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O que se sabe sobre as crianças Yanomami desaparecidas, que teriam morrido por coronavírus

Crianças Yanomami morreram entre abril e maio ao contraírem coronavírus em um hospital em Roraima (Foto: Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocket via Getty Images)

Na última semana começou uma mobilização nas redes social para encontrar três bebês indígenas da etnia Yanomami que teriam morrido contaminados pelo novo coronavírus entre abril e maio. No entanto, os corpos nunca mais foram vistos pelas mães das crianças.

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Segundo informações do El País, publicadas no último dia 24, as três mulheres vivem na aldeia Auaris, em Roraima, perto da fronteira com a Venezuela. Entre abril e maio elas foram levadas com os filhos para a capital Boa Vista. A suspeita é de que eles teriam pneumonia. No hospital, os bebês teriam contraído a Covid-19 e morreram. Os corpos desapareceram.

Sem falar português, foi difícil que elas pedissem ajuda. A jornalista Eliane Brum, do El País, recebeu uma mensagem em que uma das mães pede para levar o corpo do filho para a aldeia. “Sofri para ter essa criança. E estou sofrendo. Meu povo está sofrendo. Preciso levar o corpo do meu filho para a aldeia. Não posso voltar sem o corpo do meu filho”, disse uma das mães à jornalista. Foi, então, que o assunto ganhou força nas redes sociais.

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Informações do portal G1 revelaram, no dia 27 de junho, que dois bebês Yanomami foram enterrados em Boa Vista sem a autorização das mães. Segundo Júnior Hekuari Yanomami, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana, as mulheres queriam levar os bebês para a floresta, onde seria os corpos seriam cremados para, depois, cuidar das cinzas durante um ano e cumprir o ritual da etnia.

Ao G1, Júnior Hekuari Yanomami descreveu o desespero das mães: “Não conseguem falar, choram demais e imploram para encontrar os corpos destas crianças, querem conseguir cumprir o ritual de seus povos. Elas querem chorar junto de outros Yanomami, fazer o luto dos indígenas mesmo”.

A agência de jornalismo Amazônia Real encontrou no fim de semana os túmulos de três bebês Yanomami, todos do subgrupo Sanöma, mesmo das mães que procuram os filhos. Os corpos estão no Cemitério Campo da Saudade, em Boa Vista.

Segundo a Amazônia Real há, ainda um quarto corpo: um bebê Sanöma que nasceu prematuro e tinha hidrocefalia. A reportagem o encontrou no Instituto Médio Legal.

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Dario Kopenawa Yabomami, diretor da Hutukara Associação Yanomami, confirmou à agência que as mães não sabiam do sepultamento. Agora, elas pedem para que os corpos sejam retirados do cemitério em Boa Vista e sejam submetidos ao ritual Yanomami.

O representante informou que a Hutukara mandou um ofício ao Ministério Público Federal, até a publicação da matéria, no dia 28, aguardava resposta.

A agência relatou que a primeira morte aconteceu no dia 29 de abril em Boa Vista, no Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Nazaré.

Na última segunda-feira, o G1 noticiou que o Ministério da Saúde afirma que informou as mães sobre o enterro de duas das crianças Yanomami sepultadas em Boa Vista. No entanto, a pasta não disse quando as mães receberam a informação.

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