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Olho biônico: implante cerebral será testado em humanos que perderam a visão

Fidel Forato
·3 minutos de leitura

Já imaginou a possibilidade de uma pessoa que perdeu a visão voltar a enxergar? É o que pretende fazer uma equipe de pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália. Para isso, desenvolveram um dispositivo biônico que pode restaurar parte da visão e fornecer uma percepção visual dos espaços, através de um implante cerebral. Agora, se preparam para os primeiros testes clínicos do experimento em humanos.

Há mais de 10 anos o grupo de cientistas trabalha no projeto Gennaris para compreender os sistemas de implantes cerebrais. A partir dessas pesquisas é que os cientistas chegaram aos atuais modelos de implantes wireless, em miniatura, que serão instalados na superfície do cérebro dos participantes para o restauro de, pelo menos, parte da visão.

Pesquisadores australianos devem testar em humanos implante cerebral, como se fosse um olho biônico (Imagem: Reprodução/ Monash University )
Pesquisadores australianos devem testar em humanos implante cerebral, como se fosse um olho biônico (Imagem: Reprodução/ Monash University )

No caso da cegueira, muitas pessoas são clinicamente cegas, porque têm nervos ópticos (estruturas que captam informações da retina) danificados, ou seja, os sinais recebidos não são transmitidos da retina para o centro de visão, que é o cérebro. Além desta aplicação, os pesquisadores investigam como utilizar os implantes cerebrais para o tratamento de outras condições neuróglicas que, até o momento, são intratáveis, como a paralisia de membros.

Como funciona a visão biônica?

Para o uso dos implantes, o voluntário deverá usar uma espécie de capacete personalizado com uma câmera e um transmissor wireless, uma unidade de processamento de visão e um conjunto de implantes cerebrais de 9 mm. As imagens devem ser capturadas pela câmera de vídeo e serão enviadas para o processador de visão — muito parecido com um smartphone —, onde tudo será interpretado e as informações mais importantes da cena serão extraídas.

Depois da etapa de observação do mundo exterior, os dados processados ​​serão transmitidos para circuitos de dentro dos implantes cerebrais. Nesse processo, os dados são convertidos em padrões específicos de pulsos elétricos, o que estimulará o cérebro através de microeletrodos, com espessura igual a de um fio de cabelo.

Através de implantes cerebrais, pesquisadores querem recuperar a visão (Imagem: Reprodução/ Monash University)
Através de implantes cerebrais, pesquisadores querem recuperar a visão (Imagem: Reprodução/ Monash University)

“As próteses de visão cortical procuram restaurar a percepção visual para aqueles que perderam a visão, fornecendo estimulação elétrica ao córtex visual — a região do cérebro que recebe, integra e processa informações visuais”, explica o professor Lowery, envolvido com o projeto. “Nosso produto cria um padrão visual a partir de combinações de até 172 pontos de luz (fosfenos), que fornecem informações para o indivíduo navegar em ambientes internos e externos e reconhecer a presença de pessoas e objetos ao seu redor”, completa o cientista.

Próximos passos da pesquisa

“Se for bem sucedida [a pesquisa], a equipe MVG [da universidade] buscará criar uma nova empresa comercial focada em fornecer visão para pessoas com cegueira intratável e movimento para os braços de pessoas paralisadas por tetraplegia, transformando seus cuidados de saúde”, comenta Philip Lewis, líder do projeto australiano. Entretanto, ainda não foram divulgadas as datas de quando a pesquisa começará, de fato, em humanos.

Em paralelo, outra pesquisa da Universidade Monash, publicada no International Journal of Neural Engineering, descreveu o teste de implantes cerebrais em ovelhas e a resposta biológica a essas próteses. “Os resultados do estudo indicam que a estimulação de longo prazo através de matrizes wireless pode ser alcançada sem indução de dano generalizado ao tecido, nem problemas comportamentais visíveis ou convulsões resultantes da estimulação”, afirma o autor principal do estudo, Jeffrey V. Rosenfeld.

Para acessar o estudo desenvolvido com ovelhas, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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