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Obras no Museu do Ipiranga incluem restauro de 220 portas

·5 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com reabertura prevista para setembro de 2022, quando serão celebrados os 200 anos da Independência do Brasil, o Museu do Ipiranga tem atualmente cerca de 450 profissionais, de variadas especialidades, trabalhando nas obras de ampliação, reforma e restauro do edifício-monumento.

O restauro artístico ocorre de forma simultânea ao arquitetônico e à construção de um edifício moderno, que integra pelo subterrâneo o Parque da Independência e o edifício histórico (lar de um acervo de mais 450 mil unidades, como quadros, documentos e objetos históricos).

Além da recuperação de toda a sua fachada e de telas como a "Independência ou Morte", de Pedro Américo, os pisos e as portas estão sendo completamente restaurados pela primeira vez na história do museu. Em 1997, durante uma intervenção bem mais modesta que a atual, foram feitos reparos pequenos, como a passagem de sinteco no piso do Salão Nobre.

O restauro das portas é um processo delicado composto por seis etapas, que se estendem por cerca de três dias. Esse trabalho começou em meados de 2020, e a conclusão está prevista para a próxima semana.

Cada porta do museu pesa 75 kg e tem 4 metros de altura por 3 metros de comprimento -em comparação, uma porta comum tem, em média, 82 cm de largura e 2,10 m de altura. As portas são feitas de pinho de riga, madeira que foi importada da Europa. O material foi escolhido por ser uma conífera leve e torneável, permitindo que mais detalhes sejam talhados.

Ao todo, são 220 portas e 1.900 metros quadrados de assoalho (equivalente a 12 quadras de vôlei) restaurados por uma equipe de engenheiros, arquitetos, restauradores, marceneiros, carpinteiros e outros profissionais. Além destes, as batentes de 230 janelas e seus vidros estão inclusos na reforma.

Por falta de verba, o museu foi inaugurado em 1895 ainda inacabado -eram justamente as portas que faltavam, segundo a historiadora Solange Ferraz de Lima, professora da USP, instituição à qual o museu é vinculado desde 1963.

Ela conta que a história das portas é parcialmente desconhecida, pois não há documentação a respeito. Uma hipótese é que o trabalho de carpintaria tenha sido feito pelo Liceu de Artes e Ofícios que, fundado em 1873, foi responsável pela produção do mobiliário da biblioteca e da escada caracol do museu.

Por serem muitas portas, espalhadas por todo o edifício, a primeira etapa do restauro é a de identificação. Cada uma delas ganha uma placa de metal, que informa sua localização original no museu e assegura que voltará para lá após a restauração.

Depois da identificação, vem a desmontagem, em que dobradiças, madeira e vidros são separados e preparados para o restauro próprio. Foram criados em meio às obras espaços específicos de marcenaria, onde 45 profissionais como Francisco Marinho dos Reis, 37, trabalham nas etapas seguintes de restauração.

Marinho é responsável pelos processos de decapar (remoção da tinta), identificar e reparar danos que precisem de preenchimentos ou enxertos (feitos com madeiras similares, reaproveitadas da própria obra do museu).

Para o marceneiro a principal particularidade do trabalho com pinho de riga, madeira em processo de extinção, são seus veios (o desenho formado pelos anéis de crescimento da madeira) diferenciados. "Como é uma madeira com aspecto de dureza diferente, é preciso muita habilidade para o trabalho de execução das próteses", diz.

Para ele, é também necessária muita habilidade para harmonizar os veios do enxerto com os veios da folha de esquadria, ou seja, reparar os danos e desgastes de forma que sejam imperceptíveis.

Feitos os enxertos necessários, quando as lacunas causadas pelo desgaste são preenchidas, a porta passa por polimento, pintura e lixamento -são as etapas finais. E só então voltam para suas posições iniciais no museu.

Para o assoalho, o restauro segue o passo a passo das portas. Mas se diferencia pela necessidade de fazer o cálculo milimétrico no momento de devolver cada taco para seu local de origem -se acontece um erro neste cálculo, o piso de todo o ambiente deverá ser retirado e instalado novamente.

O museu foi o primeiro edifício em São Paulo com uma arquitetura palaciana desse porte, com os quatro lados "livres" (ou seja, sem edifícios vizinhos e "grudados", como é comum entre os palacetes construídos no centro da cidade). O projeto do italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, contudo, não foi pensado para que o palácio funcionasse como museu, mas como monumento que marcaria o local de "surgimento da nação".

Sua arquitetura, no entanto, serviu de modelo para a ornamentação de São Paulo e teve grande impacto na cidade, em especial "pela gama enorme de materiais combinados", diz Lima, que vão de tijolos e madeiras a mármores, cerâmicas e ladrilhos, com origens diversas.

O cimento não foi utilizado na construção do edifício histórico do Museu Paulista, sua estrutura é composta por madeira, areia e cal, o que está sendo respeitado na reforma.

"Hoje se faria uma laje de concreto no Salão Nobre", explica Frederico Martineli, engenheiro responsável pelas obras do jardim francês, do edifício moderno e o restauro do edifício histórico. "Mas o cimento só passou a ser produzido no Brasil na década de 1930, por isso aqui é só madeira".

O custo total da obra do museu é de R$ 210 milhões, valor similar ao da época de sua construção, segundo os cálculos de Lima. No site da instituição há um contador que permite visualizar quantos dias e horas faltam para que o espaço seja reaberto ao público.

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