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Opas promove produção de vacinas contra Covid na América Latina

·3 minuto de leitura
Número de casos e mortes causadas pela covid-19 na América Latina e no Caribe, com os países mais afetados

A América Latina deve expandir sua capacidade de produzir vacinas e apostar em tecnologias promissoras, como a do RNA mensageiro, usadas nos imunizantes Pfizer e Moderna, sugeriu nesta quarta-feira a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

"Ampliar a capacidade da América Latina e do Caribe de fabricar vacinas é uma necessidade tanto para a nossa população quanto por questão de segurança sanitária", declarou em entrevista coletiva a diretora da Opas, Carissa Etienne, que destacou a "forte redução" das infecções, internações e mortes por Covid-19 nos Estados Unidos, que atribuiu à alta porcentagem da população vacinada.

Carissa pediu que a distribuição de vacinas no continente seja ampliada. A maioria das doses aplicadas nas Américas corresponde aos Estados Unidos, enquanto apenas 3% dos latinos estão imunizados. "Os abismos flagrantes no acesso às vacinas contra a Covid na região são um sintoma da dependência excessiva das importações de produtos médicos."

- A 'promessa' do RNAm -

A diretora da Opas mostrou otimismo em relação à capacidade regional de ampliar a produção e assinalou que Brasil, Argentina, Cuba e México já possuem unidades para a fabricação de vacinas, algumas das quais estão sendo usadas para produzir o imunizante AstraZeneca. Mas Carissa pediu um avanço maior.

A América Latina não apenas deve aumentar a produção em toda a cadeia de valor das vacinas, mas também apostar na "promessa" de tecnologias como a do RNAm, "mais novas e caras", mas com possibilidades de aplicação além da Covid, indicou a diretora, ressaltando que a Opas já trabalha com a OMS para a transferência de tecnologia da vacina de RNAm e negocia com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) para garantir recursos e apoio aos países que desejam expandir sua capacidade de produção.

Chile, Argentina e Peru já mostraram interesse. Segundo Carissa, é necessária uma cooperação regional para garantir uma escala que torne a produção sustentável, o compromisso de compras regionais e uma garantia de que os produtos irão circular sem restrições de exportação, inclusive durante emergências.

- Máscaras sim -

Segundo a Opas, as infecções por Covid diminuíram no continente americano no último mês, "com uma mudança mais dramática nos Estados Unidos", progresso que, segundo a diretora, "é uma prova do poder das vacinas".

Os Estados Unidos já aplicaram 275,5 milhões de doses em mais de 158 milhões de pessoas, ou 47,8% de sua população. Dessas, 124 milhões estão totalmente imunizadas, ou 37,6%, segundo cifras oficiais. No restante do continente, houve um aumento dos casos em Costa Rica, Panamá e algumas regiões de Honduras, bem como em países do Caribe.

Também cresceram os contágios na Bolívia, enquanto a "tendência de baixa" das semanas anteriores no Brasil se deteve, advertiu a organização. "Apesar da redução geral na maioria dos países sul-americanos, em alguns focos na Argentina e no Uruguai os casos e mortes dobraram na última semana", assinalou Carissa.

Devido à transmissão comunitária sustentada na grande maioria dos países latinos e caribenhos, Sylvain Aldighieri, gerente de Incidente para a Covid-19 da Opas, recomendou que as pessoas vacinadas sigam usando máscara na região, o que já não é exigido nos Estados Unidos.

ad/mls/lb