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O que foi a Corrida Espacial? Conheça o legado desta época!

·10 min de leitura

A Corrida Espacial foi um período marcado por várias demonstrações de tecnologia, realizadas pelos Estados Unidos e a antiga União Soviética (URSS). Na época, as duas potências tentavam demonstrar a superioridade nos voos espaciais como um desdobramento da Guerra Fria, conflito geopolítico que polarizou o mundo. Nesta matéria, você entende o que foi a Corrida Espacial e conhece o que ela proporcional para a ciência!

Em 1945, a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim, com países devastados pelo conflito. Não demorou muito até que norte-americanos e a soviéticos se envolvessem em novas tensões — estas, que constituem o que ficou conhecido como Guerra Fria. De um lado, estavam os Estados Unidos; do outro, a União Soviética. No centro, entre ambos, estava um conflito que colocava o capitalismo contra o comunismo.

Cada lado investiu em novas tecnologias, armamentos e, claro, propagandas, para tentar mostrar ao mundo que o modelo econômico adotado por um era superior ao do outro. Entretanto, foi a partir de 1950 que a disputa já não ocorria somente em solo e se estendeu para outra arena: os dois blocos queriam provar a superioridade tecnológica e militar e, para isso, levaram o conflito ao espaço. A época foi marcada por uma enorme tensão, mas também por grandes conquistas na tecnologia, ciência e exploração espacial.

Como começou a Corrida Espacial

Durante a década de 1950, os Estados Unidos e a União Soviética estavam trabalhando a todo vapor no desenvolvimento de novas tecnologias. Assim, foi no dia 4 de outubro de 1957 que a URSS deu a largada na corrida espacial. Naquele dia, o bloco lançou o Sputnik I, o primeiro satélite artificial do mundo. O dispositivo foi monitorado por cientistas durante 21 dias, até que ficou sem baterias e parou de funcionar.

Réplica do satélite Sputnik I, formado por uma esfera metálica e quatro antenas externas de rádio (Imagem: Domínio público)
Réplica do satélite Sputnik I, formado por uma esfera metálica e quatro antenas externas de rádio (Imagem: Domínio público)

O satélite queimou na atmosfera da Terra em janeiro, mas o sucesso soviético já havia incomodado os norte-americanos. Afinal, eles temiam que estivessem atrás nas inovações tecnológicas. As tensões já estavam intensificadas e, antes mesmo do fim do Sputnik I, os soviéticos conseguiram outro grande feito: em 3 de novembro daquele ano, a cachorrinha Laika foi lançada à órbita com a missão Sputnik II.

Entre cinco e sete horas após o lançamento, a cadela morreu devido ao estresse causado pelo superaquecimento da cabine da nave, após entrar em órbita — algo bem diferente da versão divulgada pelas autoridades na época, que afirmaram que ela morreu cerca de uma semana após o lançamento, sem traumas. Já em janeiro de 1958, os Estados Unidos lançaram o satélite Explorer I, o primeiro do país a orbitar a Terra.

Foi também naquele ano que os EUA fundaram a National Aeronautics and Space Administration (NASA) e lançaram o satélite SCORE, o primeiro satélite de comunicação do mundo. No ano seguinte, a USSR não ficou para trás e lançou a missão Luna 1, o primeiro foguete a deixar a órbita terrestre; ainda em 1959, o bloco lançou as missões Luna 2 e 3, que orbitaram a Lua e até fizeram fotos do lado afastado do nosso satélite natural.

Laika foi a "tripulante" escolhida por ser dócil e ter porte adequado (Imagem: Reprodução/akg-images/Sputnik)
Laika foi a "tripulante" escolhida por ser dócil e ter porte adequado (Imagem: Reprodução/akg-images/Sputnik)

Após o lançamento de missões norte-americanas e soviéticas de vários seres vivos à órbita, trazendo-os de volta vivos, a URSS conseguiu mais um grande triunfo: em 12 de abril de 1961, o cosmonauta Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a ir ao espaço, completando uma órbita ao redor da Terra. Uma semana depois, os EUA levaram o astronauta Alan Shepard a 186 km de altitude, sem orbitar a Terra.

Apenas dois anos depois, a cosmonauta Valentina Tereshkova se tornou a primeira mulher e a primeira civil a ir ao espaço, completando 48 órbitas ao redor da Terra. Em 1965, foi a vez de o cosmonauta Alexei Leonov fazer história ao realizar o primeiro spacewalk do mundo. Naquele mesmo ano, os Estados Unidos lançaram o satélite Mariner 54, que conseguiu chegar a Marte e enviou as primeiras imagens do Planeta Vermelho.

Dali em diante, os objetivos das duas potências começaram a mudar.

Começa então a corrida lunar

O voo de Gagarin representou uma vitória soviética espetacular, acompanhada de grande apreço público — ao voltar para a Terra, ele foi recebido como um herói internacional. Isso afetou tanto os ânimos na Casa Branca que o vice-presidente Lyndon Johnson fez um alerta ao presidente John F. Kennedy: o país não estava fazendo os esforços máximos e nem alcançando os resultados necessários para liderarem a corrida.

Inicialmente, Kennedy estava pouco interessado em voos espaciais, mas mudou de ideia quando viu a recepção de Gagarin e Shepard. Assim, ele perguntou a sua equipe o que seria necessário para vencer os soviéticos. A resposta? Uma missão tripulada na Lua. Em 25 de maio de 1961, ele deu à NASA a tarefa de “cumprir, até o fim da década, o objetivo de levar um homem à Lua e trazê-lo de volta em segurança”.

Astronautas do grupo Mercury 7 do Projeto Mercury, o primeiro programa espacial tripulado da NASA (Imagem: Reprodução/NASA)
Astronautas do grupo Mercury 7 do Projeto Mercury, o primeiro programa espacial tripulado da NASA (Imagem: Reprodução/NASA)

Com as conquistas dos projetos Mercury e Gemini, os primeiros de exploração espacial da NASA, os engenheiros da agência espacial norte-americana começaram a trabalhar para levar humanos à Lua. Eis que nascia o programa Apollo, um dos maiores eventos da corrida espacial, marcado por um início trágico: em 27 de janeiro de 1967, os astronautas a bordo da cápsula Apollo 1 morreram em um incêndio.

Cerca de um mês depois, o cosmonauta Vladimir Komarov morreu após uma falha no paraquedas de sua cápsula Soyuz. O incidente da Apollo 1 fez com que a NASA repensasse aspectos técnicos, e em 1968, a agência espacial levou os primeiros astronautas do programa ao espaço com a missão Apollo 7. No mesmo ano, os tripulantes da Apollo 8 orbitaram a Lua por alguns dias e retornaram.

Enquanto isso, os soviéticos tentavam avançar em seus recursos de voos espaciais, mas alguns desastres impediram que avançassem. A corrida espacial chegou ao seu auge em 20 de julho de 1969, dia em que Neil Armstrong e Buzz Aldrin, astronautas da Apollo 11, caminharam na Lua. Já em abril de 1971, os soviéticos lançaram a estação espacial Salyut I, a primeira do mundo. Os EUA seguiram com as missões do programa até a Apollo 17, lançada em dezembro de 1972.

Foto do astronauta Deke Slayton e o cosmonauta Alexey A. Leonov feita após a acoplagem das naves Soyuz e Apollo (Imagem: Reprodução/NASA)
Foto do astronauta Deke Slayton e o cosmonauta Alexey A. Leonov feita após a acoplagem das naves Soyuz e Apollo (Imagem: Reprodução/NASA)

Em meados da década de 1970, as tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética começaram a dar sinais de trégua. Assim, em julho de 1975, as nações lançaram a Apollo-Soyuz (ou Soyuz-Apollo, na nomenclatura soviética). Aquela foi uma missão cooperativa em voos separados, na qual uma nave Apollo e uma Soyuz se acoplaram no espaço. Depois, seus respectivos comandantes Tom Stafford e Alexei Leonov fizeram o primeiro aperto de mãos internacional, que é considerado por alguns historiadores como um fim simbólico à corrida espacial.

O legado deixado pela Corrida Espacial

Hoje, é inegável que o espaço é um lugar bem diferente daquele que foi o palco da Guerra Fria. Além de o nosso planeta estar cercado por uma rede vasta de satélites, que fornecem internet de alta velocidade, dados para previsão do tempo e muito mais, há ainda naves espaciais lançadas para dar suporte a objetivos científicos e militares. E, se hoje podemos falar de décadas da presença humana contínua no espaço na Estação Espacial Internacional, é graças ao arrefecimento das tensões do passado.

Algumas das tecnologias desenvolvidas durante aquele período são, hoje, parte da nossa vida cotidiana. Apelidadas de “spin off” pela NASA, um dos exemplos mais comuns disso é o sistema de posicionamento global (GPS), que foi desenvolvido originalmente por militares para garantir navegação precisa de armas. Eles provavelmente não esperavam que esta tecnologia pudesse mudar a vida da Terra, mas aconteceu — e isso deverá ficar ainda mais evidente com carros autônomos e entregas de delivery feitas por drones.

Mais de 60 anos após o lançamento do Sputnik 1, a órbita da Terra já conta com milhares de satélites, que vão de serviços de comunicação a observações do clima(Imagem: Reprodução/NASA)
Mais de 60 anos após o lançamento do Sputnik 1, a órbita da Terra já conta com milhares de satélites, que vão de serviços de comunicação a observações do clima(Imagem: Reprodução/NASA)

Os detectores de incêndio também nasceram da necessidade de garantir a segurança dos astronautas em cenários onde não pode haver erros na identificação de um possível princípio de incêndio. Durante a década de 1970, a NASA investigou um detector de fumaça que poderia ser ajustado para diferentes níveis de sensibilidade, evitando assim alarmes falsos — e os detectores de baixo custo usados hoje vêm deste desenvolvimento.

Até mesmo os pneus que equipam veículos hoje têm influência da corrida espacial: também durante a década de 1970, a NASA trabalhou com a Goodyear Tire and Rubber para produzir um material fibroso, que seria cinco vezes mais forte que o ferro. O material foi usado para ajudar a amortecer o pouso do lander Viking em Marte, em 1976, mas a Goodyear continuou trabalhando com o composto.

O resultado foi a criação de um novo tipo de pneu, formado por uma estrutura que permitia rodar mais de 16 mil km que aqueles do tipo convencional. Os limites da tecnologia continuam sendo explorados por instituições na atualidade para os mais diversos fins — e, obviamente, isso inclui também a exploração espacial. Isso se demonstra, por exemplo, no telescópio espacial James Webb, nascido de uma colaboração de décadas que poderá revolucionar a astronomia.

Novos tempos, novas corridas

É inegável que, hoje, vivemos em um mundo bem mais complexo que aquele que abrigou a Guerra Fria, onde duas grandes potências estavam em uma disputa por dominância. Entretanto, isso não significa que não haja mais nenhum processo envolvendo geopolítica e a exploração espacial acontecendo. Há analistas considerando que, hoje, os Estados Unidos estão em outra corrida com novos rivais.

Representação da futura estação lunar de pesquisa International Scientific Lunar Station, um futuro projeto da China e Rússia (Imagem: Reprodução/CNSA/CLEP)
Representação da futura estação lunar de pesquisa International Scientific Lunar Station, um futuro projeto da China e Rússia (Imagem: Reprodução/CNSA/CLEP)

Desta vez, o “outro lado” seria formado não somente pela Rússia, mas também pela China. Mesmo com um programa espacial marcado por tropeços causados por obsolescência, corrupção e falta de recursos, a Rússia se manteve firme como uma grande potência espacial mesmo após a dissolução da União Soviética. Em paralelo, temos a China, país que se tornou uma potência espacial com grandes trunfos em seu histórico.

Após anos de discussões, ambos os países se uniram para planejar missões espaciais ambiciosas, e outras nações planejam projetos espaciais próprios. Por outro lado, temos também um cenário de comercialização do espaço, impulsionado por empresas privadas. A Blue Origin e Virgin Galactic, instituições fundadas por alguns dos homens mais ricos do mundo, oferecem hoje voos turísticos que levam passageiros para sentir o “gostinho” do espaço suborbital — isto, claro, para quem puder pagar pelo passeio.

A atuação das empresas privadas não vale somente para voos espaciais turísticos, mas também para serviços inovadores. Hoje, a SpaceX, empresa fundada por Elon Musk, vem trabalhando em uma megaconstelação de satélites que, quando finalizada, poderá oferecer internet de alta velocidade e baixa latência a usuários em todo o mundo. Mas claro que a empresa não está sozinha e tem concorrentes na jogada, como a Amazon e a OneWeb, que também estão trabalhando em suas respectivas constelações.

A SpaceX participa da corrida dos satélites com um cronograma agressivo de lançamentos e já passa das 1.800 unidades em órbita (Imagem: Reprodução/Divulgação/SpaceX)
A SpaceX participa da corrida dos satélites com um cronograma agressivo de lançamentos e já passa das 1.800 unidades em órbita (Imagem: Reprodução/Divulgação/SpaceX)

Aliás, meio século depois dos eventos da corrida espacial, a Lua está, novamente, nos objetivos da NASA. A agência espacial quer levar astronautas para nosso satélite natural outra vez, e planeja fazer isso em 2025 — e, desta vez, contará com um módulo de pouso produzido pela SpaceX. A parceria para o retorno da humanidade à superfície lunar foi firmada através de um contrato disputado por outras empresas, incluindo a Blue Origin.

Fonte: Canaltech

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