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O que é a síndrome de 'boreout' e por que ela é cada vez mais comum no trabalho

Finanças Internacional
·4 minutos de leitura
Foto: Getty Images / Getty Creative
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Você está no mesmo emprego há quase três anos, e tudo o que era interessante no começo já perdeu a graça. O dia demora a passar e você começa a detestar sair de casa para ir trabalhar todos os dias, sabendo que vai ter que encarar as mesmas tarefas de sempre.

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Com o tempo, você se sente cada vez mais desmotivado e frustrado e começa a duvidar da própria capacidade de fazer qualquer outra coisa, é um tédio sufocante. No entanto, encontrar outro trabalho é difícil, o aluguel e as contas não esperam e você acaba se rendendo à situação.

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Todo mundo já ouviu falar da síndrome de burnout, um estado perigoso de esgotamento emocional, físico e mental que afeta cada vez mais trabalhadores. No entanto, pouca gente conhece outro fenômeno recente: o boreout.

O tédio dos funcionários é um problema cada vez maior no ambiente de trabalho. O termo boreout apareceu pela primeira vez em 2007, no livro homônimo de Peter Werder e Philippe Rothlin. Os primeiros sintomas da síndrome incluem desmotivação, insatisfação, ansiedade e depressão. Com o tempo, isso pode gerar estresse crônico, problemas de autoestima e até doenças físicas.

De acordo com Werder e Rothlin, o problema vem aumentando há vários anos. Sem desafios no trabalho, sempre se dedicando às mesmas tarefas monótonas e repetitivas, os funcionários desistem e acabam com uma sensação oposta à do burnout.

O problema ganhou destaque no início deste ano, quando Frederic Desnard processou a empresa de perfumes onde trabalhava por sofrer boreout, já que não tinha nada interessante para fazer no trabalho. Um tribunal de apelação de Paris deu ganho de causa ao ex-funcionário, e a empresa foi condenada a pagar uma indenização de € 40 mil (cerca de R$ 256 mil).

Frederic começou com uma ação trabalhista, afirmando que tinha se transformado em um “zumbi profissional” no trabalho e que havia passado quatro anos desempenhando apenas tarefas subalternas. De acordo com o jornal francês Le Monde, Frederic teve um ataque de epilepsia enquanto dirigia, em 2014, e colocou a culpa do acidente nas condições de trabalho que enfrentava.

Por que o tédio no trabalho é um problema?

De acordo com um estudo publicado pelo Udemy, 43% dos trabalhadores dizem sentir tédio no trabalho, e mais de 50% deles afirmam que se sentem entediados durante mais da metade da semana de trabalho.

Muitas pessoas podem achar que sentir tédio no trabalho é um luxo. Afinal de contas, ter poucas coisas para fazer é bem melhor do que estar sobrecarregado com reuniões, projetos e e-mails e não ter tempo para atividades fora do trabalho.

Além disso, vários estudos sugerem que um pouco de tédio pode fazer bem. Em uma investigação feita na University of Central Lancashire em 2014, as pesquisadoras Sandi Mann e Rebekah Cadman concluíram que fazer tarefas entediantes pode fazer com que os trabalhadores tenham ideias diferentes e sonhar acordados, estimulando a criatividade.

No entanto, as pesquisas também sugerem que o tédio constante no trabalho pode ser prejudicial tanto para os funcionários quanto para os empregadores. Esse tédio todo pode gerar insatisfação, estresse, infelicidade e falta de energia, além de afetar a saúde mental, o bem-estar e as perspectivas de carreira.

O tédio também é um dos principais indicadores da desmotivação, que pode ter sérias consequências para as empresas. De acordo com um estudo da Gallup, os funcionários entediados e desmotivados podem sentir uma desconexão emocional com a empresa, reduzindo a produtividade.

Os funcionários que não têm interesse no trabalho podem levar mais tempo para concluir tarefas ou enrolar para parecer mais ocupados do que realmente estão. Em vez de ser pontuais, eles chegam atrasados e saem mais cedo ou faltam mais vezes.

Em alguns casos, os funcionários entediados podem até ser uma influência negativa para os colegas, atrapalhando os interesses do empregador. Outra pesquisa da Gallup concluiu que, no geral, os funcionários desmotivados podem gerar prejuízos entre US$ 450 e 550 bilhões por ano em perda de produtividade. Além disso, os funcionários entediados têm mais chances de pedir demissão.

No entanto, a demissão não é a única solução para quem se sente entediado no trabalho. Uma boa ideia é conversar com o empregador e ver se há novas oportunidades e projetos disponíveis. Caso contrário, uma opção é sugerir maneiras de deixar o trabalho mais interessante, por exemplo, organizando projetos de voluntariado na empresa.

A meta é encontrar um equilíbrio saudável entre o desafio e a motivação sem chegar à sobrecarga, algo que nem sempre é tão fácil de conseguir.

Lydia Smith

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