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Origem do novo coronavírus: OMS visita hospital de Wuhan que recebeu primeiros casos

·3 minuto de leitura
Membros da missão de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) chegam ao hospital de Jinyintan, em Wuhan (região central da China) onde os primeiros casos de coronavírus foram tratados no final de 2019
Membros da missão de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) chegam ao hospital de Jinyintan, em Wuhan (região central da China) onde os primeiros casos de coronavírus foram tratados no final de 2019

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estão em missão na cidade chinesa de Wuhan (centro) para tentar esclarecer as origens do novo coronavírus, visitaram neste sábado (30) o primeiro hospital da cidade a receber pacientes com covid-19.

A agenda dos especialistas permanece em segredo e apenas suas mensagens no Twitter e as da OMS dão indicações sobre seus passos.

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A China mantém-se praticamente calada sobre esta visita, que é politicamente delicada, visto que o gigante asiático é frequentemente criticado por ter demorado a reagir após o aparecimento dos primeiros casos de coronavírus.

Os membros da equipe, que respeitaram 14 dias de quarentena até quinta-feira, visitaram esta manhã, escoltados e longe das câmeras da imprensa, o hospital Jinyintan de Wuhan, confirmou a AFP.

Este estabelecimento foi o primeiro a receber, no final de 2019, doentes portadores do então considerado um vírus misterioso que começou a ser detectado nesta cidade chinesa, considerada o marco zero da pandemia que assola o mundo.

Esta visita foi "um momento importante para falar diretamente com os médicos que estiveram presentes naquele momento crítico na luta contra a covid", escreveu no Twitter Peter Daszak, um dos membros da missão.

No entanto, persistem dúvidas sobre o interesse das pistas que os investigadores poderão coletar mais de um ano após o início da pandemia e porque as autoridades chinesas são conhecidas por sua opacidade em questões polêmicas.

Salpicado de críticas devido à sua gestão das primeiras semanas da pandemia, o governo comunista chinês inaugurou recentemente uma imensa exposição em Wuhan para limpar sua imagem e celebrar sua vitória sobre a pandemia.

De acordo com dados oficiais, apenas duas pessoas morreram em decorrência do novo coronavírus desde maio. No total, o país asiático registrou oficialmente 4.636 mortes desde o início da pandemia.

Este número contrasta fortemente com as mais de 2,1 milhões de mortes no mundo.

Nas últimas semanas, a China registrou pequenos surtos de infecção em partes do norte e na periferia de Pequim.

Neste sábado, uma parte da delegação da OMS visitou esta exposição, presidida por enormes retratos do chefe de Estado Xi Jinping. Fotografias menores homenageiam os médicos que morreram devido à pandemia, entre manequins vestidos com roupas de proteção e slogans de elogio ao Partido Comunista Chinês.

Na sexta-feira, primeiro dia de sua missão de campo, a OMS tentou moderar as expectativas sobre seus resultados.

"Gostaria de alertar a todos: o sucesso de uma investigação sobre a transmissão de animal para humano não significa necessariamente encontrar a origem [da pandemia] na primeira missão", declarou a repórteres Michael Ryan, diretor de operações de emergência da OMS.

Apesar da "agenda muito carregada" da equipe de especialistas em Wuhan, Ryan não entrou em detalhes sobre o programa.

Mas mencionou visitas ao Instituto de Virologia de Wuhan, onde coronavírus eram manipulados, e a um mercado local, onde animais exóticos vivos eram vendidos e de onde o vírus poderia ter sido transmitido às pessoas.

O governo do ex-presidente americano Donald Trump levantou a hipótese de que o vírus da covid-19 poderia ter deixado o Instituto de Virologia infectando pesquisadores, uma teoria que por enquanto não é sustentada por nenhuma evidência científica.

***Por Leo RAMÍREZ e Héctor RETAMAL, da AFP