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O que foi o Projeto Guerra nas Estrelas do governo norte-americano?

·6 minuto de leitura

O programa militar norte-americano Strategic Defense Initiative (SDI), popularmente conhecido como Projeto Guerra nas Estrelas, foi criado em 1983 pelo então presidente Ronald Reagan e tinha como objetivo criar um grande sistema de satélites munidos de canhões a laser para proteger os Estados Unidos de mísseis enviados contra o país.

O projeto, que parecia ter saído de um filme de ficção científica, foi apelidado de Star Wars (“Guerra nas Estrelas”, em português) em referência ao clássico cinematográfico. Caso se tornasse real, colocaria a nação norte-americana em vantagem nessa disputa bélica e espacial, mas o SDI jamais saiu do papel.

O que foi o Projeto Guerra nas Estrelas

Diante do contexto da Guerra Fria nos anos 1980, tanto os EUA quanto a então União Soviética possuíam armas capazes de liquidar seus rivais, mas ambas as nações não arriscaram se atacar por medo de uma aniquilação mútua. A possibilidade do SDI significava o monopólio nuclear dos norte-americanos e isso poderia colocar um fim ao equilíbrio que existia entre as tensões, a qual ficou conhecida como Destruição Mútua Assegurada (MAD, sigla em inglês).

No entanto, o Projeto Guerra nas Estrelas foi considerado uma ideia um tanto quanto mirabolante por parte da opinião pública e, além disso, geraria um custo de até 200 bilhões de dólares para os cofres públicos do país, levando duas décadas para ser concluído.

Logotipo oficial do SDI, ou Projeto Guerra nas Estrelas (Imagem: Reprodução/U.S. Federal Government)
Logotipo oficial do SDI, ou Projeto Guerra nas Estrelas (Imagem: Reprodução/U.S. Federal Government)

O projeto propunha a construção de uma rede de satélites na órbita baixa da Terra, além de espelhos gigantes, bases terrestres e outras categorias de equipamentos para proteção do território nacional. Através ds radares espaciais, o programa militar norte-americano poderia identificar mísseis inimigos assim que fossem disparados. Então, os canhões de raio laser, ou até mesmo mísseis baseados no solo, destruiriam os artefatos.

Quando o ex-presidente Reagan anunciou o SDI em 23 de março de 1983, cientistas e políticos consideraram o projeto como ambicioso demais e alegavam existir uma grande barreira técnica, pois, àquela época, não existiam ainda as tecnologias necessárias para seu desenvolvimento. Em 1984, o programa passou a ser chefiado pelo então tenente-general da Força Aérea dos EUA, James Alan Abrahamson, também ex-diretor do programa dos ônibus espaciais da NASA.

Inicialmente, o programa estava concentrado nos grandes sistemas, como armas de feixes de partículas, versões atualizadas de cargas nucleares e outras armas de plasma. Além disso, o SDI buscou investir em sistemas de computador e em miniaturização de componentes e sensores, mas, em 1986, muitas ideias apresentadas como promissoras estavam falhando sistematicamente.

Concepção artística de uma arma de energia instalada no espaço, em 1984 (Imagem: Reprodução/U.S. Air Force)
Concepção artística de uma arma de energia instalada no espaço, em 1984 (Imagem: Reprodução/U.S. Air Force)

O apelido Guerra nas Estrelas surgiu a partir de uma fala do então senador de Massachusetts, Edward Kennedy, que se referiu ao programa como uma ideia “de Star Wars” — claro que ironizando a proposta de um sistema de armas a laser na órbita da Terra. Ao longo dos dez anos seguintes, os EUA gastariam até 30 bilhões de dólares para o desenvolvimento apenas do conceito do SDI. E não passou disso até que, em 1993, o programa foi arquivado pelo presidente da época, Bill Clinton.

Mesmo depois deter sido arquivado em 1993, Clinton ainda propôs uma nova versão do SDI, chamada Organização de Defesa de Mísseis Balísticos, mas que também não foi para frente. Em 2001, o programa foi reavivado pela gestão Bush, agora com o nome de Agência de Defesa de Mísseis, dessa vez, focado em sistemas de defesa anti-mísseis balísticos localizados no solo, em vez do espaço. O programa, é claro, gerou muita polêmica entre outras nações, como a Rússia e a China. Por fim, o projeto foi parcialmente paralisado pelo governo de Barack Obama.

Resposta russa

É claro que todo esse movimento e repercussão do Programa Guerra nas Estrelas não passariam despercebidos pela União Soviética. Para não ficar por baixo, a URSS logo se lançou em uma nova investida espacial, o que levou ao desenvolvimento de uma série de novos veículos, como o ônibus espacial russo Buran.

Mas a maior reposta dos soviéticos para o SDI foi o lançamento da nave espacial não-tripulada Polyus. A nave era guiada por laser e munida de ogivas nucleares capazes de serem lançadas diretamente do espaço contra alvos localizados em solo, ou até mesmo em órbita. Lançada em 1987 pelo foguete Energia, um dos últimos sucessos da União Soviética na corrida espacial, a Polyus foi derrubada logo em seguida e o motivo ainda não é conhecido — se foi acidente ou algo planejado pelos partidários do fim da Guerra Fria.

Lançamento do foguete Energia com a Polyus acoplada a ele (Imagem: Reprodução/Vassili Petrovitch)
Lançamento do foguete Energia com a Polyus acoplada a ele (Imagem: Reprodução/Vassili Petrovitch)

Apesar dos sucessos obtidos nessa fase da corrida espacial, o grande custo da Polyus e outras tecnologias enfraqueceu ainda mais a economia da URSS, o que contribuiu para o fim da Guerra Fria, em 1991, com a dissolução da União Soviética.

Expectativa x Realidade

Embora o Programa Guerra nas Estrelas realmente parecesse ficção científica, a ideia possuía certo apelo popular em meados dos anos 1980. Alguns cientistas e engenheiros continuam a afirmar que, se tivessem o financiamento necessário, o país poderia ter tirado o SDI do papel.

Na prática, o SDI era um sonho muito distante da realidade da época. Em 1987, a American Physical Society publicou um estudo, no qual reuniu alguns dos principais cientistas do país para avaliar todos os sistemas envolvidos no programa, com foco em desafios técnicos, como o desenvolvimento de lasers de alta intensidade e feixes de partículas. Ao final, foi divulgado um relatório acusando que nenhum dos sistemas estava perto de se tornar realidade, pois cada um deles precisaria, ao menos, melhorar sua produção de energia em 100 vezes para alcançar a eficácia mínima — em alguns casos, até um milhão de vezes.

Ilustração de uma arma a laser baseada em um satélite que faria parte de uma rede do tipo, como previa o SDI (Imagem: Reprodução/U. S. Air Force)
Ilustração de uma arma a laser baseada em um satélite que faria parte de uma rede do tipo, como previa o SDI (Imagem: Reprodução/U. S. Air Force)

Vale destacar que muitas missões espaciais realizadas hoje, um dia já foram projetos que poderiam soar como sonhos distantes ou apenas possíveis em filmes de ficção científica. Já fomos capazes de pousar veículos robóticos em outro planeta para estudarem suas superfícies, por exemplo, e até mesmo coletarem e analisarem amostras do solo. Em 1980, talvez a ideia de um robô-cientista andando pelo Planeta Vermelho também pudesse soar como “ambiciosa demais”.

Felizmente, a Guerra Fria acabou faz tempo, mas será que um dia não precisaremos de um sistema similar ao SDI para proteger não exatamente um país do ataque de um rival, mas sim o planeta Terra de grandes asteroides em rota de colisão?

Fonte: Canaltech

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