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OMC eleva projeções para o comércio mundial em 2021 e 2022

·3 minuto de leitura
Contêineres dee carga em Hong Kong, em foto de 14 de setembro de 2021 (AFP/Peter Parks)

O comércio internacional de mercadorias superou o nível anterior à pandemia, anunciou nesta segunda-feira (4) a Organização Mundial do Comércio (OMC), que elevou as projeções para 2021 e 2022, apesar das tensões nas redes de abastecimento.

De acordo com as novas estimativas da OMC, o volume de comércio mundial de mercadoria deve aumentar 10,8% em 2021 e 4,7% no próximo ano. Em março, a organização projetava altas de 8% e 4%, respectivamente.

"Nós esperávamos um aumento substancial, levando em consideração a dimensão da estagnação comercial que surgiu no início da pandemia de covid-19 em 2020, quando o volume do comércio mundial de mercadorias registrou contração de 5,3%", declarou a diretora geral da instituição, Ngozi Okonjo-Iweala, em uma entrevista coletiva.

De acordo com os economistas da OMC, o crescimento será moderado à medida que os negócios retornarem à tendência de longo prazo de antes da pandemia covid-19.

"As dificuldades relacionadas com a oferta, como a escassez de semicondutores e os atrasos nos portos, podem provocar tensões nas redes de abastecimento e afetar o comércio em determinadas esferas, mas é pouco provável que tenham consequências importantes nos agregados mundiais", consideram.

Em resumo, destaca a OMC, as previsões atuais se aproximam da hipótese otimista exposta nas últimas previsões comerciais. Porém, o risco do cenário pessimista predomina, devido sobretudo às dificuldades nas redes de abastecimento mundiais e a um possível novo surto de covid.

Os economistas da OMC também esperam picos de inflação.

Além dos riscos, a diretora nigeriana da OMC destacou a grande divergência entre regiões. Oriente Médio, América do Sul e África parecem seguir para uma recuperação menor das exportações

"Os dados do comércio são mais uma prova de que o acesso desigual às vacinas está exacerbando a divergência econômica entre as regiões", reiterou Okonjo-Iweala.

- Pedidos de unidade -

Até o momento, mais de 6 bilhões de doses de vacina anticovid foram aplicadas no mundo, mas apenas 1,4% dos moradores dos países de baixa renda estão completamente vacinados, contra 58% nos países ricos, recordou a economista.

Para a próxima conferência ministerial da organização, de 30 de novembro a 3 de dezembro, Okonjo-Iweala pediu aos países membros que se "reúnam para chegar a um acordo sobre uma resposta firme da OMC à pandemia, que estabeleça as bases para uma produção mais rápida das vacinas e uma distribuição equitativa".

"É necessário para sustentar a recuperação econômica mundial. As políticas relativas às vacinas são políticas econômicas e também comerciais", insistiu.

Após uma proposta da Índia e da África do Sul, a OMC debate desde 2020 suprimir as patentes das vacinas e outros tratamentos anticovid, para que sejam mais acessíveis.

Esta iniciativa, apoiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e ONGs, enfrenta a oposição dos gigantes farmacêuticos e vários países europeus, que mencionam a possibilidade de acordos de produção entre empresas.

A diretora da OMC reconheceu nesta segunda-feira que é um "tema difícil", mas acrescentou que "esperamos poder alcançar um compromisso razoável sobre a questão das patentes".

"Esperamos uma solução pragmática que seja aceitável para ambas as partes", insistiu.

apo/vog/es/mar/fp

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