Opep reduz projeção de demanda de petróleo a longo prazo

Viena, 8 nov (EFE).- A Opep reduziu suas previsões de crescimento da demanda petrolífera a longo prazo, nesta quinta-feira, e divulgou que o preço de seu barril de petróleo seguirá em torno dos US$ 100 a médio prazo, antes de se chegar a US$ 125 em 2025.

Estes cálculos, publicados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em seu relatório anual "Previsões do Petróleo Mundial" a médio e longo prazo, são baseados em um crescimento da economia mundial com média de 3,4% anual entre 2012 e 2035.

Ao apresentar ao documento em entrevista coletiva em Viena, o secretário-geral da Opep, o líbio Abdullah El Badri, destacou que a organização manterá a estratégia de controlar a produção petrolífera para manter o mercado bem abastecido.

El Badri pretende defender preços que não sejam "nem altos demais e nem baixos demais" para o barril de petróleo.

A organização acredita que o valor nominal de seu barril de petróleo permanecerá com uma média de US$ 100 a médio prazo, antes de subir com a inflação até US$ 155 em 2035.

Os especialistas da Opep destacaram os múltiplos fatores de incerteza que envolvem os mercados e que fizeram com que a organização divulgasse duas previsões diferentes, uma com o retrocesso da produção do grupo e outra com um considerável aumento.

Porém, há uma preocupação crescente "sobre as previsões imediatas para o crescimento econômico, particularmente na zona do euro", o que levou a diminuir a previsão sobre o consumo de petróleo.

Desta maneira, a Opep espera para 2016 uma demanda de 92,2 milhões de barris diários (mdb), 1 mdb a menos do que o calculado há um ano, e de 107,3 mdb para 2035 (2 mdb a menos), com o qual veem aumentar o consumo em 20 mdb entre 2010 e 2035.

Neste sentido, El Badri descartou que o embargo internacional às exportações iranianas de petróleo suponha uma redução das provisões a médio e longo prazo.

"Não acreditamos que a produção de petróleo do Irã será interrompida", disse o secretário-geral.

"Esperamos que esse problema do programa atômico de Teerã seja solucionado rapidamente. Contamos com sua produção normal", explicou El Badri.

Quanto aos investimentos necessários para seguir mantendo a produção no ritmo desejado, a Opep calcula que devem totalizar cerca de US$ 6 ou 7 trilhões entre 2011 e 2035.

Segundo a Opep, o planeta elevará, neste período, a solicitação de energia em 54%, e os combustíveis fósseis serão mantidos, de longe, como a principal fonte, apesar de sua participação no setor energético cair de 87% a 82%

O secretário-geral disse também que o petróleo continuará sendo protagonista dos fósseis, embora sua porcentagem abaixará até 27% (em 2035) desde 35% registrado em 2010, e o "uso de carvão chegará a níveis similares ao do petróleo".

Segundo a Opep, a produção de gás natural aumentará de 23% a 26%, e o desenvolvimento do gás e do petróleo de xisto tem "claramente um grande potencial" para mudar a combinação energética do futuro.

Perante o crescimento da demanda energética prevista no mundo de 54% até 2035, o secretário-geral se mostrou confiante de que haverá lugar para uma ampla gama de fontes energéticas.

Essa possibilidade já é reconhecida pelos especialistas da Opep em suas previsões, onde deixam claro que as emissões de poluentes CO2 aumentarão.

Esses especialistas calculam que "cerca de 70% do aumento da demanda de petróleo entre 2011 e 2016 virá de países em desenvolvimento da Ásia, enquanto a das nações que fazem parte da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), declinará a cada ano".

Por outro lado, o Boletim de Estatísticas Anuais, apresentado também nesta quinta, numera em 1,481 trilhões de barris as reservas petrolíferas de todo planeta, das quais 81% são ostentadas pelos 12 países que integram a Opep.

Além disso, o relatório confirma que a Venezuela é o país com as maiores reservas privadas de petróleo no mundo, com 297,575 milhões de barris, seguida por Arábia Saudita (264,405 milhões).

Em toda América Latina, as reservas de petróleo aumentaram 1,8% em 2011 em comparação com 2010. EFE

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