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“Open banking é evolução, e não uma revolução”, acredita especialista

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“Open banking é evolução, e não uma revolução”, acredita especialista
“Open banking é evolução, e não uma revolução”, acredita especialista

O Open Banking é um assunto em voga no momento, mas que ainda gera muitas dúvidas. Atualmente em sua terceira das quatro fases de implantação previstas, o sistema financeiro aberto, como também é conhecido, prevê “a possibilidade de clientes de produtos e serviços financeiros permitirem o compartilhamento de suas informações entre diferentes instituições autorizadas pelo Banco Central (BC) e a movimentação de suas contas bancárias a partir de diferentes plataformas e não apenas pelo aplicativo ou site do banco, de forma segura, ágil e conveniente”, como define oficialmente o BC.

Na prática, isso significa que, ao autorizar o compartilhamento de dados, o cliente do banco A pode receber ofertas de produtos e serviços do banco B, sem que tenha necessariamente algum vínculo bancário.

“Se eu estivesse interessado em um financiamento de automóveis, por exemplo, e o banco B me fizesse uma oferta com juros diferenciados, eu poderia fechar negócio com ele e fazer pagamentos, sem precisar abrir uma conta na segunda instituição”, exemplifica o especialista em tecnologia Vivaldo José Breternitz, em entrevista ao Olhar Digital.

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Muitos analistas de mercado falam sobre o quanto esse sistema financeiro aberto irá revolucionar a maneira como os bancos atuam hoje. Mas, na opinião de Breternitz, o Open Banking não será algo revolucionário, mas sim uma evolução do sistema – ao menos em um primeiro momento.

“Creio que Open Banking será útil, mas não irá causar uma revolução no sistema bancário, não no curto prazo”, afirmou o doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e também professor coordenador da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Breternitz é estudioso da área de tecnologia e também com background de finanças, tendo trabalhado por quase duas décadas no Banco do Estado de São Paulo (Banespa). Nos últimos anos tem também contribuído com pesquisas nas áreas, tendo desenvolvido sua tese de doutorado, inclusive, sobre a bancarização da população de baixa renda.

Para ele, a dita revolução não irá acontecer no curto prazo por dois principais motivos: primeiro porque quem realmente possui grandes quantias de dinheiro muito provavelmente não estará entre o principal público-alvo das ações de ofertas de produtos de bancos.

“O cliente que tem muito dinheiro ele negocia diretamente com gerentes de plataforma, funcionários altamente especializados. Os bancos administram o dinheiro desse público de uma maneira diferente, ele não irá ficar esperando que bancos lhe façam ofertas de produtos e serviços”, pontua.

Serviços digitais em bancos online
O principal benefício para o cliente no Open Banking é a oferta de produtos e serviços sem a necessidade de ter uma conta atrelada. Crédito: MK photograp55/Shutterstock

Por outro lado, clientes com menor renda também não devem ser a principal audiência dessas instituições financeiras. “Para os que tem pouco dinheiro, acredito que não haverá tanto interesse por parte dos bancos em oferecer um serviço menor, como um fundo de investimento pequeno ou uma caderneta menor, para um número maior de clientes”, completa.

O especialista afirma que isso, no entanto, não significa que as implementações não irão modificar a dinâmica de atuação entre consumidores e bancos que conhecemos hoje. “Havendo a plataforma de interligação e troca de informação, isso acabará fomentando a criação de novos produtos e novos serviços”, comenta.

Isso é particularmente verdade se considerado que, dentre os concorrentes de tradicionais instituições financeiras estão empresas completamente distintas, como WhatsApp.

“Os bancos estão preocupados com a presença de organizações, por exemplo o WhatsApp, que podem vir a operar, em parte, como uma instituição financeira, que pode intermediar pagamentos, além de fintechs que, hoje, estão com alguns milhões de clientes”, argumenta. “Os bancos certamente estão atentos a isso, olhando para novos concorrentes.”

Ou seja, o Open Banking poderá trazer mudanças positivas no sentido de tornar o ambiente completamente centralizado no Brasil em algo mais diverso.

A expectativa de Breternitz, nesse sentido, é de que haja mudanças para o mercado como um todo. “O sistema bancário brasileiro é um dos mais concentrados do mundo e, para a economia do tamanho da do Brasil, ter meia dúzia de grandes bancos dominando o sistema é um risco para o país”, sinaliza.

“No momento em que tivermos uma diluição, que aumentarmos a concorrência, os ‘bancões’ perderão o poder sobre o mercado e isso será bom para a nossa economia e para a nossa sociedade como um todo – pelo menos é o que se espera”, diz.

O outro lado da moeda

Da mesma forma que o Open Banking pode significar um leque diversificado de produtos e serviços para clientes finais, ele também pode abrir precedentes para o envio massivo de ofertas – o que pode incomodar.

“A princípio, o cliente terá essa oportunidade de escolha em um leque de serviços que melhor lhe convier. Agora, tem o outro lado que ninguém está falando: quem aderir, vai acabar sendo bombardeado por uma avalanche de ofertas. Os bancos vão competir entre si, especialmente se o cliente for interessante [para eles]”, ressalta Breternitz, complementando que “fora a chateação, espera-se que haja muitos benefícios”.

Apesar disso, vale ressaltar que o Open Banking, por partir da premissa de que há o compartilhamento de dados de clientes entre instituições financeiras, ela também tem o respaldo da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que garante aos clientes que suas informações servirão, a princípio, apenas para os fins permitidos pelo próprio cliente-usuário, como sintetiza Breternitz: “No caso específico do Open Banking, o cliente autoriza o compartilhamento dos seus dados”.

Símbolo da LGPD estampado no botão enter, de um teclado
O Open Banking parte do princípio de que o próprio cidadão irá autorizar o compartilhamento de dados, cumprindo com regulamento da LGPD. Crédito: Shutterstock

Assim, se a pessoa cliente do banco A autorizar que os dados dela sejam compartilhados entre essa instituição e o banco B, mas qualquer um dos dois decida compartilhar aquelas informações de outra forma que não a expressamente aceita pelo cliente, isso pode gerar um problema às instituições que, do ponto de vista do especialista, não é algo provável de acontecer.

“Se o banco B usar os dados para alguém que quer me vender assinatura de um serviço qualquer na internet, por exemplo, isso é uma infração direta da LGPD. Nesse sentido, uma quebra da privacidade do cliente geraria prejuízos seríssimos à imagem de bancos, então eles agem com cautela e não creio que essa seja uma questão”, acredita.

“Alguns dados, que já eram protegidos desde antes da LGPD, como sigilo bancário, os bancos certamente estão preparados para não fazer. Acredito que continuaremos com o mesmo nível de segurança que já tínhamos ao operar apenas com o banco A, por exemplo”, completa.

Veja mais do bate-papo com o especialista em nosso boletim, o Olhar Digital News:

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