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OMS deve defender sua independência para ter credibilidade, diz alto funcionário

Alvise ARMELLINI
·3 minuto de leitura

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deve defender sua independência para manter a credibilidade, explicou um alto funcionário italiano da agência das Nações Unidas, à qual acusa de ter censurado um relatório sobre a gestão da pandemia na Itália. 

Francesco Zambon, que trabalha para o escritório de investimento em saúde e desenvolvimento da OMS desde 2008, acusou um alto funcionário italiano da organização, que corria o risco de ser ridicularizado em um relatório por seu trabalho, de ter pedido para escondê-lo, o que ele recusou, em um caso que gerou polêmica. 

Tanto a OMS quanto o funcionário em questão negam tais alegações. 

Para Zambon, de 47 anos, o caso é uma amostra dos vários conflitos de interesse que podem afetar negativamente o prestígio da organização com sede em Genebra. 

"Estamos nos preparando para a missão na China, portanto, devemos garantir que a OMS esteja isenta de qualquer influência externa, caso contrário sua independência está ameaçada", disse Zambon em entrevista por telefone à AFP.

Os especialistas da OMS que investigam as origens do coronavírus e da covid-19 não obtiveram os vistos necessários para entrar na China. 

As relações entre a OMS e Pequim têm sido objeto de muitos comentários desde o início da pandemia. 

A agência da ONU foi criticada por sua suposta complacência com o regime comunista chinês, que nega ser responsável pela disseminação do vírus que já matou cerca de 1,8 milhão de pessoas em todo o mundo, 77.000 apenas na Itália. 

"Acredito que o mundo precisa de uma OMS livre de conflitos de interesses, não só com as entidades com as quais trabalha [...] Mas também com o seu próprio pessoal", destacou Francesco Zambon.

- "De olho na Itália" -

O oficial ficou encarregado de coordenar o relatório de 102 páginas que analisa a resposta da Itália ao coronavírus após ser o primeiro país da Europa afetado. 

O documento deveria servir de guia para outros países comprometidos com o combate aos primeiros surtos de coronavírus. 

No entanto, foi retido um dia após a sua publicação, em 13 de maio, uma decisão que foi tomada para evitar que o italiano Ranieri Guerra, um alto funcionário da OMS, fosse retratado negativamente, segundo Zambon. 

Antes de ingressar na OMS, Guerra foi um dos autores dos programas de prevenção e controle de epidemias na Itália.

Diretor-geral do departamento de saúde preventiva do Ministério da Saúde italiano entre 2014 e 2017, Guerra é atualmente vice-diretor-geral da OMS, responsável pelo grupo de iniciativas especiais. 

A OMS Europa justificou a retenção do relatório alegando que continha "erros" e "imprecisões". 

“Não houve considerações políticas, posso garantir a vocês”, disse o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, em uma entrevista coletiva esta semana. 

Francesco Zambon reconhece que houve um erro no relatório, mas garante que foi corrigido rapidamente.

“O mundo todo estava de olho na Itália”, lembra ele. O documento foi publicado quando a maioria dos países europeus já havia sido atingido pela epidemia e continha informações e recomendações amplamente divulgadas pela OMS. 

A entidade das Nações Unidas explicou que o relatório não havia sido publicado porque foram encontrados outros sistemas para compartilhar experiências com os países membros. 

No entanto, o relatório foi divulgado à imprensa no mês passado para afastar as acusações de censura. 

O documento afirma que o plano contra epidemias da Itália não era atualizado desde 2006 e que a reação inicial nos hospitais foi "improvisada, caótica e inventiva". 

Diante do relatório, os promotores de Bérgamo, a cidade mais atingida durante a primeira onda de coronavírus, abriram uma investigação para determinar se o plano desatualizado foi um elemento-chave na negligência das autoridades. 

A OMS recusou-se a comentar o assunto com a AFP, enquanto Zambon foi afastado da entidade.

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