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Open banking na China: como evolui o modelo financeiro do gigante asiático

Marco Santos

O Open Banking tem sido tema recorrente sobre o futuro do mercado financeiro nos últimos tempos, mas a maior parte do que se comenta é fundamentado em iniciativas do mundo ocidental. Com a rápida expansão tecnológica, entretanto, países da Ásia têm se destacado muito, ainda mais por terem a fama de lidar com a tecnologia de maneira vanguardista.

Tendo a China como exemplo, pode-se citar o rápido desenvolvimento do Open Banking como um reflexo do crescimento acelerado da Internet no país e do uso em larga escala dos smartphones, que são indispensáveis para a vida cotidiana dos seus consumidores.

Esse processo possibilitou que os serviços bancários fossem simplificados, permitindo que contas digitais surgissem e que diversas transações financeiras pudessem ser realizadas sem a necessidade de uma agência física. São mudanças que agregaram bastante ao novo estilo de vida do cidadão padrão chinês, que não tem mais o costume de usar dinheiro ou cartões e prefere fazer transações via mobile banking - o país tem uma das taxas mais altas de aceitação no mundo.

Regulamentando o uso de dados

Esse índice alto de adoção a ferramentas bancárias digitais é incentivado pela propensão dos consumidores chineses de compartilhar dados com empresas. Ao contrário do que acontece em muitas economias ocidentais, uma pesquisa de opinião feita pela EY com chineses indica que há menos resistência por lá quando se fala em compartilhar dados com FinTechs. A isso soma-se a informação de que aproximadamente metade das discussões online na Ásia sobre Open Banking é positiva, ressaltando os benefícios obtidos com a inovação e com os novos serviços.

Por falar em dados, até pouco tempo, o Open Banking no país ocorria sem parâmetros, padrões de API ou regulamentação de segurança para com as informações dos clientes. Esse cenário, no entanto, está mudando com a ajuda dos reguladores chineses que estão reprimindo as práticas duvidosas de alguns credores peer-to-peer (P2P) e traders de criptomoedas.

E já há uma inclinação para que o país introduza uma regulamentação pautada no Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês) da Europa, embora ainda não se tenha muita clareza sobre essa implantação. Toda a preocupação com os dados é justificada com a importância dessas informações, que representam a nova moeda dentro do universo digital.

Caminho para o  crescimento

Na perspectiva de angariar clientes pela exclusividade, uma boa oportunidade de negócios usada pela China é a inclusão, atentando-se a públicos ignorados pelos bancos tradicionais, caso das Pequenas e Médias Empresas (PMEs), um segmento que não representa o público-alvo dos bancos tradicionais e frequentemente é mal atendido.

Com tais atitudes, a China avança em seu sistema financeiro e passa a servir de modelo para países como Singapura e Hong Kong, que estão menos desenvolvidos em alguns quesitos financeiros. Em contrapartida, economias mais estabelecidas poderiam enxergar oportunidades de crescimento ao olhar para o processo chinês, incorporando os acertos e aprendendo com os erros da segunda maior potência mundial.

O país asiático, por ter ultrapassado paradigmas financeiros a partir dessas inovações, tem avançado na disputa mundial e se posicionado basicamente por causa das escolhas inteligentes de mercado amparadas em iniciativas transformadoras.

Fonte: Canaltech

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