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O que a Square Enix está fazendo?

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Feche esse texto se você busca por respostas. É difícil encontrar algum traço lógico no conjunto de ações que parte considerável da Square Enix tomou nos últimos anos. Uma das maiores publicadoras de jogos do mundo, a japonesa de Final Fantasy engatou uma sequência de atitudes duvidosas, que colocaram em dúvida se o Pateta de Kingdom Hearts não assumiu as rédeas.

O passo de caráter duvidoso mais recente da Square foi o anúncio de venda dos estúdios ocidentais de Tomb Raider, Deus Ex, Legacy of Kain e de outras franquias que permaneceram adormecidas.

Square Enix vendeu Lara Croft e personagens de 50 franquias por U$ 300 milhões (Foto: Divulgação/Square Enix)
Square Enix vendeu Lara Croft e personagens de 50 franquias por U$ 300 milhões (Foto: Divulgação/Square Enix)

Chama atenção o valor do acordo. A Square Enix vendeu estúdios como Crystal Dynamics e Eidos-Montréal por U$ 300 milhões, aproximadamente R$ 1,5 bilhão em conversão direta. Sabemos que a empresa japonesa nunca ligou muito para os estúdios ocidentais, inclusive cobrando metas surreais e alegando prejuízo causado pelos times. A Square chegou a alugar a força de trabalho da Crystal Dynamics para a produção do novo Perfect Dark da Microsoft, no lugar de alocar os talentos para um projeto inédito.

O preço da venda dos estúdios colocado pela Square Enix espanta em épocas de vendas milionárias na indústria — claro, alguns estúdios e franquias valem mais do que outras. Principalmente quando pensamos que a publicadora repassou não somente força de trabalho especializada e estrutura física, como também mais de 50 propriedades intelectuais a um valor que chega a ser 230 vezes menor do que a Microsoft pagou pela Activision Blizzard.

Escritório da Square Enix em Los Angeles (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons/Tarcil Tarcil)
Escritório da Square Enix em Los Angeles (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons/Tarcil Tarcil)

Fica claro que a Square Enix queria se livrar do que considerava um fardo no ocidente. A empresa já havia liberado a franquia Hitman, e seus mais de 70 milhões de jogadores, para a desenvolvedora IO Interactive, sem cobrar nada. Agora, a ideia foi desfazer-se de Tomb Raider para apostar em um negócio mais promissor. Correto? Não exatamente.

Jogos NFT em queda

A Square Enix pretende utilizar parte dos U$ 300 milhões angariados na venda para investir em jogos com blockchain e NFT (token não fungível). Plano de ação já adotado por empresas como a Ubisoft, que fugiram da proposta após avaliar os resultados tal qual um Chocobo em Final Fantasy XV. E a francesa de Assassin's Creed não foi a única.

SEGA, EA e Team17 são exemplos de companhias que desistiram de investir em jogos com NFT neste momento. Após crescimentos explosivos em 2021, esse tipo de game está em queda. Um levantamento realizado pelo Yubb mostrou que, de todos os tokens de jogos que apresentaram valorização em 2021, apenas dois não estão caindo neste ano.

O trato amarrado pela Square Enix me faz lembrar daquelas brincadeiras televisivas em que o competidor coloca um fone de ouvido e troca o domínio de uma propriedade intelectual como Tomb Raider, por um saco de batatas ou um rádio sem pilha.

Quais são as prioridades da Square Enix?

Analisando rapidamente as últimas publicações e declarações do comando da Square Enix, uma imagem surge fácil. Parece que a empresa perdeu de vista o que realmente importa, o jogador, para focar na otimização da geração de receitas.

Não engane-se achando que em algum momento você, jogador, será mais importante do que os lucros de uma empresa de videogames. No entanto, tratar o consumidor como uma linha no balancete, é caminho rápido para encontrar uma linha vermelha nos relatórios.

A cada novo passo, a Square Enix parece mais motivada a fazer mais dinheiro, com menos esforço. As remasterizações de Chrono Cross e Final Fantasy Pixel Remaster, por exemplo, são desleixadas e eu gostaria de estar exagerando. Enquanto a nova versão do RPG clássico conseguiu a proeza de piorar o desempenho gráfico do jogo lançado para o PlayStation original, a coletânea de Final Fantasy mais parece reunir bugs como principais novidades.

Os dois desastres de remasterizações juntam-se à decisão da Square Enix de trazer Kingdom Hearts para o Nintendo Switch via nuvem. Escolha que mais parece uma tentativa de fazer mais, com menos. Nesse caso, com menos diversão e com mais travamentos. A franquia e os fãs mereciam muito mais.

Eu realmente poderia passar alguns longos parágrafos transcorrendo sobre como a falta de atenção na experiência do jogador e o foco nos lucros tem feito a Square Enix lançar jogos de qualidade duvidosa, mas acredito que pensar em três títulos evoca essa certeza: Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin, Babylon's Fall e Balan Wonderworld.

Até quando acerta no jogo, a Square Enix encontra maneiras de desagradar parte da comunidade. Final Fantasy VII Remake, por exemplo, é um sucesso de público, mas que gera dúvidas nas decisões de ser dividido em diversas partes vendidas separadamente.

O que Marvel's Avengers diz sobre o momento da Square Enix?

É difícil ignorar Marvel's Avengers. Mirando no sucesso de jogos como serviço e talvez tentado estender o catálogo de títulos online, muito bem abastecido com o sucesso crescente de Final Fantasy XIV, a Square Enix pediu que a Crystal Dynamics trabalhasse em um jogo online com a equipe da Marvel.

A ideia era lançar uma aventura com atualizações pagas e que gerasse receita anos a fio, como disse a própria Square Enix em diferentes comunicados. Com esse tipo de intenção no coração, o resultado apresentado foi a estreia de um dos jogos mais vazios de sentido da história.

Marvel 's Avengers não tem começo, meio e muito menos um fim para a agonia de quem segura os controles. Pelo menos o jogador pode comprar uma roupinha de pagodeiro para o Hulk com dinheiro de verdade.

Esse é o tipo de game que é uma ótima ideia apenas na sala de investidores. É difícil imaginar um jogador que pedisse um jogo online incompleto dos Vingadores no lugar de uma boa campanha single-player com os heróis mais famosos do momento. Mas, novamente, a Square parece incapaz de reconhecer que sua principal fonte de lucros, o jogador, deve ser ouvida.

Na verdade, a publicadora trabalha pelo contrário. O lendário designer de jogos Yuji Naka, famoso por ter criado o Sonic, precisou entrar na Justiça para conseguir o direito de pedir desculpas aos jogadores que compraram o fracassado Balan Wonderworld. A Square Enix demitiu Naka enquanto o diretor dizia trabalhar para salvar a jogabilidade do título de plataforma.

Por mais que a rentabilidade seja essencial para empresas do mundo dos jogos, não se faz dinheiro nessa indústria sem os jogadores. E a Square Enix parece estar afastando seu bem mais precioso, com lançamentos mecânicos e decisões focadas em números.

Ainda podemos confiar na Square?

Não restam muitas dúvidas e motivos que façam o jogador olhar com desconfiança para os lançamentos recentes da Square. É difícil não imaginar, por exemplo, que Marvel's Guardians of the Galaxy teve o desempenho prejudicado pela má impressão que Marvel 's Avengers deixou. O título recebeu elogios da crítica (inclusive no Canaltech), mas não superou as expectativas de vendas, muitas vezes irreais, da Square Enix.

A atual situação da publicadora preocupa, mas não está tudo perdido. Apesar do sinal amarelo, ainda é possível acreditar que a Square pode dar a volta por cima. Não só jogos como o incrível Life Is Strange: True Colors e o próprio Guardians of the Galaxy são exemplos de que ainda existe coração nos lançamentos da companhia, como o futuro promete ser brilhante, se bem trabalhado.

Sem os estúdios ocidentais, a Square ganha mais tempo e atenção para cuidar da próxima década de jogos orientais, que parece promissora com os lançamentos da segunda parte de Final Fantasy VII Remake, Forspoken, Dragon Quest XII: The Flames of Fate, Final Fantasy XVI e o já aguardado Kingdom Hearts IV.

Fonte: Canaltech

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