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Objetos sagrados da Umbanda transferidos para Museu da República ganham exposição virtual

·4 min de leitura

O material apreendido nas batidas policiais era considerado “evidência criminal” e seus proprietários, em geral, levados à cadeia. Registros dessa época, 519 objetos confiscados de terreiros de religiões de matriz africana entre 1890 e 1941 venceram um longo caminho até chegarem ao Museu da República, em 2020. Passados alguns meses, o diretor da instituição, Mário Chagas, fez uma pergunta para a ialorixá Mãe Meninazinha de Oxum, do Ilê Axé Omolu e Oxum: “Com todo o respeito, a senhora consultou os orixás para trazer as peças para cá?”. Diante da resposta afirmativa da sacerdotisa, Mário respirou aliviado:

— Fiquei mais à vontade. Esse acervo veio de uma vontade que nasceu fora do museu, mas, ao entrar aqui, nós o reconhecemos. Isso é reparação. Algumas pessoas ainda questionam. Por que o Museu da República? Eu respondo: “Pergunte aos orixás”.

Para marcar um ano da transferência das peças sagradas do antigo Museu da Polícia Civil para o Palácio do Catete, foi inaugurada a exposição virtual “Nosso Sagrado: a construção de uma herança fraterna”, com apenas 10 itens do acervo. O número reduzido se justifica porque ainda há muito o que pesquisar na coleção, após décadas de preconceito e esquecimento. O processo de reabilitação passa pelo reconhecimento do valor religioso das peças.

— Não se faz um trabalho desse sem consultar os orixás. Tinha que ter a permissão deles, eles deram, e assim foi feito. E eu fiquei muito feliz de ter realizado esse trabalho. Agora, eles têm que ficar expostos para as pessoas conhecerem essa história — afirma Mãe Meninazinha, principal liderança e pioneira do movimento “Liberte Nosso Sagrado”, que culminou com a mudança das obras para o Museu da República.

“Nosso Sagrado” é uma das quatro exposições virtuais disponíveis na página do museu, lançada na plataforma Google Arts & Culture. Os itens foram fotografados por Oscar Liberal, com textos elaborados pelos historiadores Maria Helena Versiani e Eduardo Possidônio. Além de técnicos, a exposição contou com a consultoria de lideranças religiosas que atuaram na identificação dos objetos.

— A gestão compartilhada é o princípio de respeito a esse acervo. É o reconhecimento da importância de saberes diferenciados. Estamos no museu com a responsabilidade de guardar, preservar, expor, mas reconhecemos que esses objetos pertencem ao povo de santo. A gestão é algo tão sério que foi ela, Mãe Meninazinha, quem deu nome à exposição — ressalta o diretor Mário Chagas.

Até a ordem de abertura das caixas passa pela orientação das lideranças religiosas.

— A primeira peça a ser aberta tem que ser Exu, atabaques não podem ficar deitados. As imagens de Exu não podem ficar acima da cabeça. Tem toda uma explicação sagrada, e nós aceitamos porque estamos lidando com autoridades — acrescenta Chagas.

Mãe Meninazinha explica a importância da participação de lideranças religiosas na consultoria:

— Não é só acervo. É sagrado e tem que ser tratado como tal. De tudo, Exu é o primeiro. Ali tem a força dos orixás, e a força principal de Exu. Ele esperou anos por essa liberação, trabalhou muito.

Seguindo as orientações, a escultura de Exu Ijelú (cuja cabeça é feita de argila e os olhos, de resina e vidro) abre a exposição virtual. Em seguida, outros nove itens são apresentados na companhia de uma breve explicação. As dez peças selecionadas são aquelas sobre as quais os estudos mais avançaram até o momento.

— Para o ano que vem, estamos preparando uma mostra maior, física, com mais peças. Não trará todo o acervo, mas será uma exposição densa, forte, ocupando três ou quatro salas do Palácio do Catete. Para isso, estamos buscando recursos — acrescenta a ialorixá.

Outro projeto é o lançamento de um catálogo de arte da coleção que será distribuído pelos terreiros de matriz africana no estado, desde que reconhecidos e registrados. Um material pedagógico de combate ao racismo religioso também está entre as ações futuras, assim como a publicação de livros didáticos para vários níveis escolares e a organização de exposições de curta, média e longa duração.

— As crianças têm que conhecer essa parte da história do Brasil. Teve essa parte negativa, mas agora deixou de ser negativa. A escola tem que saber. Tenho certeza de que muitos professores não sabem — afirma Mãe Meninazinha.

Tombado pelo patrimônio histórico desde 1938, quando foi batizado como “Coleção Museu da Magia Negra”, o conjunto sobreviveu a um incêndio, em 1989, no Museu da Polícia Civil, e finalmente vem recebendo o tratamento devido. Com a bênção dos orixás.

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