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À Anatel, Oi diz que só tem dinheiro em caixa até fevereiro

Paulo Whitaker/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • À agência, operadora diz ter chegado ao “mínimo necessário” para operar só até fevereiro de 2020.

  • Pedido de recuperação judicial foi apresentado em 2016; desde então, Anatel faz um acompanhamento mais próximo da situação da operadora.

O diagnóstico da situação da empresa foi apresentado à cúpula da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) essa semana. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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O jornal teve acesso às projeções da companhia, debatidas em reuniões ocorridas na terça e na quarta-feira na agência com cerca de 20 pessoas – entre as quais, integrantes da diretoria e o presidente da Anatel, Leonardo Euler de Morais. A agência é responsável pela regulação do setor.

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Na apresentação feita à cúpula da agência, houve ainda o alerta de que, caso a Oi não reaja, poderá ocorrer a interrupção da operação por falta de caixa, com “probabilidade alta”, sem contar o impacto “muito alto” no sistema de telecomunicações.

A preocupação de “assegurar a continuidade da prestação” também foi indicada na ocasião, bem como o lembrete de que a União é “solidária na manutenção da continuidade” dos serviços de telefonia fixa, os quais são fruto de concessão. De acordo com o documento, mais de 3 mil municípios do país são atendidos apenas pela telefonia fixa da Oi.

Recuperação judicial

A Oi entrou com pedido de recuperação judicial em 2016. Desde então, a Anatel faz um acompanhamento mais próximo da situação da operadora. No diagnóstico apresentado à diretoria da agência nos últimos dias, o pedido de recuperação judicial é citado como não sendo “causa, por si só, de extinção das outorgas”, ainda que, salientou-se, caberia à agência “a constante avaliação das condições objetivas e subjetivas para a manutenção” desses contratos.

Foram sacados R$ 3,2 bilhões do caixa, de fevereiro a junho deste ano, para custear operações, pagar salários, bancar investimentos, entre outras despesas. Segundo o diretor financeiro da Oi, Carlos Brandão, aos investidores na reunião de quinta (15), essa perda era esperada e que a empresa tem alternativas, como emitir debêntures, solicitar novo aporte de seus acionistas e vender ativos.

Não há certezas dentro da Anatel e do governo se essas soluções virão a tempo. Em razão disso, o debate sobre medidas que podem ser necessárias.