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O que as pessoas não entendem sobre os millennials, segundo um dos maiores banqueiros do mundo

O diretor executivo do Barclays, Jes Staley, participa do encontro All Markets Summit do Yahoo Finanças no espaço da Union West na quinta-feira, 10 de outubro de 2019, em Nova Iorque. (Foto de Evan Agostini / Invision / Imprensa)

Segundo o senso comum, os profissionais da geração Y valorizam a flexibilidade em detrimento da lealdade, pulando de um emprego para outro em busca daquele onde se encaixam melhor. Mas para o diretor executivo do Barclays, Jes Staley, um dos maiores banqueiros do mundo, esta noção é incorreta.

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Staley, que chama o diretor executivo da JPMorgan, Jamie Dimon, de mentor, lembra de um painel do qual participou com duas fundadoras millennials em um evento com muitos executivos mais velhos na plateia. E as jovens disseram: "Apostamos que vocês acham que nós não acreditamos em lealdade. Mas vocês estão errados, o que não acreditamos é que as grandes corporações sejam leais a nós".

"Existe uma certa verdade nessa afirmação", disse Staley ao Yahoo. "As grandes empresas precisam reconquistar um certo grau de confiança das pessoas que trabalham para nós".

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Mais da metade dos millennials planeja deixar seu emprego atual em dois anos e apenas 28% planeja ficar além dos próximos cinco anos, segundo uma pesquisa da Deloitte, feita no ano passado com 10.455 pessoas da geração Y.

Enquanto isso, um estudo realizado por um site de carreiras, The Muse, descobriu que 58% dos 8.000 “profissionais da próxima geração” ​​disseram no final de 2018 que planejavam mudar de emprego este ano.

Mas as razões por trás disso são bem menos claras.

"Muitas das principais empresas do mundo têm o mesmo desafio"

Segundo Staley, as executivas vinculam sua desconfiança em relação aos empregadores à fase econômica turbulenta em que a geração Y atingiu a maioridade.

“Crescemos com a crise das ‘ponto-com’ no início dos anos 2000, a crise financeira em 2008-2009 e, em seguida, a maioria de nós, ou muitos de nós, tem um pai que trabalhava em um negócio em Rochester, Nova York, e que um dia foi enviado para trabalhar no México”, Staley lembra de tê-las ouvido contar. "A razão pela qual nós duas, essas duas jovens mulheres, abrimos esta empresa, é porque aqui ninguém pode nos demitir."

Um estudo da Deloitte este ano confirmou a desconfiança dos millennials em relação aos negócios: 55% acreditam que o mercado tem um impacto positivo na sociedade e apenas 26% acreditam que a economia vai melhorar no próximo ano.

Staley se tornou o executivo-chefe do Barclays em 2015, quando deixou o cargo de sócio-gerente da BlueMountain Capital. Ele enfrentou alguns desafios notáveis ​​durante sua passagem pelo cargo, incluindo uma multa por seu esforço para desmascarar um delator da empresa, bem como as críticas contínuas do investidor ativista Edward Bramson.

No segundo trimestre, o Barclays registrou US$ 1,23 bilhão em lucro líquido, uma queda de 19% em relação ao ano anterior. O banco fez cortes de funcionários no mês passado, num esforço para compensar as perdas em sua divisão de mercados.

À luz dessa falta de confiança, Staley disse que tentou alterar a maneira como administra o Barclays, mesmo em meio a um período difícil para os negócios.

"O Barclays passou por uma reestruturação gigantesca, tivemos que vender muitos dos nossos negócios, demitir muita gente", disse ele. "Se eu tenho um pequeno legado que gostaria de deixar, seria restaurar, na medida do possível, a sensação de que o Barclays é leal às pessoas que trabalham lá".

"Acho que muitas das principais empresas do mundo têm esse mesmo desafio", acrescentou.

Max Zahn