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O que é afeminofobia? Entenda a discriminação que Gil passa no "BBB"

Natália Eiras
·3 minuto de leitura
Gil do BBB21 (Foto: Reprodução/Instagram@gilnogueiraofc)
Gil do BBB21 (Foto: Reprodução/Instagram@gilnogueiraofc)

Na 21a edição do “Big Brother Brasil”, o cantor sertanejo Rodolffo costuma, quando acompanhado de seus aliados mais próximos, tecer comentários sobre o comportamento do economista Gilberto. “Não consigo ficar perto dele, rir das piadinhas, desses gritinhos dele o tempo inteiro”, ele já comentou. O participante também já soltou uma fala polêmica sobre Fiuk, que estava usando vestido para um evento dentro do confinamento: “Como que se leva esse menino de vestido para as boates de Goiânia?”. O diálogo rendeu ao músico a sua primeira indicação ao paredão.

Os comentários do cantor sertanejo podem parecer “inofensivas” ou apenas críticas às personalidades de seus companheiros de confinamento, mas, na realidade, eles estão cheios de afeminofobia, discriminação de homens afeminados, indivíduos que externam gestos e trejeitos cultural e socialmente associados ao feminino. 

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Na maior parte das vezes, as vítimas são homens homossexuais, mas heterossexuais e bissexuais também podem passar por isso. “Qualquer homem que fuja do estereótipo da masculinidade, que não atendam as expectativas da sua ‘espécie’, pode sofrer afeminofobia”, fala Guilherme Passamani, antropólogo da Universidade Federal de Santa Maria e pesquisador de gênero, sexualidade e trabalho sexual em contexto transnacional.

É que a sociedade ainda entende que cada gênero deve se comportar de uma certa maneira para fazer jus ao sexo definido no nascimento. “Tem algumas expressões que já foram naturalizadas como comportamentos masculinos, de homem, ou como as de mulheres. Não é algo natural, mas socialmente aprendido”, diz o especialista.

E um homem fugir do estereótipo do que é ser macho e se aproximar do espectro feminino é, do ponto de vista social, uma “afronta”. “É inadmissível um homem ser ‘sensível’, se comporte como uma mulher. É como se ele, simbolicamente, descesse um degrau na escala evolutiva”, fala Passamani. Isso porque a nossa sociedade ainda é muito “machocêntrica”, que coloca a mulher, o feminino, em um lugar subalternizado. “E quando um homem performam algum comportamento dito como feminino, ele é, automaticamente, também colocado nesse lugar”, complementa o antropóloga. Assim, a afeminofobia é uma mistura de misoginia e LGBTfobia.

O que é ser homem?

Além disso, a discriminação às pessoas afeminadas também tem a ver com masculinidade. Como se houvesse apenas uma forma de ser “macho”. 

“Não basta ser homem, tem que ser muito homem, o tempo todo. É violento para as mulheres e para os homens, porque é uma provação constante e nem todos os indivíduos têm um espaço nesse conceito de masculinidade que entendemos hoje. Quem não está nesses parâmetros, são um abjeto”, fala Guilherme. Gilberto e Fiuk pertenceriam, então, à uma classe inferior de homens porque não são “machos o bastante”. 

“Sendo que sabemos que há uma série de formas diferentes de expressar masculinidade que não são, necessariamente, violentas, agressivas.” Isso sem falar que uma coisa é como você expressa o seu gênero, outra, completamente diferente, é a sua orientação sexual. Ou seja, o vestido de Fiuk não o torna LGBT. “É possível ser muito menos tóxico e seguir sendo um homem heterossexual”.

Por conta da afeminofobia, muitos homens deixam de experimentar roupas como vestidos, não deixar o cabelo crescer, não pintar a unha. Mesmo que eles achem esteticamente agradáveis. Os homens LGBT, por sua vez, também criam uma “persona” mais heteronormativa — Gilberto mesmo brinca que às vezes fala como heterossexual.

É quase uma vida dupla, porque é uma tentativa de burlar esse estigma social, diz Guilherme.

Isso leva os homossexuais a deixarem de, inclusive, viverem plenamente sua sexualidade, com medo de que um “gritinho”, uma “risadinha”—comportamentos tão criticados por Rodolffo— possa acarretar em uma agressão física. “É extremamente violento, porque ninguém sabe quando um ato vai ser lido como afeminado. Se não há a violência física, há a psicológica, porque o sujeito precisa criar várias estratégias para não ficar na linha de tiro”, finaliza o antropólogo.