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Ocidente pede que Teerã volte às negociações sobre questão nuclear

·3 minuto de leitura
Foto da Presidência Iraniana mostra o presidente Ebrahim Raissi em discurso de Teerã à Assembleia Geral da ONU, em 21 de setembro de 2021 (AFP/HO)

Os ocidentais pressionaram o novo presidente do Irã, Ebrahim Raissi, na ONU nesta terça-feira (21) para retomar o quanto antes as negociações sobre a questão nuclear iraniana, no entanto, sem obter qualquer compromisso concreto.

Em seu discurso em um vídeo pré-gravado, Raissi se posicionou a favor dessas negociações para salvar o acordo de Viena de 2015, firmado para impedir o Irã de adquirir armas nucleares.

Mas essas discussões devem ter como "objetivo final a retirada das sanções opressivas" dirigidas à economia iraniana, que os Estados Unidos reintroduziram ao saírem do pacto em 2018, insistiu o líder iraniano.

"Não confiamos nas promessas do governo americano", que se retirou do acordo sob a presidência de Donald Trump, mas que Joe Biden quer retomar, disse Raissi na Assembleia Geral da ONU.

O porta-voz da diplomacia iraniana, Said Khatibzadeh, afirmou que as negociações, suspensas desde junho, retornarão "nas próximas semanas", algo longe das expectativas dos EUA e dos europeus, que exigem um recomeço imediato. No início de setembro, o Teerã havia falado em "dois ou três meses".

"Os Estados Unidos continuam determinados a impedir o Irã de obter uma arma nuclear", enfatizou o presidente americano, Joe Biden, na ONU.

"Estamos trabalhando com os membros permanentes do Conselho de Segurança (França, Reino Unido, Rússia e China, além dos EUA) e com a Alemanha "para trazer o Irã de volta ao acordo de maneira diplomática e segura", acrescentou.

- "O tempo urge" -

Concluído em 2015, o acordo de viena sobre a energia nuclear iraniana oferecia a Teerã um alívio das sanções ocidentais e da ONU em troca de seu compromisso e nunca adquirir armas nucleares e de reduzir seu programa nuclear. Mas o Irã abandonou a maioria de seus compromissos após a retirada unilateral dos americanos do acordo de 2018 durante o governo de Donald Trump.

Seu sucessor, o democrata Joe Biden, prometeu voltar ao acordo se Teerã cumpria seus compromissos. Nesta terça, reiterou sua posição no fórum multilateral.

O chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, disse nesta terça à imprensa que "o tempo está se esgotando", em uníssono com outros signatários europeus: França e Reino Unido.

"Não vamos esperar duas ou três meses a que a delegação iraniana volte à mesa de negociações de Viena. Tem que ser mais rápido", disse.

Na véspera, seu contraparte francês, Jean-Yves Le Drian, também tinha destacado que "o Irã deve aceitar a retomada das negociações o quanto antes".

- Identidade ocidental? -

As negociações buscam definir as sanções que Washington deve suspender e fazer com que o Irã interrompa seus avanços na questão nuclear. Porém, estão paradas desde a eleição do novo presidente ultraconservador iraniano, cujas intenções estão sob escrutínio.

Os americanos alertaram que em breve será tarde demais para salvar o acordo de 2015.

O novo ministro das Relações Exteriores iraniano, Hossein Amir-Abdollahian, se reuniu com seu homólogo alemão e deve se encontrar com a ministra das Relações Exteriores britânica, Liz Truss, na quarta-feira. Também poderá ser realizada uma reunião com o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Além do retorno à mesa de negociações, o controle do programa nuclear iraniano é objeto de intensa tensão com Teerã.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) finalmente chegou a um acordo com o Irã em 12 de setembro sobre a supervisão de seu programa, o que levou a crer na retomada das discussões de Viena.

Em seu discurso na ONU, logo após Biden, Ebrahim Raissi atacou os Estados Unidos.

"Este ano, dois fatos marcaram a História. Em 6 de janeiro, quando o Congresso americano foi atacado pelo povo e em agosto, quando o povo do Afeganistão derrubou aviões americanos. Do Capitólio a Cabul, enviou-se ao mundo uma mensagem clara: o sistema hegemônico dos Estados Unidos não tem nenhuma credibilidade nem no interior, nem no exterior do país", assegurou.

"Não só o sistema hegemônico, mas todo o projeto que tenta impor a identidade ocidental fracassou miseravelmente", afirmou.

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