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ONS volta a reduzir projeção de carga de energia em abril com avanço da pandemia

·2 minuto de leitura
Linhas de transmissão de energia perto de Brasília (DF)

SÃO PAULO (Reuters) - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) voltou a reduzir a projeção para a demanda por eletricidade no Brasil em abril, ao apontar expectativa de alta de 12,9% na comparação com mesmo mês ao ano passado, quando o desempenho foi fortemente impactado por quarentenas para reduzir a disseminação do coronavírus.

Embora a projeção ainda aponte para significativo aumento na comparação anual, mesmo com novas medidas restritivas que têm sido adotadas no país contra a Covid-19, foi o segundo corte consecutivo nos números pelo ONS, que chegou a projetar no final de março que a carga de energia poderia saltar 16% neste mês

O Brasil registrou na quinta-feira novo recorde de mortes pelo vírus em um único dia, com 4.249 óbitos, o que elevou o total de vítimas fatais a 345.025, segundo dados do Ministério da Saúde.

Em meio ao agravamento da situação, que tem lotado hospitais e UTIs pelo país, diversos governos anunciaram medidas para conter a pandemia, mas os índices de isolamento registrados têm sido menores que no ano passado.

Em abril de 2020, primeiro mês inteiramente sob impacto de medidas restritivas contra a Covid-19 no Brasil, a carga de energia desabou quase 12% frente a 2019.

Agora, o ONS aponta para aumentos de dois dígitos na demanda, segundo boletim nesta sexta-feira, mas com corte frente às estimativas da semana anterior em todas regiões, exceto no Norte, onde vê o maior salto percentual, de 17,5%, ante 16,2% no boletim passado.

No Sudeste/Centro-Oeste, onde se concentra o consumo, a carga deve avançar 12,3%, abaixo dos 15,9% previstos antes. No Nordeste, o ONS vê alta de 11,3%, de 12,9% anteriormente, enquanto no Sul a nova previsão é de alta de 14,1%, de 16,5% antes.

Com a menor carga, o ONS reduziu ligeiramente para 4,69 gigawatts médios a previsão de acionamento de termelétricas na próxima semana, de 4,77 gigawatts anteriormente.

O uso da geração térmica, bem mais cara que a hidrelétrica, tem sido necessário devido às chuvas fracas na região dos reservatórios.

O ONS apontou que as precipitações na área das usinas hídricas do Sudeste, que têm a maior capacidade de armazenamento, devem atingir 65% da média histórica em abril, praticamente estáveis ante a semana anterior (66%), em meio ao final da estação de chuvas.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) disse nesta semana que os últimos meses, de setembro a março, tiveram as piores chuvas já registradas para o período em um histórico de 91 anos.

Em meio à escassez hídrica, os custos com o acionamento além do previsto de termelétricas somaram 3,9 bilhões de reais apenas nos três primeiros meses deste ano, superando os 3,7 bilhões de reais de todo ano passado, o que tem ajudado a pressionar as contas de luz.

(Por Luciano Costa)