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OMS prevê aumento de internações pela ômicron; China e UE impõem novas restrições

·4 min de leitura

A rápida propagação da ômicron causará "um grande número de hospitalizações" de pessoas com covid-19, embora seja uma variante um pouco menos perigosa do que sua antecessora - advertiu o braço europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (28).

"Um rápido aumento da ômicron, como o que observamos em vários países - embora combinado com uma doença ligeiramente menos grave -, provocará um grande número de hospitalizações, especialmente entre os não vacinados", afirmou Catherine Smallwood, uma das autoridades da OMS Europa.

A especialista em resposta a emergências pediu que os dados preliminares sejam considerados "com cautela", já que, hoje, os casos observados se referem, principalmente, a "populações jovens e saudáveis em países com altas taxas de vacinação".

Os primeiros estudos na África do Sul, na Escócia e na Inglaterra mostram que a ômicron parece causar menos internações do que a variante delta.

Mas os dados ainda estão muito incompletos e alguns especialistas destacam que um maior contágio pode anular a vantagem de uma variante menos perigosa.

Os especialistas também não sabem se essa gravidade aparentemente menor advém das características intrínsecas da variante, ou se está relacionada ao fato de afetar populações já parcialmente imunizadas (pela vacina, ou por infecção prévia).

Diante das incertezas sobre a nova variante detectada pela primeira vez no final de novembro na África do Sul, os países tentam encontrar um equilíbrio para minimizar os danos econômicos e controlar o aumento dos casos.

- China amplia confinamentos -

A China determinou nesta terça-feira (28) o confinamento de centenas de milhares de cidadãos para conter um foco de coronavírus, ínfimo na comparação com os números recordes de contágios registrados em países europeus e algumas regiões dos Estados Unidos.

Mesmo com um número de casos muito inferior ao das potências ocidentais, a China ordenou que centenas de milhares de moradores da cidade de Yan'an (norte) devem permanecer em casa, depois que mais de 200 casos foram registrados em todo o país, um recorde desde março de 2020.

Desde a contenção da primeira onda de coronavírus, que foi detectado no fim de 2019 em Wuhan, a China aplica uma estratégia de erradicação do vírus, que inclui o fechamento das fronteiras e restrições severas para cortar a propagação diante de qualquer foco.

Os moradores de Yan'an se unem aos 13 milhões de habitantes da cidade próxima de Xi'an, que estão em confinamento há seis dias.

- Novas restrições na Europa -

Na Europa, vários governos tentam acelerar a vacinação das doses de reforço e aplicam novas medidas restritivas.

França, Grécia, Portugal e Reino Unido registaram nesta terça novos recordes de infecções em 24 horas, respectivamente mais de 180.000, 21.000, 17.000 e 129.000. Além disso, a variante ômicron agora é dominante na Suíça e na Holanda.

A Finlândia anunciou que a partir desta terça-feira, os viajantes estrangeiros não vacinados contra a covid-19 não poderão entrar no território, mesmo que tenham um teste negativo.

Na Suécia e Dinamarca, países vizinhos, as autoridades exigem que os viajantes não residentes apresentem um teste negativo, além de estarem vacinados. A Áustria tem a mesma exigência.

Na França, o governo anunciou na segunda-feira que o "passaporte sanitário" só estará disponível para as pessoas totalmente vacinadas e não será mais válido com um teste negativo recente. O documento permite acessar lugares como restaurantes e cinemas.

A Alemanha implementará novas restrições nesta terça-feira, incluindo a limitação das reuniões a 10 pessoas entre vacinados e a apenas duas entre não vacinados, o fechamento de casas noturnas e eventos esportivos sem a presença de torcedores.

Mas nem todos aceitam as medidas. Na Bélgica, cerca de 5.000 pessoas protestaram na capital no domingo contra a decisão do governo de fechar salas de espetáculos, teatros e cinemas, segundo a polícia.

No entanto, a justiça do país suspendeu a medida nesta terça - exceto pelos cinemas -, sob o argumento de que as autoridades não demonstraram por quê esses locais são especialmente propícios ao contágio.

Além das restrições, a pandemia atingiu economicamente alguns setores, como o das viagens.

Cerca de 11.500 voos foram suspensos no mundo desde sexta-feira e dezenas de milhares sofreram atrasos em um dos períodos mais frenéticos do ano. Muitas companhias aéreas apontaram escassez de pessoal devido à onda de casos positivos pela ômicron.

Nesta terça-feira, o presidente americano Joe Biden anunciou que em 31 de dezembro vai suspender as restrições de viagens impostas a oito países africanos (África do Sul, Botswana, Zimbabwe, Namíbia, Lesoto, Eswatini, Moçambique e Malawi) devido à variante ômicron.

"Ômicron é uma fonte de preocupação, mas não deveria ser uma fonte de pânico", afirmou.

A pandemia de covid-19 deixa mais de 5,4 milhões de mortos no mundo desde dezembro de 2019, de acordo com a contagem desta terça-feira realizada pela AFP com base em fontes oficiais. A OMS considera que este saldo poderia ser entre duas a três vezes maior.

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