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OCDE prevê recessão mundial de pelo menos 6% em 2020

Trabalhador em zona de oração do reaberto Templo Lama de Pequim em 10 de junho de 2020

A OCDE prevê uma recessão mundial de 6% para 2020 caso a pandemia de COVID-19 permaneça sob controle e 7,6% em caso de segunda onda, de acordo com as perspectivas econômicas publicadas nesta quarta-feira (10).

Para 2021, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) antecipa uma forte recuperação no primeiro caso, com um crescimento de 5,2%, que se verá limitado a 2,8% no caso de uma segunda onda da pandemia.

"A escolha entre saúde e economia é um falso dilema. Se a pandemia não for controlada, não haverá recuperação econômica robusta", advertiu por videoconferência o secretário-geral da OCDE, o mexicano Ángel Gurría, em referência ao impacto da pandemia que obrigou metade da humanidade a adotar o confinamento.

No início de março, quando o coronavírus já havia atingido a China, mas ainda não afetava outras grandes economias do planeta, a OCDE apostava em um crescimento mundial de 2,4% para este ano.

Se acontecer ou não uma segunda onda do novo coronavírus, "ao final de 2021 a perda de receita vai superar a de todas as recessões anteriores dos últimos 100 anos, exceto em período da guerra, com consequências terríveis e duradouras para as populações, empresas e governos", afirma a economista-chefe da OCDE, Laurence Boone.

A zona do euro será particularmente afetada com um retrocesso previsto do Produto Interno Bruto (PIB) de 9,1% no cenário mais favorável, e de 11,5% na hipótese de segunda onda em 2020.

Na América Latina, o Brasil deve registrar uma queda do PIB de 7,4% ou 9,1%, respectivamente, de acordo com o cenário.

A Argentina terá retrocesso de 8,3% ou 10,1%. A economia do México deve recuar 7,5% ou 8,6%.

"Esta é uma maratona, ainda há uma corrida pela frente e ainda há espaço para agir" na região, disse Alberto González Pandiella, economista da OCDE, em videoconferência.

O impacto será um pouco mais suave no Brasil: -7,4% ou -9,1%.

"O importante é que seja alcançado um consenso de que a resposta política a essa pandemia é uma medida temporária", disse Jens Arnold, economista da OCDE para Argentina e Brasil, respondendo se a instabilidade política no Brasil poderia afetar a recuperação.

Para os Estados Unidos, a OCDE prevê queda do PIB de 7,3% ou 8,5%, respectivamente, segundo os cenários.

A China, que no ano passado cresceu 6,1%, sofrerá em 2020 uma contração de 2,6% em sua economia, que pode ser de 3,7% caso o vírus retorne com força.

- Da integração à fragmentação -

Gurría afirmou que a atual crise pode ser a oportunidade para uma transição rumo a um "crescimento mais sólido e mais duradouro".

"O objetivo não é retornar à normalidade, porque a normalidade nos levou onde estamos atualmente", completou.

A economista-chefe da OCDE destacou que "em todas as regiões, o confinamento reforçou as desigualdades entre os trabalhadores, já que os mais qualificados tiveram condições de recorrer ao teletrabalho e os mais jovens e menos qualificados estão com frequência na linha de frente na luta contra a pandemia".

A pandemia do novo coronavírus "acelerou a mudança da 'grande integração' a uma 'grande fragmentação'" da economia mundial com o surgimento de "restrições adicionais ao comércio e aos investimentos", afirma Boone.

Para que as economias possam conseguir uma recuperação, a OCDE propõe "fortalecer os sistemas de saúde e facilitar as evoluções dos trabalhos, reforçando ao mesmo tempo a proteção da renda, assim como tornar mais resistentes as redes de abastecimento".

"Os governos têm que aproveitar esta oportunidade para conceber uma economia mais justa e duradoura, tornar mais inteligentes a concorrência e as regulamentações, modernizar a tributação, os gastos e a proteção social", continua Boone.

A economista da OCDE aponta em particular o papel essencial da confiança, sem a qual nem o consumo nem o investimento devem se recuperar.