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O que produz uma imunidade mais robusta e duradoura, a covid ou a vacina?

·3 minuto de leitura

Desde o início da pandemia de covid-19, uma questão que gerava dúvidas é quão protetora e duradoura é a imunidade produzida pela infecção. Com a chegada das vacinas, uma outra pergunta passou a circular: como a resposta induzida pelos imunizantes se compara à do contágio?

Agora, com o passar dos meses, a situação é mais clara, mas a resposta nem de longe é simples. Existem fatores de confusão como, por exemplo, a introdução das variantes e o nível de gravidade da infecção, que podem fazer a balança ir de um lado a outro.

Sobre a duração da resposta imune, ambas obedecem a um ciclo de decaimento do nível de anticorpos após alguns meses, o que é natural. Se o corpo passa alguns meses sem contato com o patógeno, os anticorpos gerados contra ele desaparecem, mas não as células de memória, que produzem esses anticorpos quando a pessoa volta a entrar em contato com o vírus.

Assim, a tendência, tanto da infecção natural quanto da vacinação é uma redução da proteção contra casos sintomáticos. No entanto, o sistema imunológico ainda tende a prevenir bem contra o agravamento da doença, já que lembra de como responder ao ataque muito mais rápido do que se tivesse que aprender do zero.

Esse período para a queda dos anticorpos pode variar um pouco. Estudos mostram que, para a infecção natural, o decaimento pode ocorrer entre 3 e 5 meses; já com a vacina, o prazo pode ser de 6 a 9 meses, mas existem estudos mostrando declínio a partir de 4 meses.

Anticorpos declinam naturalmente após alguns meses, tanto na infecção quanto na vacina (Imagem: swiftsciencewriting/Pixabay)
Anticorpos declinam naturalmente após alguns meses, tanto na infecção quanto na vacina (Imagem: swiftsciencewriting/Pixabay)

Existem evidências de que a infecção natural pode levar o corpo a produzir mais anticorpos do que as vacinas, mas existem alguns poréns. O primeiro é que sempre há o risco de que a infecção natural evolua para casos graves que podem causar sequelas e mortes, então não é saudável contar com isso para gerar proteção. O outro é que essa resposta potente parece estar vinculada à gravidade da doença, então quem teve casos muito leves pode não desenvolver uma resposta duradoura.

Em resumo, quando o sistema imunológico identifica uma ameaça, ele “atira” anticorpos genéricos como uma primeira linha de defesa enquanto produz uma resposta específica contra o patógeno. Se a infecção for contida nessa fase inicial, é possível que não seja desenvolvida uma imunidade específica duradoura, deixando o organismo mais exposto à reinfecção.

Por este motivo, casos graves de covid tendem a gerar uma resposta robusta. No entanto, as vacinas criam uma imunidade mais homogênea na população, criando índices de proteção mais nivelada, porque a resposta tende a ser parecida entre os imunizados.

Um não substitui o outro

Quem já teve covid-19 também pode se vacinar contra a doença para obter um reforço em seu sistema imunológico, e os resultados são muito positivos. É a imunidade híbrida, que combina a resposta contra infecção e a produzida pela vacina.

Em novo estudo desenvolvido por Fikadu Tafesse, professor da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, ficou demonstrado um alto nível de anticorpos neutralizantes após recuperados da doença se vacinarem contra covid.

“Você obterá melhor proteção ao ser vacinado”, defende Tafesse, que também reafirma que a proteção decai com o tempo, e a forma mais segura de reforçá-la é por meio da vacina.

Fonte: Canaltech

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