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"O open banking será uma revolução e dará liberdade aos clientes", diz especialista

Luiz Anversa
·4 minuto de leitura
Online payment protection system. Secure bank transaction. Open banking platform, online banking system, finance digital transformation concept. Vector isolated concept creative illustration
Online payment protection system. Secure bank transaction. Open banking platform, online banking system, finance digital transformation concept. Vector isolated concept creative illustration

O open banking já está começando a ser implantado no Brasil. A ideia é que o sistema esteja funcionando de forma plena até o final do ano. Para Ricardo Taveira, CEO e fundador da Quanto, plataforma de open finance, essa nova realidade brasileira vai revolucionar como lidamos com os assuntos financeiros no geral. "Todos vão sair ganhando: clientes, bancos e fintechs", analisa. Confira os principais trechos da entrevista:

Yahoo Finanças - O que é o open banking em termos práticos?

Ricardo Taveira: É a possibilidade como cliente de ter livre escolha de como você acessa produtos e serviços que você quer contratar. É a liberdade que você tem no internet banking hoje. Não é diferente da escolha do programa de email que você vai utilizar, por exemplo. Será uma experiência customizada. Você vai compartilhar seus dados que quiser e partir daí poderá ter várias propostas de empréstimos, serviços com preços melhores.

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YF - Quem ganha nesse processo todo, fintechs ou bancões?

Ricardo Taveira: Todos tendem a ganhar por motivos diferentes. Cada um tem suas fortalezas, seus pontos de ataque e defesa. Bancos grandes têm vantagens com o custo de capital. Hoje, em grande parte, estão restritos aos clientes que já possuem conta neles. Agora, eles poderão ter acesso a outro público. As fintechs podem criar experiências customizadas para nichos sem ter que construir um banco grande para isso. Com um aplicativo já dá para fazer isso. Vai mudar o modo de cooperação do sistema financeiro como um todo

YF - Quais as parcerias mais importantes que podem vir pela frente? Setor imobiliário, automóveis…

Ricardo Taveira: O banco tradicional já trabalha nesse tipo de parceria hoje. Veja o caso dos automóveis. Agora, esse canal, que hoje casa com um provedor de crédito, vai permitir analisar várias propostas diferentes, não mais da empresa de crédito ligada ao banco tradicional. Vamos poder acessar o serviço financeiro na hora da necessidade. Hoje, temos uma complexidade técnica para isso. E daí temos geralmente esses casamentos entre bancos e empresas. O desafio hoje é conseguir crédito em bancos onde você não tem conta.

YF - Podemos esperar uma efetiva queda de preços nos serviços? Novos benefícios não podem resultar em preços semelhantes?

Ricardo Taveira: Temos aí dois movimentos. No curto prazo, bancos e fintechs terão análise de crédito e receberão dados dentro do seu app. Deve haver um aumento na taxa de aprovação de crédito. Para não correntistas do banco, esse número hoje fica em, no máximo, 15%. Quando você quebra essa assimetria de informação, a gente espera uma maior aprovação para o crédito. Já os juros personalizados, você precisa ter competição no mercado. E essa competição foi o pontapé que o Banco Central deu. A partir daí, empresas como a Quanto fazem a conexão de dados do usuário. Temos nesse cenário um melhor preço para o crédito. Ajudamos bancos e fintechs nesse processo. Com o open banking, vamos potencializar isso. O grande desafio é: vamos conseguir conectar uma conta com vários bancos que o cliente escolher? Isso é um passo além do que o open banking permite. O Banco Central está definindo um padrão para esses dados.

YF - O open banking pode "bombar " a bancarização do Brasil? Temos 36 milhões de pessoas fora do sistema

Ricardo Taveira: Hoje existe uma bancarização dupla. É um problema. Temos um desafio: pagamentos divididos. Queremos uma vida financeira dividida, pois temos mais opções compartilhadas. Como facilitar o compartilhamento de dados com isso? Agora, o cliente compartilha os dados que quiser, com vários bancos, para receber as melhores propostas.

YF - Como os players irão trabalhar a questão da proteção de dados, fundamental no open banking?

Ricardo Taveira: O dilema segurança cibernética já existe na indústria. O desafio não é novo. As ferramentas se tornam muito melhores. Como usuário, você tem um controle muito maior. Isso é um dos desafios que a Quanto tenta resolver para o usuário, empoderar o usuário.

YF - Acredita que o open banking pode ser um marketplace de produtos financeiros, como um e-commerce?

Ricardo Taveira: É o resultado final que queremos no mercado. O open banking em si não fará isso sozinho. Empresas como a Quanto vão permitir que essas conexões sejam feitas de uma maneira muito mais fácil. A Quanto vai ajudar bancos e fintechs a obter esses dados junto a clientes. No pós open banking, esse caminho será muito mais fácil e a forma, padronizada.

YF - Acredita que o open banking possa ser implantado totalmente até dezembro?

Ricardo Taveira: Depende da vontade do Banco Central, da iniciativa do mercado. Não há razão técnica que nos impeça disso estar funcionando plenamente até o fim do ano

YF -Qual o próximo passo para o setor financeiro brasileiro? Tivemos o Pix há pouco e agora o open banking.

Ricardo Taveira: O open banking vai impactar muita gente ainda. O Pix é um produto. O open banking é uma caixa de ferramentas. O que a gente está montando é uma plataforma, como o Android nos smartphones, para rodar os melhores aplicativos.