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O que o fim do último telefone público em NY diz sobre o futuro do "Orelhão"

Uma das notícias que mais chamou a atenção no mundo das telecomunicações regionais foi a desinstalação, em Nova York, de seu último telefone público, conhecido aqui no Brasil como “Orelhão”. O simbolismo que esta ocasião tem não passa despercebido, uma vez que as pessoas estão chamando isso de “o fim de uma era”. Houve também quem começou a se perguntar se o mesmo vai acontecer nas cidades da América Latina. De repente, ter telefones públicos em nossas cidades tornou-se uma marca de atraso e subdesenvolvimento.

Talvez essas reações ocorram porque reduzem o telefone público àquele instrumento que era usado quando as pessoas não tinham linha telefônica em casa. A massificação dos serviços móveis os tornou obsoletos. No entanto, os telefones públicos cumpriam outras funções que não geram renda para a operadora, como poder ligar gratuitamente para números de emergência e, nos bairros mais pobres, tornar a telefonia acessível para quem não tem condições de pagar tudo o que esse serviço implica.

Se olharmos para a América Latina, a importância dos telefones públicos é cada vez menor. Sobretudo nas zonas urbanas, onde habitualmente são vandalizados, gerando custos desnecessários para as operadoras de telecomunicações que podem ter obrigações legais de os manter para que possam continuar a operar. Enquanto nas áreas rurais, onde o número de pessoas que possuem telefone celular é menor ou simplesmente não há cobertura desse tipo, a presença de telefones públicos se torna mais importante.

Agora, em vez de fazer um pedido de desculpas pelo telefone público, a pergunta é: por que existem lugares onde ainda vigoram? Sua validade é um sinal de problemas mais profundos, como uma divisão digital básica focada em serviços de voz. Se essa lacuna de telefonia existe, é mais provável que a lacuna também exista na adoção de serviços centrados em dados, como a Internet e os diversos aplicativos que uma pessoa pode acessar por meio de seu telefone celular.

Orelhões podem não ser mais tão populares nas grandes cidades, mas ainda cumprem papel importante em locais afastados (Imagem: José Cruz/Agência Brasil)
Orelhões podem não ser mais tão populares nas grandes cidades, mas ainda cumprem papel importante em locais afastados (Imagem: José Cruz/Agência Brasil)

Claro, nada disso é novo e, há quase duas décadas, muitas operadoras estão se preparando para o fim iminente da telefonia pública, inclusive tentando evoluir o modelo ao instalar pontos Wi-Fi. Precisamente, Nova York foi uma das primeiras cidades onde esse tipo de teste foi realizado com resultados decepcionantes.

Talvez essa ideia tenha sido muito precipitada. A penetração de dispositivos capazes de se conectar ao Wi-Fi há cerca de 10 a 15 anos não teve o mesmo impacto que teria atualmente. Os estrategistas esqueceram, na época, que usar um telefone público para fazer uma chamada exigia somente uma moeda. Enquanto que o uso de WiFi público requer que o usuário tenha um aparelho capaz de se conectar a esta rede. E isso, sem discutir o quão seguro é usar um celular ou um tablet no meio da rua.

Certamente existem pessoas que pensam que o telefone público é um sinal de atraso e que os Estados Unidos nos mostram mais uma vez o que significa estar na vanguarda da tecnologia. O problema dessa afirmação é que não foram os Estados Unidos que ficaram sem telefones públicos, nem o estado de Nova York, mas sua principal cidade. Obviamente, o processo observado na semana passada será replicado cada vez mais ao redor do mundo, mas ainda faltam muitos anos para que o último telefone público seja desconectado no país norte-americano.

Não tenho dúvidas de que o desaparecimento dos Orelhões será acelerado nos países latino-americanos cujas autoridades trabalham com uma agenda digital nacional efetiva, que promove conectividade em áreas remotas com baixa densidade populacional e poder aquisitivo limitado.

Já aqueles países que não têm uma estratégia nacional de conectividade, independentemente das promessas que seus líderes possam fazer, apenas exacerbam a pobreza ao limitar as oportunidades para as comunidades mais pobres e marginalizadas melhorarem sua situação por meio da tecnologia.

Espero que essas comunidades tenham pelo menos um telefone público.

Esta coluna é escrita em caráter pessoal.

Fonte: Canaltech

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