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Olimpíada: Esporte de rico? Embalada por ouro de Martine e Kahena, vela mira jovens, mas investimento alto é desafio

·5 minuto de leitura

O bicampeonato olímpico de Martine Grael e Kahena Kuze, na madrugada desta terça-feira, nos Jogos de Tóquio, voltou a chamar a atenção dos brasileiros para a vela. Entre curiosidade sobre os formatos das regatas e a prática do esporte, houve quem bradasse que se tratava de um esporte exclusivamente destinado a pessoas de alto poder aquisitivo. Em conversa com O GLOBO, o gestor da diretoria de vela do Iate Clube do Rio de Janeiro, velejador e comentarista do canal Sport Ricardo Baggio, o Kadu, conta um pouco sobre o cenário da modalidade no Brasil e explicou algumas formas que interessados no esporte podem utilizar para adentrá-lo.

Locais mais tradicionais da prática da modalidade, os clubes náuticos são também a porta de entrada mais complexa para os iniciantes. É preciso que o interessado seja sócio ou faça contato com sócios de clubes que permitem convidados nos treinamentos do esporte.

— Temos clubes centenários, clubes com 80 anos. Muitos são abertos a convidados de sócios para participar. É muito difícil acontecer com uma pessoa que bata na porta querendo fazer aula de vela — explica.

As portas mais comuns acabam sendo os projetos sociais e as escolas particulares de vela nas praias e à beira de lagos e represas. Nas segundas, classes como o kitesurf e o windsurfe, de embarcações mais leves, são as mais populares. Entre os principais polos, estão o Rio de Janeiro (em especial na cidade de Niterói, de onde vem Martine e "base" da família Grael), São Paulo e o Rio Grande do Sul, estados de onde vêm praticamente todos os atletas da delegação brasileira. Mas há iniciativas promissoras no Espírito Santo, na Bahia, em Brasília (DF) em Minas Gerais e no litoral da região Nordeste em geral.

— Em algumas você aprende a velejar de barco. Na represa de Guarapirangua (SP), temos alguns exemplos de escolas de vela, em Ilhabela (SP), mas não é comum. O mais comum é nas praias com os cursos de kite e windsurfe.

Dificuldades na transição

Em pleno processo de renovação em seu programa olímpico — entrará o kitesurfe, sairá a classe Finn e as classes 470 masculina e feminina se tornarão uma só, mista —, a vela tem voltado os olhos para uma nova geração de atletas.

Kadu explica que há projetos promissores da Confederação Brasileira de Vela (CBVela) e de clubes em curso para revelar jovens talentos, mas falta apoio para a transição entre a classe Optimist, um barco de entrada para crianças e jovens, e as classes olímpicas. O investimento, as premiações e os patrocínios são parte importante nessa etapa.

— Isso é a grande semente da renovação da equipe olímpica, mas temos o desafio de fazer essa ligação da vela jovem com a equipe olímpica. É um salto, precisa muito de investimento, e principalmente desses jovens participarem de eventos no exterior.

Nos mercados brasileiro e internacional, o preço de uma embarcação varia muito quanto ao tipo, fabricação e outros fatores, mas flutua de dezenas a centenas de milhares de reais. Com a maior parte do equipamento importando, impostos e a variação cambial ajudam a encarecer ainda mais o processo, explica Kadu.

— Além da compra do equipamento, você tem que ser sócio de um clube ou pagar uma marina para guardar o equipamento. Todo esse investimento é alto.

Para driblar esses custos, a melhor solução acaba sendo buscar oportunidades de tornar-se tripulante de algum barco que já tenha dono. Para quem não quer competir profissionalmente e busca a modalidade como um hobby, a saída pode ser a aquisição de um barco usado. Modelos de classes como Laser e Snipe podem custar de R$ 3 a R$ 5 mil.

Instrutora fala do Projeto Grael

A instrutora de vela Isabella Sant'ana, de 25 anos, concorda que o esporte exige muitos gastos. Ela estima que o modelo usado por Martine e Kahena no Japão custe pelo menos R$ 200 mil, enquanto um barco infantil pode ser comprado por cerca de R$ 12 mil. As aulas da modalidade, dependendo do nível, variam de R$ 250 a R$ 1 mil por mês. Além disso, há despesas com sapato, blusa com proteção solar, casaco impermeável, luva e óculos. Para ela mesma, essa conta não fecha. O início no esporte só foi possível por causa do projeto Grael, no qual ingressou com 8 anos, junto aos irmãos, porque sua mãe não tinha com quem deixá-los enquanto trabalhava. Hoje, formada em educação física, atua no projeto para se manter perto do mar e ajudar outros jovens:

— A função de educar é uma batalha. Usamos o esporte para mantê-los longe do crime. Para mim, é uma honra ter podido vivenciar os dois lados da moeda, como aluna e como instrutora.

Para Isabella, mais do que profissão, velejar é uma terapia. Ao deixar o celular e os problemas em terra, tem a oportunidade de se manter totalmente concentrada em uma única atividade. Sensação semelhante é vivenciada por Alan Alves, de 17 anos, que ingressou no projeto há três. Ele diz que o esporte o ajudou a “abrir a cabeça” e o levou a lugares que jamais teria tido a oportunidade. E ele quer mais: representar o país como atleta profissional.

— Sei que é difícil, mas não é impossível. Vou me esforçar e fazer de tudo para conseguir — espera.

Kadu elogia o Projeto Grael, que começou focado em formar campeões, e hoje produz profissionais para o mercado da vela em geral, incluindo, claro, velejadores.

— É um profissionalizante fantástico. Hoje temos, no mercado náutico muita gente que veio do projeto e nesse volume aparecem velejadores, como o Samuel Gonçalves, que ganhou o Mundial de Star na proa do Lars.

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