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Opas lança comissão de alto nível para abordar 'crise de saúde mental' pós-covid

Trabalhador usa traje especial enquanto passa entre as covas de vítimas da covid-19 no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, 25 de fevereiro de 2021 (AFP/MICHAEL DANTAS) (MICHAEL DANTAS)

A Organização Pan-americana de Saúde (Opas), escritório da Organização Mundial da Saúde para as Américas, lançou nesta sexta-feira (6) uma comissão de alto nível para ajudar os países a abordar os problemas de saúde mental na região, agravados pela pandemia de covid-19.

"Diante da atual crise de saúde mental, a Organização Pan-americana de Saúde estabeleceu uma Comissão de Alto Nível sobre saúde mental e covid-19 para fornecer orientação crucial e urgente a seus Estados-membros", disse a diretora da Opas, Carissa Etienne, por videoconferência.

O grupo, presidido por Epsy Campbell Barr, vice-presidente em fim de mandato da Costa Rica, e copresidido por Néstor Méndez, secretário-geral adjunto da Organização de Estados Americanos (OEA), deve elaborar um relatório com recomendações-chave para melhorar a saúde mental nas Américas, cuja finalização está prevista para o último trimestre de 2022.

"Temos grandes expectativas de que o trabalho da Comissão impulsione a elevar a saúde mental ao mais alto nível de governo, proporcionando um catalisador para uma reforma significativa e duradoura dos serviços e do atendimento", destacou Etienne.

Segundo dados da Opas, a pandemia do novo coronavírus, declarada no início de 2020, teve um impacto "devastador" na saúde mental da população, com um aumento dos casos de estresse, ansiedade e depressão, especialmente entre as mulheres, os jovens e os mais vulneráveis.

Aos problemas gerados pelo medo, as perdas, o desemprego, o distanciamento social e a desinformação, soma-se a constatação crescente das consequências mentais e neurológicas de longo prazo entre os que padeceram de covid-19.

E ocorre enquanto os serviços médicos essenciais de saúde mental, já alvo de um baixo investimento de longa data, se encontram entre os mais afetados pelas interrupções de atendimento médico pela pandemia.

"Os transtornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias e o suicídio representam mais de um terço do total de anos vividos com deficiência na região", destacou Anselm Hennis, diretor de doenças não transmissíveis e saúde mental da Opas.

Mas "quase 90% das pessoas nas Américas não recebem o tratamento de que precisam, particularmente para a psicose aguda", acrescentou.

Hennis destacou que o suicídio continua sendo "um grande desafio" para as Américas, com cerca de 95.000 mortes ao ano por autoeliminação, um aumento de 17% desde 2000. Entre os países com maiores taxas de mortalidade por suicídio estão Guiana e Suriname, Uruguai, Estados Unidos, Haiti, Canadá e Cuba.

A Opas disse que a Comissão vai trabalhar em cinco áreas-chave: a recuperação da pandemia e a promoção da saúde mental como uma prioridade; as necessidades de saúde mental das populações vulneráveis; a integração da saúde mental na cobertura de saúde universal; o financiamento; e a promoção e prevenção das condições de saúde mental.

Entre os integrantes há especialistas de Belize, Brasil, Canadá, Chile, Estados Unidos, Guatemala e México.

ad/dem/mvv

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