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OEA adia reunião para discutir situação em Cuba

·2 minuto de leitura
Pessoas agitam bandeira de Cuba, Venezuela e Nicarágua em Miami

A Organização dos Estados Americanos (OEA) adiou uma reunião programada para a manhã desta quarta-feira (28) sobre a situação em Cuba, abalada há duas semanas por protestos populares, uma decisão que Havana celebrou.

"O Conselho Permanente da OEA adiou a sessão virtual extraordinária prevista para hoje para abordar a situação em Cuba", disse o bloco regional em um comunicado, que não estabeleceu uma data para a nova reunião.

O chanceler cubano Bruno Rodríguez celebrou a "derrotada manobra anti-cubana na OEA" em um tuíte.

"A rejeição da maioria dos Estados-membros obrigou a suspensão do Conselho Permanente. A Presidência do Conselho pro tempore admitiu derrota com uma carta patética que ofende Cuba", comentou Rodríguez. Ele agradeceu "aos países que defenderam a dignidade latino-americana e caribenha".

A reunião do órgão executivo da OEA, que reúne seus 34 membros ativos, foi convocada pela Presidência do Conselho Permanente, atualmente ocupada pelo Uruguai.

A ordem do dia incluía apresentações da presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Antonia Urrejola, assim como do relator da CIDH para Cuba, Edgar Stuardo Ralón, e do relator especial da CIDH para a liberdade de expressão, Pedro Vaca.

A CIDH, um órgão da OEA, condenou em um comunicado de 15 de julho "a repressão estatal e o uso da força" durante os protestos de 11 e 12 de julho em cerca de 40 cidades da ilha caribenha, as quais considerou "pacíficas".

"Teria sido um ato de irresponsabilidade da Presidência ignorar as rejeições", disse o embaixador uruguaio na OEA, Washington Abdala, ao informar sobre o adiamento da reunião.

"O que Cuba está vivendo não pede procrastinações", disse em uma carta. "O tempo corre contra os direitos e a vida de muitas pessoas".

Abdala explicou que, devido às "propostas" de alguns países em relação à reunião, solicitou um relatório jurídico sobre a situação de Cuba em relação à OEA, confiando em "poder concretizar essa sessão o mais breve possível".

Em diferentes cartas, os representantes de Belize, Trinidad e Tobago, Nicarágua e a Comunidade do Caribe (composta por Antígua e Barbuda, Barbados, Belize, Bahamas, Dominica, Grenada, Guiana, Haiti, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago) questionaram a falta de consultas prévias à convocação e afirmaram que a reunião seria "inútil" dada a situação de Cuba em relação à OEA.

A OEA excluiu Cuba do sistema interamericano em 1962 pela sua adesão ao bloco comunista soviético e seu confronto com Washington após a revolução liderada por Fidel Castro em 1959. Essa decisão foi anulada em 2009, mas Cuba não pediu sua reincorporação. A OEA considera Cuba um membro inativo.

Abdala destacou que a CIDH elabora frequentemente relatórios sobre Cuba e destacou que "a prática de rejeitar 'relatórios in voce' não deveria ocorrer nesta organização".

ad/ltl/aa

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