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O que há por trás da ida do segundo irmão Weintraub para Washington

Janaína Figueiredo
·2 minutos de leitura

Arthur Weintraub, agora ex-assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, será funcionário da Organização de Estados Americanos (OEA), em Washington. É irmão de Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, que já está na capital americana, como diretor do Banco Mundial. O que está por trás do novo cargo é uma aproximação do governo Bolsonaro com o secretário-geral da OEA, o uruguaio Luis Almagro, reeleito no começo deste ano com o apoio dos governos dos Estados Unidos, Brasil e Colômbia, entre outros. E como essa aproximação coincide com movimentos recentes de Almagro que, claramente, agradaram o governo brasileiro.

Nomear Arthur Weintraub é o último desses movimentos, para o qual terá de ser afastado o atual secretário de Acesso a Direitos e Equidade da OEA, o também brasileiro Gastão Alves de Toledo, próximo do ex-presidente Michel Temer. Há cerca de um mês, Almagro vetou a permanência do brasileiro Paulo Abrão como secretário-geral da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando uma série de denúncias administrativas sobre irregularidades em sua gestão. As suspeitas, de fato, existem, mas o processo de investigação ainda não terminou e, ao contrário de outros funcionários também denunciados internamente, o caso de Abrão avançou em ritmo bem mais acelerado.

O brasileiro vetado por Almagro foi o presidente da Comissão de Anistia do Brasil, secretário nacional de justiça e presidente do Comitê Nacional para Refugiados, durante os governos do PT. No comando da CIDH, denunciou violações dos direitos humanos em países como Venezuela, Colômbia, Brasil e Estados Unidos. No ano passado, alguns dos governos denunciados, entre eles o brasileiro, enviaram uma carta à CIDH pedindo que fosse respeitada a autonomia dos estados acusados.

Um ano depois, Abrão é carta fora do baralho, por decisão de Almagro às vésperas de que começasse o novo mandato do brasileiro à frente da CIDH. Um mês depois, o ex-assessor direto de Bolsonaro anuncia nas redes sociais que se muda para Washington. Tudo isso num ano que começou com o voto do Brasil pela continuidade do uruguaio no comando da OEA.