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Opas: vacinar 20% da América Latina contra covid-19 custará mais de US$ 2 bi

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Dois funcionários verificam seringas de fábrica farmacêutica em Lyon, na França, em 4 de maio de 2016
Dois funcionários verificam seringas de fábrica farmacêutica em Lyon, na França, em 4 de maio de 2016

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou nesta quarta-feira (18) que a vacinação de 20% da população da América Latina e do Caribe contra o novo coronavírus custará mais de 2 bilhões de dólares. 

Jarbas Barbosa, vice-diretor da Opas, escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), citou em entrevista coletiva estimativas do Mecanismo de Acesso Global a Vacinas contra a covid-19, também denominado COVAX, criado para garantir que as imunizações cheguem a todos os países de forma equitativa. 

"Sabemos que distribuir uma vacina será desafiador e caro. Na verdade, as últimas projeções da iniciativa COVAX para a América Latina e o Caribe estimam que vacinar 20% da população custará mais de 2 bilhões de dólares", afirmou. "E embora esse número seja alto, as vacinas são um investimento inteligente e necessário", acrescentou. 

Barbosa também comemorou a "boa notícia" nos últimos dias sobre o desenvolvimento de possíveis vacinas contra o covid-19, que já causou pelo menos 1,3 milhão de mortes no mundo desde que o vírus foi detectado no final do ano passado. 

A Pfizer, sediada nos Estados Unidos, e sua parceira alemã, BioNTech, foram as primeiras a anunciar em 9 de novembro que sua vacina era 90% eficaz. Dois dias depois, a Rússia afirmou que foi 92% eficaz e na segunda-feira a americana Moderna relatou 94,5% de eficácia. Nesta quarta-feira, com os resultados completos de seu ensaio clínico, a Pfizer elevou sua eficácia para 95%.

"Isso é encorajador e estamos ansiosos para revisar os dados que acompanham os estudos", disse Barbosa. "No entanto, devemos ser claros: apenas a vacina que se mostrar segura e eficaz será aprovada pelos reguladores, endossada pela OMS e, em última instância, estará disponível através da COVAX", acrescentou. 

"Ainda há muito o que fazer", alertou.

- Recorde de hospitalizações nos EUA -

Barbosa destacou o avanço da disseminação do vírus no continente americano, que na última semana registrou quase 1,5 milhão de casos e 19 mil mortes por covid-19, disse, e alertou para o número recorde de internações nos Estados Unidos, o país do mundo mais afetado pela pandemia. 

"Os Estados Unidos continuam a ter uma aceleração dos casos, relatando mais de um milhão de novas infecções apenas na última semana", observou. 

"Esses aumentos também levaram a um número recorde de hospitalizações, o que é particularmente preocupante, pois sabemos que quando nossas unidades de saúde estão sobrecarregadas, nossa capacidade de tratar aqueles que estão gravemente doentes é limitada", acrescentou. 

Cerca de 76.830 pessoas foram admitidas em hospitais por covid-19 na terça-feira nos Estados Unidos, um número recorde desde que a pandemia global foi declarada em meados de março, de acordo com a plataforma The Covid Tracking Project, que coleta dados públicos.

A superpotência mundial acumula mais de 248.000 mortes e mais de 11,3 milhões de infecções, de acordo com um balanço da AFP baseado em fontes oficiais. 

Barbosa ressaltou ainda que o México ultrapassou um milhão de casos confirmados, enquanto o Canadá vive um ressurgimento da doença. 

"Hoje, a América do Norte continua a ser um grande impulsionador de novas infecções", disse. 

Na América do Sul, nas últimas duas semanas, os casos diminuíram na maioria dos países andinos e a Argentina continua apresentando uma "forte queda". 

O Brasil, entretanto, vive um novo aumento de casos e mortes, enquanto o Uruguai, até agora alheio ao crescimento exponencial de casos em seus vizinhos, tem visto picos de infecções em algumas áreas de sua fronteira com o território brasileiro.

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