Mercado abrirá em 3 h 28 min
  • BOVESPA

    95.368,76
    -4.236,78 (-4,25%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    37.393,71
    -607,60 (-1,60%)
     
  • PETROLEO CRU

    37,09
    -0,30 (-0,80%)
     
  • OURO

    1.878,90
    -0,30 (-0,02%)
     
  • BTC-USD

    13.159,93
    +4,56 (+0,03%)
     
  • CMC Crypto 200

    260,35
    -12,34 (-4,53%)
     
  • S&P500

    3.271,03
    -119,65 (-3,53%)
     
  • DOW JONES

    26.519,95
    -943,24 (-3,43%)
     
  • FTSE

    5.565,20
    -17,60 (-0,32%)
     
  • HANG SENG

    24.586,60
    -122,20 (-0,49%)
     
  • NIKKEI

    23.331,94
    -86,57 (-0,37%)
     
  • NASDAQ

    11.248,75
    +116,00 (+1,04%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,7280
    -0,0064 (-0,10%)
     

O que são essas luzes e fontes no Vale do Anhangabaú?

João Conrado Kneipp
·5 minutos de leitura
Vídeo divulgado nas redes gerou memes e piadas com o resultado da reforma do espaço. (Foto: Reprodução/Twitter)
Vídeo divulgado nas redes gerou memes e piadas com o resultado da reforma do espaço. (Foto: Reprodução/Twitter)

Vídeos com trechos do novo Vale do Anhangabaú, em São Paulo (SP), coberto de luzes de LED e fontes de água movimentaram as redes sociais neste fim de semana.

Nas imagens, era possível ver fontes de água variando entre jatos e dispersores, iluminados por LEDs nas cores rosa, verde, azul, violeta, vermelho e amarelo. Ao fundo, eo Viaduto do Chá também aparecia com um destaque de uma iluminação em verde fluorescente.

As reações às imagens variavam entre indignação pelos gastos da obra e chacota devido ao resultado do projeto da gestão Bruno Covas (PSDB).

Mas afinal de contas o que são, de fato, essas luzes e fontes no Vale do Anhangabaú?

Ao Yahoo! Notícias, a Secretaria de Municipal de Desenvolvimento Urbano confirmou que o vídeo é um registro dos testes de como funcionarão as luzes e as fontes, que fazem parte do projeto de revitalização do Anhangabaú.

Esboço divulgado pela prefeitura de como serão as fontes luminosas quando prontas no novo Vale do Anhangabaú. (Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo)
Esboço divulgado pela prefeitura de como serão as fontes luminosas quando prontas no novo Vale do Anhangabaú. (Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo)

As fontes luminosas fazem parte da chamada “Esplanada” do novo projeto. Ao todo, serão 850 jatos de água instalados no piso e que serão responsáveis por “umidificar o ambiente e organizar o microclima da região”, conforme consta no site da Secretaria de Desenvolvimento Urbano.

Os jatos iluminados serão distribuídos em 20 seções, ou áreas, ao longo da Esplanada, e que têm funcionamento independente. Ou seja, podem ser ligados ou desligados individualmente ou em grupo. No conceito do projeto, esses grupos de jatos de água funcionarão como “articuladores do espaço público”, criando caminhos e passagens dependendo de quais áreas estarão ligadas ou desligadas.

Leia também

Com todos em funcionamento, os jatos criam corredores de trânsito ao longo da Esplanada. Já desligados, permitem uma maior aglomeração de pessoas, como em caso de eventos ou shows. Confira o vídeo dos exemplos de possíveis corredores para os frequentadores do Vale, em uma sequência de imagens disponibilizadas pela prefeitura.

De acordo com a gestão Covas, os jatos não formarão um “espelho d’água” e sim um “espaço lúdico” e que possui função de umidificar o ambiente ao “molhar o chão”. Por dia, as fontes luminosas jorrarão um volume de 1.200m³ de água, vindos de um reservatório subterrâneo com capacidade de 1.500m³.

O projeto prevê que 90% da água jorrada será captada pela drenagem, filtrada e reaproveitada. Os 10% restantes serão fornecidos, segundo a prefeitura, pela captação de um poço artesiano. A drenagem das águas das chuvas que caírem no Vale do Anhangabaú também vai alimentar esse reservatório, e podem ser usadas tanto para a irrigação dos jardins quanto para as fontes.

As redes, no entanto, não perdoaram o teste feito pela prefeitura.

Apesar de sustentável e, no mínimo, ousado, o projeto com as fontes luminosas foi criticado nas redes e por especialistas.

Na avaliação de Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo), relator do Plano Diretor e ex-secretário de Cultura de São Paulo, a criação da lâmina d'água esbarra no preço e em uma suposta dificuldade de manutenção.

“A criação de uma lâmina d’água, com 850 pontos de jatos no piso, além de exagerada e elevado custo, é de difícil e cara manutenção. Falta de manutenção e conservação é recorrente na cidade, sobretudo, no centro. Não seria pessimismo prever que, passada a euforia da inauguração, o sistema corre o risco de não funcionar, como a maioria das antigas fontes. Com o estrago feito e o parque dos arquitetos Jorge Wilheim e Rosa Kliass destruído, a única alternativa sensata seria dar um freio de arrumação e eliminar a implantação esses jatinhos, mantendo o restante do projeto”, escreveu o arquiteto e urbanista, em uma coluna ao jornal Folha de São Paulo, em julho de 2019.

QUANDO O VALE DO ANHANGABAÚ FICA PRONTO?

A entrega estava prevista para maio deste ano, mas foi prorrogada para setembro após o TCU (Tribunal de Contas da União) solicitar à Prefeitura mais informações a respeito da concessão do Vale à iniciativa privada. O processo estava aberto, mas diante da solicitação a gestão Covas decidiu suspender o trâmite.

Ao todo, a reforma do Vale do Anhangabaú custou R$ 94 milhões, R$ 14 milhões a mais do que o previsto inicialmente.

Além das críticas específicas aos jatos, urbanistas também apontaram uma visão higienista na reforma. Também há a crítica de que a proposta apaga o projeto anterior, fruto de um concurso público, em 1981, que contemplou a proposta dos arquitetos Jorge Wilheim, Jamil Kfouri e Rosa Grena Kliass.

O posicionamento da gestão Covas tem sido de que ao longo dos anos, o Anhangabaú se tornou “lugar inóspito” e que os imóveis se fecharam para o vale. A ideia é transformar um lugar de passagem em um local onde as pessoas possam frequentar, usando quiosques e espaços culturais.

Em entrevista recente à Veja São Paulo, Covas afirmou que a gestão espera uma arrecadação de 250 milhões de reais por ano com eventos.