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O salário não dá para o mês? Veja como economizar sem cortar o que você gosta

Educadora financeira dá exemplos práticos de como organizar vida financeira e economizar em tempos de crise
Educadora financeira dá exemplos práticos de como organizar vida financeira e economizar em tempos de crise

(Getty Images)

  • Inflação alta gera situação de instabilidade para brasileiros e é preciso economizar

  • Para fazer o salário render, vale apostar em pequenas substituições e mais organização;

  • Repartir o salário em porcentagens também ajuda, segundo educadora financeira.

Cercado por faturas e papéis espalhados pela mesa, João olha para todas as contas a pagar, pensa nos produtos que precisa comprar e a conta não fecha. Com os preços de alimentos, remédios, gasolina e tantos outros itens nas alturas, fica quase impossível fugir do aperto no fim do mês. João, na verdade, não existe como pessoa física, mas é uma representação do que boa parte dos brasileiros tem sofrido em meio à inflação que acomete vários setores da economia.

Em maio deste ano, cerca de 28,6% das famílias brasileiras possuíam alguma conta ou dívida atrasada, número mais alto desde janeiro de 2010. Parte dessas pessoas só conseguiria pagar tudo se usasse mais da metade de sua renda mensal. Com o dinheiro rendendo pouco, o que resta é arregaçar as mangas, olhar para as finanças e tentar se organizar. “Quando o salário não dá mais, a gente acha que precisa se privar, mas não precisa. Tem regrinhas que ajudam”, aponta Bruna Allemann, educadora financeira da Acordo Certo, empresa de negociação de dívidas.

O primeiro passo, segundo ela, é fazer uma divisão do salário. Supondo que João receba no quinto dia útil do mês. Suas prioridades são pagar contas e dívidas e suprir as necessidades básicas de sua família para os cinco pilares: alimentação, saúde, moradia, transporte e educação. Para isso, é necessário usar:

  • 70% do salário para os 5 pilares (pagamentos e compras);

  • 10% do salário para poupar, investir ou guardar para uma crise emergencial financeira;

  • 20% do salário para pagar o cartão de crédito e outros luxos e gastos no mês.

Por falar em cartão de crédito, a educadora financeira chama a atenção para os cuidados redobrados com aquele que é o maior vilão do endividamento, já que os juros altíssimos – cuja média, em 2021, ficou em 350% ao ano – podem acabar com qualquer vida financeira. Por isso, em tempos de crise, a dica é evitar usar.

“A maioria dos brasileiros enxerga o cartão de crédito como extensão do salário. Você ganha R$ 2 mil e tem R$ 3 mil de limite, você acha que pode gastar R$ 5 mil no mês. Mas se sua fatura é muito alta, como você vai pagar as necessidades básicas do mês?”, questiona.

Outro ponto importante é parcelar somente itens necessários e pontuais que não fazem parte do orçamento, como uma geladeira, por exemplo. Compras de supermercado? Melhor não. “Você vai lá e parcela. No mês seguinte, você vai pagar a comida deste mês e a do mês passado. No outro mês, você vai pagar deste mês e dos outros dois”, aponta. “A comida que você já consumiu ainda está sendo paga”.

Apesar de na teoria tudo parecer simples, há formas de conseguir reduzir os gastos mensais. Sabe aquela história de ‘quem não tem cão, caça com gato’? Pois em momentos difíceis, a melhor saída é apostar em trocas e substituições. Veja abaixo dicas e exemplos práticos.

Economia no supermercado

  • Procure saber se a fabricante da marca de suco que você compra não é a mesma de alguma marca de supermercado, geralmente mais em conta. O mesmo vale para bolachas;

  • Analise se é possível consumir menos alimentos industrializados e substitui-los por frutas, verduras e legumes, que costumam ter impacto menor no orçamento;

  • Pense primeiro no substancial para então investir em pequenas compras, como refrigerantes, por exemplo;

  • Como a carne vermelha está mais cara, tente substitui-la pela carne de porco ou frango em algumas semanas;

  • Faça compras semanais em vez de mensais para ter mais oportunidades de descontos. “Se sua compra é mensal, você tem o desconto daquele dia. Mas se é semanal, você consegue economizar sem mudar muito o que você leva para sua mesa e ainda não gera desperdício”, diz Bruna.

Economia em produtos de limpeza

No primeiro quadrimestre de 2022, produtos de limpeza também pesaram nos bolsos dos consumidores, especialmente sabão em pó (+8,09%), detergente líquido para roupas (+4,21%), desinfetante (+3,19%) e água sanitária (+2,66%). Para economizar, vale:

  • Fazer compras em atacados, em vez de supermercados comuns;

  • Optar por produtos com marca de supermercados;

  • Durante o uso, diluir os produtos para render mais e usar com sabedoria, sem excessos.

Economia em medicamentos

  • Opte pelos genéricos, mais baratos que os de marca;

  • Prefira farmácias que tenham parceria com seu plano de saúde ou local de trabalho;

  • Pesquise preços: de farmácia para farmácia, os valores podem variar mais de 30%;

  • Veja se vale mais a pena os conjuntos como ‘leve 3 e pague 2’;

  • Analise se compensa comprar remédio para dois ou três meses de uma só vez, especialmente se for de uso contínuo.

Fique atento: “Cuidado com muitos gastos com deslocamento, não adianta morar na Zona Norte e ir a uma farmácia do outro lado da cidade”, alerta Bruna.

Economia em contas básicas e outros

  • Conta de luz muito cara? Tomar banho durante o dia para gastar menos pode ser uma saída;

  • Se possível, junte mais louça e roupa para lavar tudo junto e economizar água;

  • Tente esperar dias mais quentes para secar a roupa no varal, em vez de colocá-la na secadora;

  • Combine com pessoas do trabalho que moram perto da sua casa de fazer esquemas de carona. Isso pode ser feito para levar os filhos à escola;

  • Considere ir de transporte público para o trabalho pelo menos alguns dias na semana;

  • Em vez de as crianças comprarem lanche na escola, peça para que levem de casa. Também vale para o almoço (inclusive, levar marmita para o trabalho é uma opção). Evite cortar gastos com educação;

  • Cuidado com compras desnecessárias e a longo prazo, como uma televisão nova – caso não haja real necessidade. Assinaturas de streamings também podem consumir boa parte do orçamento. Observe conta por conta para entender o que é possível cortar. “Nem tudo você precisa tirar, o importante é comprar melhor e ter em mente que é hora de economizar”, conclui Bruna.

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