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O reinado dos oligarcas ucranianos chegou ao fim?

Rinat Akhmetov carregado no alto por jogadores no campo
Rinat Akhmetov, dono do clube de futebol Shakhtar Donetsk e de outros negócios, é considerado o homem mais rico da Ucrânia

Por décadas, os super-ricos empresários da Ucrânia exerceram enorme poder econômico e político em seu país. No entanto, desde a invasão russa, alguns dos seus maiores e mais controversos oligarcas perderam bilhões em patrimônio.

Em 2017, o centro de pesquisas Chatham House, com sede em Londres, havia afirmado que os oligarcas representavam "o maior perigo para a Ucrânia". Isso porque, por meio de uma vasta rede de aliados e parlamentares leais, esses bilionários influenciavam frequentemente a criação ou o bloqueio de leis em prol de seus próprios impérios comerciais.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já afirmou que os oligarcas formam "um grupo de pessoas que pensam que são mais importantes do que legisladores, funcionários públicos ou juízes".

Mas, como aconteceu com tantos cidadãos, desde o início da invasão russa no leste da Ucrânia, em 2014, suas vidas foram afetadas. Alguns oligarcas tiveram seus negócios destruídos por mísseis, e suas propriedades perdidas para a ocupação russa.

Será que as mudanças na história recente da Ucrânia mostram que o reinado dos oligarcas finalmente chegou ao fim?

Conflitos (e negócios afetados) no leste

O homem mais rico da Ucrânia, Rinat Akhmetov, de 56 anos, é para muitos o símbolo do que é um oligarca. Filho de um mineiro de carvão, ele se tornou bilionário e ficou conhecido como o "rei de Donbas" — região no leste do país.

Gráfico de barras mostra diminuição do patrimônio líquido de fevereiro de 2022 a dezembro de 2022 de cinco oligargas russos
Gráfico de barras mostra diminuição do patrimônio líquido de fevereiro de 2022 a dezembro de 2022 de cinco oligargas russos

Além de possuir grandes áreas de produção siderúrgica e de carvão na região — incluindo a siderúrgica Azovstal, hoje em ruínas —, ele também é dono do clube de futebol Shakhtar Donetsk, um dos melhores times do país e, até recentemente, de um dos principais canais de TV de lá.

Muitos defendem que, como homem mais rico da Ucrânia, Akhmetov deveria ter feito mais desde o início do conflito para acabar com o separatismo alimentado pela Rússia em sua região natal.

À medida que a influência da Rússia se espalhava por Donbas, o bilionário ordenou que suas fábricas tocassem sirenes em protesto. Ele também fez declarações críticas aos separatistas.

Mas no que se refere ao financiamento e apoio à resistência, ele foi criticado por agir muito pouco. Especialmente quando comparado a outro magnata ucraniano, o bilionário Ihor Kolomoisky.

Em março de 2014, Kolomoisky foi nomeado governador da região de Dnipropetrovsk, no sudeste da Ucrânia.

À medida que o conflito se agravava, Kolomoisky injetou milhões nos batalhões de voluntários ucranianos. Ele também ofereceu recompensas pela captura de combatentes apoiados pela Rússia e forneceu combustível ao exército ucraniano.

Mas, em 2019, ele bateu de frente com o antecessor do presidente Zelensky, Petro Poroshenko.

O parlamento havia aprovado uma lei que resultou na perda do controle de Kolomoisky sobre uma empresa petrolífera. Sua reação? Aparecer na sede da petroleira com homens supostamente armados com metralhadoras, de acordo com alguns relatos.

Mas à medida que a guerra avançava no leste, e com a perda de ainda mais fábricas, minas e terras férteis, o poder dos oligarcas ucranianos ficava cada vez mais cerceado.

Os super-ricos na mira de Zelensky

O obstáculo seguinte para os oligarcas veio no final de 2021, quando a Ucrânia aprovou o que ficou conhecido como "lei de desoligarquização".

A nova lei assinada pelo presidente Zelensky definia um oligarca como alguém que cumprisse três das quatro condições a seguir: exercer influência sobre a mídia; sobre a política; possuir um monopólio; e ganhar milhões de dólares por ano.

Todos que foram classificados assim passaram a ser submetidos a novos procedimentos burocráticos e ficaram proibidos de financiar partidos políticos.

Soldado de costas olha para escombros de prédios
Um soldado russo faz patrulha perto do complexo Azovstal, pertencente a Akhmetov, em Mariupol

Para evitar ser colocado na lista de Zelensky, Rinat Akhmetov vendeu imediatamente todos os seus ativos de mídia.

Veio então a dramática escalada do conflito na Rússia: a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Uma Ucrânia mais democrática?

A guerra apenas intensificou a perda de patrimônio dos super-ricos ucranianos.

Mas será que seu enfraquecimento vai fortalecer a democracia do país?

"Sem dúvida", diz Sevgil Musayeva, editora-chefe do popular site de notícias Ukrainska Pravda.

"Essa guerra é o começo do fim dos oligarcas na Ucrânia"

Um dos jornalistas investigativos mais proeminentes da Ucrânia no passado e hoje conselheiro do gabinete de Zelensky, Serhiy Leshchenko concorda com a avaliação.

"A lei de desoligarquização foi um dos primeiros grandes golpes para a morte deles", afirma Leshchenko.

"Conforme a guerra se intensificou, a vida dos oligarcas ficou ainda mais difícil. Eles foram forçados a se concentrar na sobrevivência, e não na política interna."

Mas, segundo Musayeva, cabe à sociedade civil ucraniana e às instituições anticorrupção impedirem o surgimento de novos oligarcas. E, claro, a própria sobrevivência da democracia na Ucrânia depende do resultado da guerra com a Rússia.

*Com produção de Claire Jude Press