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Oi vê demanda maior por banda larga com coronavírus após balanço fraco no 4° tri

Por Gabriela Mello
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Por Gabriela Mello

SÃO PAULO (Reuters) - Maior operadora de telefonia fixa do Brasil, a Oi SA espera que a crescente demanda por banda larga compense uma queda nas vendas de aparelhos e serviços móveis durante o surto de coronavírus no país, disseram executivos nesta quinta-feira, após a companhia reportar prejuízo trimestral acima do esperado.

Todas as lojas próprias da empresa estão fechadas e a Oi atualmente está monitorando o tráfego de dados para ativar novos circuitos, se necessário, e garantir a estabilidade em todos os seus serviços, segundo eles.

"Um número gigantesco de clientes ainda tem uma velocidade de banda larga lenta, então, com as restrições de locomoção, um aumento nessa demanda tende a compensar o impacto negativo nas vendas das lojas", afirmou o diretor presidente Rodrigo Abreu em teleconferência com analistas.

A empresa, que pediu recuperação judicial em junho de 2016, amargou prejuízo líquido de 2,3 bilhões de reais no quarto trimestre, acima da previsão média de analistas consultados pela Refinitiv, de perda de 1,1 bilhão de reai.

O desempenho operacional medido pelo lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou dentro das expectativas, em 1,3 bilhão de reais.

As ações preferenciais da Oi subiam 1% na tarde desta quinta-feira, enquanto as ações ordinárias operavam em torno da estabilidade.

Para analistas do BTG Pactual, o balanço veio fraco, conforme se esperava. "Com todas as linhas de receita ainda em declínio ano a ano, não ficamos surpresos em ver que os resultados operacionais seguem sofrendo", escreveram em relatório.

Eles ressaltaram, contudo, que a operadora segue um ativo estratégico único para agentes locais ou internacionais. Segundo cálculos do BTG, o Ebitda da Oi poderia subir a cerca de 3 bilhões de reais após a venda da unidade móvel.

Em 11 de março, as rivais TIM Participações e Telefônica Brasil informaram ao assessor financeiro da Oi sobre seu interesse em iniciar negociações para uma possível aquisição de toda ou parte da divisão móvel.

Não ficou imediatamente claro como as duas planejam dividir os negócios, mas participantes do mercado argumentam que a TIM provavelmente obteria uma participação maior nos negócios móveis da Oi.

"Agora estamos fazendo nossa própria análise com nossos assessores financeiros sobre os próximos passos na venda da unidade móvel", disse Abreu, acrescentando que a transação depende da aprovação dos credores, cuja assembleia está prevista para ocorrer no segundo semestre.

O diretor presidente da Oi observou que é ainda difícil avaliar o impacto total da crise do coronavírus, mas até agora a empresa em dia com seu plano estratégico, incluindo a venda de ativos.

A Oi espera levantar entre 1 bilhão e 1,5 bilhão de reais até o final do segundo trimestre com a alienação de torres móveis, data centers e ativos imobiliários, de acordo com a diretor de finanças e relações com investidores, Camille Loyo Faria.