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O que são os 'experimentos naturais' premiados com o Nobel de Economia?

·3 minuto de leitura

Os trabalhos de David Card, Joshua Angrist e Guido Imbens, premiados nesta segunda-feira (11) com o Nobel de Economia, se baseiam em experimentos naturais, um método inovador para a pesquisa empírica nascido nos anos 1990.

Os experimentos naturais são situações da vida real que os economistas estudam e analisam para determinar relações de causa e efeito.

Eles se aproximam, em parte, dos ensaios clínicos que permitem aos pesquisadores avaliar a eficácia de novos medicamentos, separando de forma aleatória grupos distintos de pessoas que são submetidos a testes.

"Imitamos um pouco o que poderia ser feito em um laboratório", resumiu Julien Pinter, pesquisador da Universidade do Minho, em Portugal, e economista do 'think-tank' BSI Economics.

Contudo, os experimentos naturais se distinguem dos ensaios terapêuticos, pois, ao contrário dos cientistas nos laboratórios, os economistas não controlam os parâmetros do protocolo experimental.

Além disso, o campo de aplicação desses estudos é muito amplo, como, por exemplo, educação, mercado de trabalho e imigração.

- Salário mínimo e emprego -

O canadense David Card e seu colega americano Alan Krueger, que faleceu em 2019, estudaram, por exemplo, a relação entre salário mínimo e emprego graças a um experimento natural no início dos anos 1990.

Para isso, eles compararam a situação do mercado de trabalho na zona fronteiriça entre os estados de Nova Jersey e Pensilvânia, no nordeste dos EUA.

Naquele momento, houve aumento do salário mínimo no primeiro, enquanto na Pensilvânia os ganhos se mantiveram estáveis.

Ao focalizar a análise em uma zona geográfica homogênea, as pesquisas de Card e Krueger mostraram que o aumento do salário mínimo não havia gerado uma queda no número de pessoas empregadas.

Essa conclusão representava uma contradição à teoria dominante da época, segundo a qual o aumento do salário mínimo resultaria na diminuição dos postos de trabalho.

Card, por sua vez, estudou a relação entre imigração e mercado de trabalho com base em um caso concreto: a instalação em Miami, na Flórida, de dezenas de milhares de cubanos que o presidente Fidel Castro permitiu que deixassem o país em 1980.

Os trabalhos do economista mostraram que a onda de novos chegados não teve impacto negativo no emprego.

Já o americano-israelense Joshua Angrist, também em colaboração com Alan Krueger, se interessou pela relação entre nível de escolaridade e salário.

O acadêmico comparou o tempo passado no sistema educacional por pessoas nascidas no mesmo ano, em função de seu mês de nascimento.

Os nascidos nos primeiros meses do ano, que puderam deixar a escola um pouco antes dos demais, tinham estudado, em média, por um período mais curto do que os nascidos no último trimestre, e seus salários eram mais baixos.

Isso permitiu que Angrist determinasse que um nível de educação mais alto leva, geralmente, a melhores salários.

Mais tarde, o americano-holandês Guido Imbens colaborou com Angrist para refinar a interpretação desses resultados.

- 'Um prêmio formidável' -

Os experimentos naturais deram início ao que se chamou de "revolução de credibilidade" na economia, um campo de estudo em que os dados empíricos não eram levados a sério antes.

Para a economista Esther Duflo, que dividiu o Nobel há dois anos por seu pioneirismo em outro método de experimentos econômicos no campo, a escolha da Academia Sueca deste ano foi uma decisão "formidável".

"A 'revolução da credibilidade' na economia mudou tudo!", disse Duflo à AFP.

No entanto, alguns economistas afirmam que os experimentos naturais devem ser usados com precaução, pois o tamanho da amostragem e a baixa frequência dos acontecimentos observados não permitem extrair sempre conclusões em grande escala.

"Não podemos ter 100% de certeza que os resultados seriam exatamente os mesmos em outro contexto", frisou Julien Pinter.

dho/jum/abx/me/bl/rpr

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