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O que esperar de 2022 com a inflação chegando a dois dígitos? Especialistas explicam

·5 min de leitura

Economistas, e até o Banco Central, têm feito estimativa de inflação acima de dois dígitos ainda neste ano, o que deve elevar ainda mais o preço da gasolina, que pode chegar a R$ 10, e alimentação, impactando negativamente o bolso do brasileiro. Segundo o relatório Focus, realizado pelo Banco Central no final de novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano foi revisto de 9,77% para 10,12%. Há um mês, as projeções estavam em 8,96%. E para o ano que vem, quais são as projeções, o que esperar?

O economista e professor do Ibmec Gilberto Braga explica que o cenário ficará mais complicado por conta da indefinição eleitoral, que deve se arrastar até às vésperas da decisão das urnas, e isso atrasa a tomada de decisão empresarial, dificultando a geração de empregos e o surgimento de novos negócios.

— O ano de 2022 será desafiador por conta da crise econômica mundial imposta pela pandemia da Covid-19 em 2020 e 2021. Haverá repercussões ainda em 2022 com a retomada ainda lenta da atividade econômica como um todo, incluindo o Brasil. Uma série de fatores pode impactar o custo de vida, como os preços da energia elétrica e dos combustíveis — acrescenta Alexandre Prado, especialista em finanças.

Por que gasolina a R$ 10? Segundo Braga, por ser derivado de petróleo, e enquanto existir a paridade de preços, ela tende a permanecer sendo reajustada por conta da matriz de petróleo. Ou seja, o câmbio e o preço do petróleo internacional afetam o que se cobra na gasolina comercializada no Brasil.

— O cenário político não dá tranquilidade para o desenvolvimento econômico em 2021. Com inflação ainda alta, mas menor que em 2021, taxa de juros ainda crescendo e geração de empregos insuficiente para dimunir de maneira drástica o desemprego do brasileiro, o próximo ano será de muitas dificuldades — avalia Gilberto Braga, que prevê um crescimento menor para o Produto Interno Bruto (PIB): de 0,5% a 1% ainda neste ano.

— Esse crescimento não é suficiente para uma melhoria de qualidade de vida e da renda do brasileiro de uma forma geral — diz.

Variantes da Covid

Outro aspecto que pressiona a economia em 2022, segundo Gilberto Braga, é como o governo e a medicina vão lidar em relação com as variantes do coronavírus.

— Nós temos agora a variante Ômicron, mas poderão surgir novas e isso depende do ritmo de vacinação no mundo e das medidas de proteção à proliferação da Covid e suas múltiplas formas de manifestação — avalia o economista.

Ele destaca que "todas as vezes que surge uma nova variante, ou há indícios de medidas que restringem o funcionamento social e econômico, obviamente isso tem impacto negativo nas decisões dos agentes econômicos".

Já a previsão para o dólar é que ele permaneça abaixo dos R$ 6, mas no cenário que são traçados que, de alguma maneira, acham que a situação vai ficar mais ou menos como está. Ou seja: inflação elevada, taxa de juros elevada, PIB com crescimento pequeno — e até mesmo negativo em 2021 e com leve alta em 2022.

Pão francês, o queridinho da mesa, mais caro

A mesa do brasileiro — que em 2020 e 2021 teve que substituir a carne por ovo por conta da alta do bovino — deve dar um "refresco" em alguns itens. Mas no geral, na alimentação, o viés continua sendo de alta.

De acordo com economistas, produtos que tenham insumos precificados com base no mercado internacional, como a farinha de trigo, por exemplo, podem subir mais. Entre esses produtos está o queridinho da mesa do brasileiro: o pão francês. Isso porque o Brasil não é autossuficiente em trigo, tendo que importar o produto do Canadá e da Argentina, por exemplo, que sofre impacto do câmbio.

Mas, de acordo com o economista Gilberto Braga, se houver um ano melhor em termos de safra e de colheita, o preço pontual destes produtos poderá cair.

— Já havia uma expectativa de crescimento menor do agronegócio, que foi piorada por conta de questões climáticas. E fez com que esses produtos chamados commodities subissem bastante. A tendência é de que não caiam e se mantenham elevados — acrescenta Gilberto Braga.

E a carne bovina?

— O preço no mercado internacional pode ficar abaixo do registrado em 2021, possibilitando uma maior oferta no Brasil, o que poderá representar uma pequena redução nos preços — avalia Alexandre Prado.

Outros itens que podem se estabilizar, mas com viés de baixa, são arroz e feijão. De acordo com Prado o movimento se justifica por conta das seguidas altas ao longo de 2021.

Produtos da estação para driblar o preço alto

Uma alternativa para driblar os preços altos, segundo economistas, é aproveitar produtos da estação, como por exemplo: pescados, batata, melancia, que estão mais em conta e são mais leves para a saúde e o bolso.

— Como podemos perceber, a estratégia é ter uma alimentação mais leve na estação mais quente do ano, aumentando o consumo de frutas e vegetais da safra, e reduzindo um pouco o consumo de alimentos com digestão mais difícil, como acontece quando consumimos muitas proteínas, porque também possuem mais gorduras — explica a nutricionista Hediane Oliveira.

— Como o mês de dezembro as pessoas têm uma tendência maior a consumir aves, o preço da carne vermelha desce — avalia a nutricionista.

— Com o aumento no preço do arroz, podemos substituir pela batata, que é excelente fonte de carboidrato.

Fonte: www.akatu.org.br

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