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Oi confirma venda à Sonangol de participação na Unitel por US$ 1 bilhão

Raquel Brandão

Recursos deverão ajudar a companhia brasileira no processo de recuperação A Oi confirmou nesta sexta-feira a venda de sua participação na operadora Unitel à petroleira Sonangol, ambas companhias de Angola. O negócio foi realizado por meio de sua subsidiária indireta Africatel, que alienou todas as ações de emissão da holding portuguesa PT Ventures à petroleira por US$ 1 bilhão.

A PT Ventures é titular de participações em duas companhias angolanas, a Unitel, da qual detém 25%, e a Multitel – Serviços de Telecomunicações, da qual detém 40%. A empresa também é titular de direitos de crédito de dividendos declarados pela Unitel e já vencidos, e de um conjunto de direitos decorrentes da decisão de arbitragem iniciada pela PT Ventures contra os demais acionistas da Unitel.

O valor total da transação será pago da seguinte maneira: US$ 699,1 milhões foram pagos hoje pela Sonangol à Africatel, sendo que US$ 60,9 milhões foram pagos à Africatel antes da transferência das ações da PT Ventures. Outros US$ 240 milhões, integralmente garantidos por carta de fiança emitida por banco de primeira linha, serão pagos pela Sonangol à Africatel até 31 de julho de 2020, sendo assegurado à Africatel um fluxo mínimo mensal de US$ 40 milhões, a partir de fevereiro de 2020.

A Oi destaca que a operação está prevista no plano de recuperação judicial e no plano estratégico que foi divulgado em 16 de julho do ano passado.

A relativa demora em concretizar a venda pode ser explicada por uma combinação de fatores internos e externos à Unitel, sustenta um analista de mercado que pediu para não ter seu nome divulgado.

A lista inclui desde atritos políticos e dificuldades cambiais enfrentadas por Angola até as disputas pelo controle da Unitel. “É um país em crise cambial desde a queda [nas cotações] do petróleo em 2014, sem reservas suficientes em dólar. Logo, vender o ativo e receber em moeda local significa muita dificuldade para converter em moeda forte”, explica o analista.

Oi conta com recursos da venda na África para a recuperação no Brasil

Imagem Valor Econômico

A empresa informa também que os novos recursos ajudarão a Oi e suas subsidiárias nas operações e negócios no Brasil e em seu processo de recuperação. O caixa da companhia terminou novembro no patamar de R$ 2,23 bilhões, o menor nível desde o início da recuperação judicial da Oi, em junho de 2016.

“O ingresso de novos recursos e a redução de gastos em virtude da desvinculação com os litígios em curso proporcionarão o incremento de liquidez financeira e a melhoria no fluxo de caixa das recuperandas”, acrescenta a companhia em sua nota.

Leilão na bolsa

As ações ordinárias e preferenciais da Oi caíam há pouco, 4,67% e 2,58%, após entrarem em leilão com confirmação do negócio. Há pouco, as ações ON eram negociadas a R$ 1,03 e o volume financeiro já chegava a R$ 335 milhões, ante R$ 410 milhões de todo pregão de ontem. Já as ações PN eram cotadas a R$ 1,51, com negócios de R$ 7 milhões.

A negociação dos papéis foi interrompida por volta de 12h50 para a publicação do fato relevante pela Oi, confirmando a transação entre as companhias.

Ontem, os papéis da companhia fecharam com alta. As ações ordinárias encerraram o pregão com valorização de 9,18%, para R$ 1,07, mesma cotação apurada em 19 de setembro. As ações preferenciais subiram 5,44%, para R$ 1,55, mesma cotação registrada em 24 de setembro.