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Opção de Lula por Mantega como autor de artigo adia disputas no PT por porta-voz na economia

·2 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.12.2021 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante jantar beneficente em São Paulo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.12.2021 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante jantar beneficente em São Paulo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Guido Mantega assinou artigo publicado, nesta terça-feira (4), pelo jornal Folha de S.Paulo dentro da série sobre "pensamentos econômicos de pré-candidatos" à Presidência.

Segundo aliados de Lula, a escalação de Mantega é a tentativa de resgate de um injustiçado. Além de uma reparação, a reinserção de Mantega no debate político adia disputas internas pelo papel de porta-voz do ex-presidente em matéria econômica, inclusive junto ao empresariado.

Antes de optar por Mantega, Lula discutiu com colaboradores a possibilidade de o texto ser assinado por uma dupla, ou trio, de economistas, afastando com isso a ideia de que já teria escolhido um representante para o tema.

A hipótese de redação conjunta foi, no entanto, descartada para afugentar a interpretação de, por ser produzido a quatro mãos, consolidasse um projeto definitivo de Lula.

O próprio texto traz uma ressalva: "este artigo não expressa o ponto de vista da candidatura Lula, que ainda não foi lançada, sendo o resultado das discussões de um grupo de economistas que assessoram o ex-presidente Lula".

Aliados de Lula chegam a usar a expressão rodízio para justificar a assinatura de Mantega.

Marginalizado politicamente desde que deixou o Governo Dilma, Mantega não é visto como uma ameaça a seus pares. Ele foi ministro do Planejamento (2003-2004), presidente do BNDES (2004-2006) e ministro da Fazenda (2006 a 2014).

Ele deixou a pasta no auge de uma crise econômica. Petistas debitam na conta de Mantega a desoneração da folha de pagamentos —um dos principais alvos de críticas de Lula ao governo Dilma.

Em setembro de 2016, Mantega foi detido temporariamente sob acusação de solicitar ao empresário Eike Batista o repasse de R$ 5 milhões ao PT para pagar dívidas de campanha, em novembro de 2012.

Ele se apresentou à Polícia Federal na porta do hospital onde acompanhava a cirurgia da mulher, que fazia tratamento contra um câncer. No mesmo dia, o então juiz Sérgio Moro revogou a prisão por considerar que o ex-ministro não oferecia risco à investigação da Lava Jato. Petistas chamaram a operação de desumana.

Desde então, Mantega se mantém longe de holofotes. Mas tem participado de reuniões de economistas sob a coordenação do ex-ministro Aloizio Mercadante, hoje presidente da Fundação Perseu Abramo.

Vinculada ao PT, a fundação foi excluída da redação do artigo, evitando que fosse encarado com um programa partidário. Originalmente, o texto traria uma análise técnica do cenário econômico. Mas ganhou forma de um manifesto de oposição ao governo Bolsonaro.

"O que está em jogo nas próximas eleições é se continuaremos com a política econômica desastrosa do governo Bolsonaro e de outros candidatos neoliberais, ou se vamos retomar a via do social-desenvolvimentismo rumo ao Estado de bem-estar social", conclui.

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