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Seu chefe é "tóxico" ou apenas inseguro?

·4 min de leitura
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Todo mundo questiona a própria confiança de vez em quando, mas um chefe muito inseguro pode ter um impacto extremamente prejudicial sobre o bem-estar dos funcionários

Por Lydia Smith

As crianças costumam ouvir que os colegas que fazem bullying na escola na verdade são inseguros. Mesmo sem ser reconfortante nem tornar as agressões menos dolorosas, essa justificativa é bastante verdadeira e, infelizmente, também vale para os adultos.

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Os chefes podem ter vários tipos de posturas terríveis, por exemplo, podem ser conflituosos, preguiçosos ou passivo-agressivos, dificultando a vida de todas as pessoas que trabalham com ou para eles. Esse comportamento acontece por muitos motivos, e um deles é a sensação de insegurança em relação às próprias habilidades ou experiência.

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Um dos principais problemas de um líder inseguro é a imprevisibilidade. Em um dia bom, ele pode muito bem ser simpático, oferecer apoio e transmitir uma falsa sensação de segurança. Em um dia ruim, é brigão, defensivo e um verdadeiro pesadelo no trabalho.

Então, como saber se os problemas do chefe são causados por inseguranças? É possível fazer algo a respeito?

“Os primeiros sinais de que isso está acontecendo são quando o chefe não quer dar feedback nem explicar as decisões tomadas, quer controlar os funcionários até nos mínimos detalhes e prefere manter o status quo em vez de buscar o desenvolvimento do indivíduo, departamento ou organização”, diz Emma-Louise Rowe, psicóloga consultora do Work Psychology Group.

“De forma mais ampla, um líder inseguro não promove uma atmosfera de respeito na equipe. O respeito pelas diferenças, os pontos fortes e os valores das outras pessoas é o segredo para a coesão entre os membros da equipe, independentemente da função ou do nível. No entanto, um gerente inseguro não tem confiança para valorizar a diversidade de ideias e experiências, pois sente que isso diminui a autoridade dele”, explica ela.

Todo mundo questiona a própria confiança de vez em quando, mas um chefe muito inseguro pode ter um impacto extremamente prejudicial sobre o bem-estar dos funcionários. Por um lado, essa falta de confiança pode se manifestar em comportamentos agressivos ou mesquinhos, especialmente caso esse chefe se sinta desafiado.

“Dependendo da gravidade do comportamento do gerente, pode haver um impacto coletivo sobre a saúde mental no local de trabalho. A insegurança pode se manifestar em brigas, politicagem e falta de progresso organizacional”, diz Rowe.

Além disso, para um líder inseguro, é mais difícil dar crédito aos membros da equipe pelo trabalho, as ideias e a contribuição, principalmente quando se sente ameaçado. Essa falta de reconhecimento pode ter um impacto terrível sobre o moral, a satisfação no trabalho e até mesmo a carreira do funcionário, ainda mais se ele tiver dificuldade para lidar com o comportamento do gerente.

As ações de um chefe inseguro podem afetar toda a cultura da empresa, não apenas os funcionários, e isso pode ser arriscado para os negócios.

“Esse tipo de chefe também é menos propenso a incentivar a inovação. Estar aberto a mudanças e apoiar novas ideias significa correr riscos. Às vezes, vale a pena e às vezes não. No entanto, um gerente inseguro pode ter dificuldade em permitir que a equipe cometa erros sem ser penalizada”, continua Rowe.

Infelizmente, pedir demissão por causa de um mau chefe nem sempre é uma opção, por mais tentador que pareça. Então, o que é possível fazer?

“A primeira coisa é ter em mente que a insegurança do gerente não tem nada a ver com os funcionários, provavelmente não há nada de errado com o trabalho da equipe. Outra opção é buscar outras formas de apoio, como colegas de trabalho ou funcionários mais experientes que possam ter um impacto positivo no ambiente de trabalho”, explica Rowe.

Pode ser tentador desabafar sobre o chefe com um colega de trabalho, mas isso pode acabar tendo consequências negativas. Então, conversar com a família e os amigos sobre os problemas no trabalho é uma ideia melhor para deixar as frustrações no escritório.

De acordo com Rowe, interagir mais com o gerente também pode ajudar, desde que o funcionário se sinta à vontade: “dessa forma, o funcionário pode ter certeza sobre as expectativas do gerente e pode ser transparente sobre o que está fazendo e como”, ela acrescenta.

Outra ideia é ter uma conversa mais formal com o gerente para abordar os problemas diretamente. No entanto, é essencial planejar os temas que devem ser abordados e levar exemplos relevantes para manter a conversa específica. Também é bom ter em mente que desafiar o gerente pode aumentar ainda mais as inseguranças dele.

“Embora uma conversa direta e diálogos frequentes com o gerente possam ser úteis, essas interações podem não ser necessariamente confortáveis ou bem recebidas. Portanto, o funcionário precisa refletir se tem abertura e se sente à vontade para isso”, conclui Rowe.

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