Mercado fechado
  • BOVESPA

    113.282,67
    -781,69 (-0,69%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.105,71
    -358,56 (-0,70%)
     
  • PETROLEO CRU

    73,95
    +0,65 (+0,89%)
     
  • OURO

    1.750,60
    +0,80 (+0,05%)
     
  • BTC-USD

    43.295,17
    +877,59 (+2,07%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.067,20
    -35,86 (-3,25%)
     
  • S&P500

    4.455,48
    +6,50 (+0,15%)
     
  • DOW JONES

    34.798,00
    +33,18 (+0,10%)
     
  • FTSE

    7.051,48
    -26,87 (-0,38%)
     
  • HANG SENG

    24.192,16
    -318,82 (-1,30%)
     
  • NIKKEI

    30.248,81
    +609,41 (+2,06%)
     
  • NASDAQ

    15.319,00
    +15,50 (+0,10%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,2556
    +0,0306 (+0,49%)
     

Futebol feminino na Olimpíada: Marta fica sem medalha e é segunda maior artilheira da história dos Jogos

·7 minuto de leitura
Marta comemora gol
Ao comemora gol, Marta fez um T para homenagear Toni Deion, sua noiva

A partida no futebol feminino contra o Canadá nas quartas-de-final na quinta-feira (30/7) eliminou o Brasil da Olimpíada de Tóquio, e a capitã da seleção e sua maior estrela, Marta Vieira da Silva, não conseguiu atingir uma marca que buscava.

Ela não marcou o 14º gol, que a igualaria a ex-companheira Cristiane como maior artilheira do futebol em Olimpíadas.

Marta entrou em campo contra as canadenses com 13 gols em Olimpíadas no currículo — três deles marcados em Tóquio, contra China e Holanda — e um a menos que Cristiane, que não foi convocada desta vez.

O jogo terminou empatado em 0 a 0 e foi para os pênaltis. O Brasil errou duas tentativas e acabou sendo derrotado por 4 a 3. Marta converteu o seu pênalti, mas gols marcados em disputas de penalidades não contam como gols oficiais.

Marta tem a mesma quantidade de gols de dois homens nos Jogos: Sophus Nielsen, da Dinamarca, e Antal Dunai, da Hungria, com 13 gols cada.

Aos 35 anos, Marta disputou pela quinta vez as Olimpíadas e se tornou em Tóquio a primeira jogadora a marcar em cinco edições: Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016 e, agora, Tóquio 2020.

Marta, que integra o time americano Orlando Pride desde 2017, deixou em aberto seu futuro na seleção em entrevista à TV Globo após a partida.

"Estou com a cabeça a mil, vou deixar essa resposta para depois. Não dá para dizer no momento, estou muito emocionada."

Mas reforçou uma mensagem de otimismo para o esporte. "Agora é pensar no futuro. Continuar apoiando as meninas, apoiando a modalidade porque o futebol feminino não acaba aqui."

Em Copas do Mundo, Marta já tinha conquistado a marca de jogadora de futebol com mais gols, entre mulheres e homens, com 17 em 19 partidas de cinco Mundiais.

Outro feito inédito da alagoana foi ter sido premiada seis vezes como a melhor jogadora de futebol do mundo pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018.

Por toda sua trajetória e títulos, Marta é um ícone do futebol, não só dentro mas também fora de campo, ao vestir a camisa do debate sobre as desigualdades de gênero no esporte e além.

Marta segura troféu em cerimônia de gala
Marta foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo em prêmio da Fifa

Dois Riachos, Alagoas: das dificuldades às honrarias por jogar futebol

Marta nasceu em 1986, só três anos depois do futebol feminino ter sido regulamentado, em 1983. De 1941 a 1979, a prática do esporte por mulheres foi proibida por um decreto do ex-presidente Getúlio Vargas (1882-1954).

Há um texto que Marta escreveu para si mesma quando jovem, inicialmente publicado no site The Players' Tribune, que ela frequentemente lê em entrevistas — e quase sempre se emociona.

Nele, a atleta relata que, quando criança, se escondia da família e enfrentava a implicância de colegas ao jogar futebol na pequena Dois Riachos (AL).

Seus pais se separaram quando ela tinha um ano de idade, sua mãe trabalhava fora o dia todo e ela ficava muito com a avó e os primos — meninos que jogavam futebol.

Por volta dos 7 anos, Marta conta que começou sua paixão pelo esporte, mas durante um tempo ela voltava rapidamente para dentro de casa quando a mãe e o irmão apareciam, para que não soubessem disso.

"Tudo o que você sabe é crescer e jogar com os meninos da sua cidade. Mas, somente quando eles deixam isso acontecer. Porque eles sempre tinham aquele plano estúpido. Você pode jogar, eles diziam, mas só com o time formado por jogadores do bairro que não eram tão bons", escreveu Marta no texto publicado pelo Players' Tribune.

"E isso não importava. Porque mesmo quando você jogava com os meninos que não tinham habilidade com a bola nos pés, o seu time ainda vencia. Você dribla rápido, você joga num curto espaço de tempo e pensa rápido."

"Você mostra para eles: você é uma garota, e você pode jogar futebol. Mas os comentários, os julgamentos, as piadas - tudo aquilo não vai parar. Mesmo quando você estiver no time local da cidade."

Marta relata que, diante das represálias e da solidão que sentia nesta posição, se questionava: "Por que é que Deus me deu esse talento, se ninguém quer que eu jogue?".

Algumas poucas pessoas, porém, pareciam querer: um amigo da família conseguiu um teste para Marta no Rio de Janeiro, e com isso ela passou a jogar no Vasco. Dali, a carreira da jogadora canhota, que joga entre o meio-campo e o ataque, voou para Belo Horizonte, Suécia e Estados Unidos — onde vive e joga atualmente.

"Você voltará para casa. Será em 2006 e você terá conquistado o prêmio de melhor jogadora do mundo pela Fifa pela primeira vez. (Isso mesmo, será apenas a primeira vez). Haverá uma multidão de pessoas esperando por você. Todo mundo quer ver a heroína da cidade que está de volta. Eles até mesmo vão carregar você no carro do Corpo de Bombeiros."

A entrada da sua cidade passou a receber visitantes com a faixa: "Bem-vindo a Dois Riachos - Terra da Jogadora Marta".

Marta olha para bola em campo
Marta marcou gols em todas as partidas da Olimpíada de Tóquio até agora

'Uma raridade'

Em entrevista ao site da BBC, a treinadora Hope Powell definiu o talento de Marta como "absolutamente fenomenal, uma raridade."

"Ela é uma verdadeira líder, uma definidora de partidas, uma inspiração dentro e fora do campo — com o trabalho que ela faz para promover o esporte. Ela é um verdadeiro trunfo."

Caso queira ver com os próprios olhos, em 2020 o site Globo Esporte fez uma enquete com o público perguntando qual foi o gol mais bonito de Marta pela seleção brasileira. Foi escolhido um gol na partida do Brasil contra os Estados Unidos na Copa do Mundo da China de 2007.

Tamanho talento, porém, encontrou muitas vezes a desigualdade entre homens e mulheres como obstáculo.

Escrevendo para si mesma quando jovem, Marta reconheceu avanços, mas apontou os tantos passos que ainda precisam ser conquistados.

"É impressionante o quanto o jogo mudou para as mulheres. Mas, em muitas maneiras, você vai descobrir que sempre será um pouco mais difícil para as garotas. Os campeonatos e os clubes vão começar e vão acabar", escreveu ao lembrar de histórias como a da decisão do presidente do Vasco de cortar o futebol feminino enquanto ela jogava lá.

Jogadoras da seleção
Marta, na foto à direita, ao lado de colegas da seleção em foto de 2016

A insatisfação da jogadora com o que aponta como tratamento desigual entre atletas homens e mulheres se manifesta em uma resistência antiga de receber patrocínio pessoal de marcas esportivas. À Olimpíada de Tóquio, ela foi mais uma vez sem uma.

"Estou usando a mesma chuteira. Com o mesmo símbolo, o 'Go equal'. E continua sendo uma opção minha. Não é só pelo dinheiro em si. É toda uma história. Mas muitas vezes, os contratantes da patrocinadora não enxergam por esse lado. É um conjunto de coisas para a minha decisão. E posso ver que, por outro lado, isso ajudou outras atletas", disse ao Globo Esporte.

A campanha "Go equal", estampada na chuteira dela, pede pagamento igualitário entre homens e mulheres no esporte.

Ao longo dos anos, os rankings da revista France Football têm mostrado que os salários das jogadoras mais bem pagas do mundo, como Marta, são em um ano o equivalente a alguns dias de pagamento para craques do futebol masculino. Por parte da seleção, porém, a CBF anunciou em 2020 que tornaria iguais os pagamentos de prêmios e diárias às seleções masculina e feminina.

Na véspera da Olimpíada de Tóquio, Marta anunciou um patrocínio pessoal, mas não com uma marca esportiva, e sim com a companhia aérea Latam, que nomeou a jogadora como sua "líder global de Diversidade e Inclusão".

Ela tem um outro título parecido, mas pelas Nações Unidas: é embaixadora da boa vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Sorte também no amor

No primeiro jogo da seleção feminina na Olimpíada, o Brasil fez 5 a 0 contra a China, com dois gols de Marta.

Ao comemorar, ela fez um gesto de T — depois, ela explicou que era uma homenagem a Toni Deion, sua noiva e também jogadora do time americano Orlando Pride.

Elas anunciaram o noivado no início de janeiro.

"Esse é mais um capítulo da história que estamos escrevendo juntas", escreveu Marta na sua conta do Instagram, aparecendo ao lado de Toni em um ensaio fotográfico.

Nas redes sociais, a alagoana gosta de compartilhar também fotos dos três cachorros, Toby, Zeca e Zoe, que vivem com o casal em Orlando, Flórida, EUA. Aliás, os pets também têm uma conta no Instagram.

Parece que a brasileira nasceu com sorte no jogo e no amor.

* Este texto foi corrigido em 2 de agosto de 2021. Uma versão anterior contabilizava o gol de pênalti marcado por Marta nas cobranças de penalidades de desempate. No entanto, gols assim não fazem parte da contagem de artilharia.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos