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O que acontece quando a anestesia falha na hora da cirurgia?

·4 minuto de leitura

Na maior parte da história da humanidade, médicos e curandeiros buscaram alternativas um tanto questionáveis — como álcool, ervas e ópio — para a realização de cirurgias, já que a anestesia é um invento de pouco mais de 170 anos. Nesse período, entrar em um processo cirúrgico era sinônimo de dor. Hoje, ser anestesiado é uma prática comum e, na maioria dos casos, segura, mas essa medicação nem sempre é 100% eficaz. Sim, é possível passar por uma cirurgia com algum grau de consciência.

De acordo com os especialistas entrevistados pela BBC, um em cada 20 pacientes que recebem uma anestesia permanece ciente durante o procedimento cirúrgico, no entanto, a grande maioria não se lembra disso depois. Até o momento, a ciência ainda não entendeu, por completo, os efeitos da anestesia no corpo e nem quais motivos levam uma pessoa a se lembrar do que aconteceu na sala de operação.

Na maioria dos casos, pacientes anestesiados esquecem o que sentiram durante a cirurgia (Imagem: Reprodução/Andrea Piacquadio/Pexels)
Na maioria dos casos, pacientes anestesiados esquecem o que sentiram durante a cirurgia (Imagem: Reprodução/Andrea Piacquadio/Pexels)

Caso em que a anestesia falhou

Entre os casos raros de pessoas que se lembram do que aconteceu na hora da cirurgia, está a história da canadense Donna Penner, de 55 anos. Antes do cirurgião fazer o primeiro corte em seu abdômen, a paciente retomou a consciência, mesmo com uma anestesia geral. No entanto, o corpo da mulher permanecia paralisado pelo efeito dos anestésicos e, dessa forma, não conseguiu avisar aos profissionais de saúde o que acontecia.

Segundo a paciente, ela sentia uma enorme agonia, já que estava completamente incapacitada. “Pensei: 'É isso, é assim que vou morrer, bem aqui na mesa, e minha família nunca saberá como foram minhas últimas horas, porque ninguém nem percebe o que está acontecendo'”, comentou.

Passados 10 anos da cirurgia, Penner ainda relata inúmeros pesadelos com a situação traumática que viveu. “É uma sentença de prisão perpétua”, detalhou sobre o medo que a acompanha. Igual ao seu caso, médicos estimam que 5% dos pacientes podem, eventualmente, acordar na cirurgia. No entanto, a maioria das pessoas esquece da experiência por efeito das drogas usadas.

Como funciona uma anestesia geral?

Quando responde de forma adequada, a anestesia geral desencadeia um coma induzido por drogas no paciente, que é mais profundo e mais distante da realidade do que o sono, por exemplo. Ainda não se sabe por que os anestésicos obscurecem a consciência, mas a ideia geral é que eles interfiram em várias substâncias químicas cerebrais, mais especificamente nos neurotransmissores. Estes são responsáveis por aumentar ou diminuir a atividade dos neurônios, particularmente a comunicação generalizada entre as diferentes regiões do cérebro.

Hoje, os anestesiologistas — sim, existe uma especialidade médica que cuida exclusivamente destes procedimentos — podem usar uma ampla variedade de medicamentos analgésicos e redutores da consciência, e esta escolha dependerá do procedimento e das necessidades específicas do paciente. Por exemplo, existem anestesias locais para quando a operação envolve uma única parte do corpo ou as gerais, quando a situação é mais complexa, como é o caso do cérebro.

Anestesias podem falhar em alguns casos (Imagem: Reprodução/Javier Matheu/Unsplash)
Anestesias podem falhar em alguns casos (Imagem: Reprodução/Javier Matheu/Unsplash)

O que pode impedir o funcionamento da anestesia?

Na sala de cirurgia, muitos fatores podem ser considerados como complicadores para os anestesiologistas. Afinal, o médico pode optar entre diferentes medicamentos para induzir o coma temporário e outros para mantê-lo, mas eles precisam considerar as variantes de cada paciente, como idade e peso, se ele fuma ou usa drogas e o tipo de operação. Após avaliar tudo isso, é possível definir a dosagem do caso.

Mesmo assim, a cirurgia ainda pode ter "surpresas", já que algumas pessoas podem ter uma resistência, de modo natural, maior para anestesia. Em outras palavras, essas medicações podem não reduzir a atividade cerebral do paciente ao ponto da perda da consciência, de forma imediata. Nesses casos, é necessário aumentar a dosagem.

Outro desafio é calcular o tempo em que os efeitos dos diferentes medicamentos agirão no paciente. Nesse sentido, é esperado que a chamada dose de indução (que faz você dormir) não desapareça antes que a dose de manutenção (para mantê-lo inconsciente) seja aplicada. Agora, caso tudo corra conforme o esperado, o paciente deve retomar a consciência no pós-operatório.

Fonte: Canaltech

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