Mercado fechará em 4 h 5 min

#Verificamos: OMS não recuou e passou a defender a ‘retomada da economia’

OMS não recuou e passou a defender a ‘retomada da economia’ - Foto: Reprodução

por NATHÁLIA AFONSO

Circula pelas redes sociais que a Organização Mundial de Saúde (OMS) teria desmentindo todas as recomendações anteriores de isolamento e começado a defender a necessidade imediata da “retomada da economia”. Esse boato começou a circular nas redes sociais após a coletiva de imprensa da organização da última segunda-feira (27). Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

OMS não recuou e passou a defender a ‘retomada da economia’ - Foto: Reprodução

“Desmoralizada, a OMS desmente todas as suas ‘recomendações’ anteriores e defende a necessária retomada da economia. Está mais do que provado que eles sempre estiveram perdidos nessa pandemia! Se dependêssemos deles, nunca mais voltaríamos a trabalhar”
Texto em imagem que, até às 18h do dia 29 de junho de 2020, tinha sido compartilhado mais de 300 pessoas no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A Organização Mundial de Saúde (OMS) não recuou em suas recomendações e não passou a defender a necessidade de retomada imediata da economia. Em nota, a assessoria de imprensa da organização afirma que informação não procede. Na realidade, o texto que circula pelo Facebook distorce uma afirmação dada por Michael Ryan, diretor Executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, em coletiva de imprensa na última segunda-feira (27). 

Ao responder uma pergunta sobre o fechamento de fronteiras, Ryan afirmou que as atividades econômicas serão retomadas em algum momento, uma constatação óbvia que nem a OMS, nem nenhuma outra instituição jamais negou. Por causa disso, disse o diretor, é necessário pensar em estratégias para evitar a disseminação da doença entre os países, já que o vírus não respeita divisões territoriais.  

“Mais uma vez, volta-se a essa ideia de que será quase impossível para cada país manter suas fronteiras fechadas no futuro próximo. As economias precisam se abrir, as pessoas precisam trabalhar, o comércio precisa retomar. Então, como reabrimos e como nos envolvemos novamente no comércio global e no movimento de pessoas, bens e serviços, mas de maneira a minimizar os riscos associados a isso, de mover a doença com essas pessoas, bens e serviços?”, disse o diretor. 

Durante a coletiva, Ryan afirmou ainda que estamos passando por um momento de incerteza e que é difícil tomar medidas concretas em relação a viagens internacionais. Cada país está passando por um momento único na pandemia e, por isso, não é possível apresentar uma solução genérica que valha para todo o mundo. O diretor defendeu, ainda, que países tomem medidas para evitar que pessoas doentes viajem, como a realização de testes para todos os passageiros em viagens internacionais.

Em março, a Lupa desmentiu um boato semelhante. Na época, circulou pelas redes sociais que OMS teria recuado nas recomendações de isolamento. Um texto publicado no site Terça Livre citou essa informação e afirmou que, para a entidade, “governos devem pensar em quem precisa garantir o pão de cada dia”. Contudo, a informação era falsa. Na realidade, o texto distorceu uma afirmação do diretor-geral da instituição, Tedros Adhanom Gheybresus.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés