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ONG pressiona Talibã a permitir o trabalho das mulheres

·2 minuto de leitura
Jan Egeland disse que a questão do trabalho das mulheres foi central nas reuniões com ministros do governo Talibã (AFP/Hoshang Hashimi)

O Talibã basicamente concordou que as mulheres trabalhem para o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), uma das principais ONGs estrangeiras presentes no Afeganistão, mas afirmou que isto levará tempo, anunciou à AFP o diretor geral da organização.

"Nossas funcionárias devem poder trabalhar livremente com seus colegas homens em todo o país", declarou Jan Egeland à AFP após uma reunião com os ministros das Relações Exteriores, dos Refugiados e do Trabalho Humanitário, que pertencem ao movimento islamita.

Os ministros "afirmaram que, a princípio, concordam, mas admitiram que o tema avança lentamente e que vai levar tempo", completou.

O NRC é uma das organizações humanitárias mais ativas do Afeganistão. Quase um terço dos empregados no país são mulheres.

A organização tenta negociar acordos a nível local em sete das 14 províncias em que está presente para que as mulheres possam retomar o trabalho, explicou Egeland.

Como outras ONGs, o NRC precisa adaptar-se às normas flutuantes dos talibãs a respeito do trabalho das mulheres.

Em alguns lugares as mulheres podem trabalhar ao lado dos homens, em outros apenas com outras mulheres e ainda há cidades em que estão proibidas de trabalhar, tudo em função do que deseja o líder talibã local.

Durante o mandato anterior Talibã (1996-2001), as mulheres foram excluídas em grande parte da vida pública e não estavam autorizadas a trabalhar nem estudar.

Desde seu retorno ao poder em meados de agosto, os islamitas tentam tranquilizar a população afegã e a comunidade internacional, alegando que desta vez serão menos rígidos.

Mas, no funcionalismo público, as mulheres ainda não voltaram ao trabalho. As estudantes também não puderam retornar às escolas do ensino médio, apesar de o Talibã ter anunciado na semana passada que as jovens poderiam retornar às salas de aula "o mais rápido possível".

O NRC, entretanto, decidiu não reabrir suas escolas caso as meninas não possam estudar nas mesmas. "Não podemos educar se não ensinamos igualmente meninas e meninos", disse Egeland.

A ONG administra centenas de escolas dos ensinos fundamental e médio no Afeganistão. Nos últimos anos, o Talibã permitiu a presença de meninas nos colégios do NRC em áreas sob seu controle.

Ao mesmo tempo, Egeland chamou a atenção para a situação da economia afegã durante a reunião.

De acordo com a ONU, 18 milhões de pessoas (mais da metade da população) dependem da ajuda humanitária. "É uma corrida contra o tempo. As pessoas vão morrer em breve", disse Egeland.

eb/cyb/lch/jvb/me/fp

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