um dos sócios de uma rede varejista de farmácias, cujo nome não foi revelado, no âmbito da segunda fase da Operação Monte Cristo. Segundo os investigadores, as empresas alvo da operação estavam supostamente envolvidas em um esquema de fraude fiscal que visava adquirir produtos no estado de Goiás e distribuir os medicamentos sem o recolhimento do ICMS na entrada da mercadoria no estado de São Paulo. A operação desta quinta ocorre após colaboração premiada da primeira fase da Monte Cristo, deflagrada há três anos e que tinha como alvo a rede de farmácias Farma Conde, na região do Vale do Paraíba. Os acordos trouxeram detalhes do suposto esquema de fraude fiscal. Os envolvidos pagaram débitos fiscais estaduais e federais de aproximadamente R$ 340 milhões. As autoridades afirmam ainda que os colaboradores delataram a participação da indústria farmacêutica em outros tipos de fraudes, bem como a participação de uma associação nacional de distribuidores de medicamentos nos esquemas criminosos. Segundo as investigações, as supostas fraudes podem ter causado um prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões aos cofre públicos nos últimos seis anos. O dinheiro encontrado nesta quinta estava em um dos alvos dos 88 mandados de busca e apreensão emitidos nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Os alvos foram as distribuidoras de medicamentos Medicamental, Navarro, Dismed, TFarma e Divamed, as redes varejistas Bifarma e Campeã, e a associação de distribuidores Abradilan. A operação foi realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda e do Planejamento de São Paulo, a Superintendência da Receita Federal e a Procuradoria-Geral do Estado. O promotor responsável pelo caso é Alexandre Castilho. OUTRO LADO Em nota, o grupo Bifarma afirma que "jamais praticou qualquer irregularidade" e que está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários. A empresa diz ainda que pediu acesso às investigações, às quais ainda não obteve acesso. A Abradilan diz que houve "um equívoco por parte das autoridades envolvidas" e que a associação não é uma entidade comercial com mais de 140 empresas associadas. "A Abradilan não vende, não compra, não estoca produtos, não incentiva qualquer prática não tendo qualquer envolvimento nas ações comerciais de seus membros." Procuradas pela reportagem, as demais empresas não responderam até a publicação.