Mercado fechado

Observações de Plutão em sua rara oposição podem indicar uma superfície ativa

·3 minuto de leitura

Quando um planeta se encontra em oposição, significa que está alinhando com o Sol e a Terra de modo que sua face totalmente iluminada pode ser observada a partir da perspectiva terrestre. Em julho de 2018, Plutão proporcionou um breve momento deste alinhamento que ocorre uma vez a cada 161 anos, dando aos cientistas uma rara oportunidade de preencher as lacunas sobre o planeta anão a partir da luz refletida por este mundo.

Na ocasião, a cientista planetária Bonnie Buratti já se preparava há dez anos por esse momento único. "Pegamos essa oportunidade única na vida — bem, é uma vez na vida, uma vez em dois séculos — de ver Plutão totalmente iluminado", disse Buratti, que faz parte do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA. Ela explica que o evento permitiu aos cientistas observarem o que eles chamam de “onda de oposição”, quando um corpo celeste em oposição brilha mais do que o esperado. O fenômeno, segundo ela, também poderia indicar uma superfície ativa no planeta, como a brisa formada pelo derretimento do gelo de metano e nitrogênio presentes nele.

A vasta planície de Plutão, chamada Sputnik Planitia, coberta por gelo de nitrogênio foi registrada em 2015 pela sonda New Horizons (Imagem: Reprodução/NASA)
A vasta planície de Plutão, chamada Sputnik Planitia, coberta por gelo de nitrogênio foi registrada em 2015 pela sonda New Horizons (Imagem: Reprodução/NASA)

A onda de oposição é influenciada pela densidade do material presente na superfície daquele mundo. "Observando o quanto um objeto brilha quando fica cheio, você pode dizer algo sobre a textura da superfície e como a superfície é. É fofa? É como a neve? É compacta?", aponta Buratti. Na Lua, por exemplo, o fenômeno é causado pela poeira de regolito — rocha lunar — solta em sua superfície.

Em 2018, a cientista planetária e sua equipe utilizaram o telescópio Hale, com 5,1 m de diâmetro, localizado no monte Palomar, na Califórnia. O equipamento possui um sistema óptico que permite distinguir Plutão de Caronte, sua maior lua. Em 18 de julho daquele mesmo ano, eles conseguiram capturar a face iluminada do planeta anão. Posteriormente, outros registros foram feitos no mesmo mês e em julho de 2019. No entanto, por conta da pandemia de COVID-19, o observatório precisou encerrar suas atividades.

A tênue camada atmosférica de Plutão formada pela vaporização do gelo presente em sua superfície (Imagem: Reprodução/NASA/JHUAPL/SwRI)
A tênue camada atmosférica de Plutão formada pela vaporização do gelo presente em sua superfície (Imagem: Reprodução/NASA/JHUAPL/SwRI)

A boa notícia é que, a partir de 19 de junho deste ano, as observações com o telescópio Hale retornarão. Burrati espera que as novas medições feitas ao longo deste mês, somadas a algumas previstas para outubro, esclareçam o que provoca exatamente a onda de oposição em Plutão e até mesmo revelem detalhes do que pode estar acontecendo na superfície do pequeno mundo.

Vale destacar que a sonda New Horizon sobrevoou Plutão em 2015 e registrou sua complexidade geológica, além de sua lua Caronte. Apesar disso, não foi o suficiente para responder a todas as dúvidas que giram em torno desse pequeno planeta distante. "Você combina isso com essas observações baseadas no solo e tem tudo, tem o pacote completo", acrescenta Buratti. Essa também foi a primeira vez que os dois corpos foram observados separadamente a partir da Terra.

O estudo foi publicado no último dia 8 de junho no periódico científico Geophysical Research Letters.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos