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O que acontece agora que a Americanas entrou em recuperação judicial e o que importa no mercado

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.01.2023 - Movimentação em frente à loja da Americanas no centro de SP. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.01.2023 - Movimentação em frente à loja da Americanas no centro de SP. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O que acontece agora que a Americanas entrou em recuperação judicial, como uma disputa entre banqueiros e bilionários obrigou a companhia a acelerar o processo e outros destaques da economia nesta sexta-feira (20).

**RECUPERAÇÃO JUDICIAL. O QUE ACONTECE AGORA?**

A Americanas está oficialmente em recuperação judicial (RJ). O pedido, que lista uma dívida de R$ 43 bilhões a 16,3 mil credores, foi feito pela companhia e aceito pela Justiça nesta quinta (19).

A varejista afirma que, dentro de 48 horas, vai apresentar a lista de credores completa e a discriminação do passivo, ou seja, o valor pode sofrer alterações.

O QUE ACONTECE AGORA?

Os credores não podem cobrar nada da empresa na Justiça. Ela prometeu apresentar um plano de reestruturação em até 60 dias.

COMO FUNCIONA UMA RECUPERAÇÃO JUDICIAL?

A empresa reúne em uma lista os donos do seu passivo, o tamanho da dívida, e apresenta um plano para o pagamento.

É comum que ela proponha um desconto para o pagamento dos credores, que incluem instituições financeiras, donos de debêntures (títulos de dívida) e até bancos públicos, como mostrou a Folha de S.Paulo

Existe uma ordem de prioridade para o pagamento, que começa com os créditos trabalhistas.

A empresa também lista os ativos que tem e que podem ser vendidos para ajudar no processo.

No caso da Americanas, destacam-se o Hortifruti Natural da Terra, comprado no ano passado por R$ 2,1 bilhões, e a Vem Conveniência, joint venture da varejista com a Vibra.

A Americanas afirma que "seguirá operando normalmente dentro das novas regras da recuperação judicial”.

OVO DE PÁSCOA, BBB...

No pedido de RJ, a varejista disse que é um "motivo de orgulho para o povo brasileiro", por ser uma varejista "quase centenária" (fundada em 1927).

Destaca também os pontos de venda (3.600), que atendem mais de 50 milhões de consumidores e geram "mais de 100 mil empregos diretos e indiretos". Além disso, paga R$ 2 bilhões em tributos ao ano.

O pedido menciona inclusive o patrocínio ao Big Brother Brasil –que teve de abandonar nesta edição e acabou ficando com o Mercado Livre – e diz que sua crise pode afetar o preço do ovo de Páscoa.

"Trata-se da maior varejista de ovos de Páscoa do mundo!", afirma.

**COMO CHEGAMOS ATÉ AQUI?**

No começo desta quinta, a companhia havia comunicado ao mercado que estava na iminência de solicitar a RJ porque tinha apenas R$ 800 milhões em caixa.

Para entender como o caixa da companhia saiu dos cerca de R$ 8 bilhões na época do estouro do escândalo para 10% desse valor em uma semana, é preciso entender a disputa da varejista com os bancos, que acabou culminando na recuperação judicial.

Logo que saiu o fato relevante expondo o rombo contábil nas operações de “risco sacado” da companhia (explicamos o rolo aqui), o BTG foi à Justiça para garantir o bloqueio de R$ 1,2 bilhão que tinha em uma conta da varejista na instituição.

Outros bancos fizeram o mesmo movimento, que tinha como alvo o fundo 3G, do trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles —acionistas de referência.

Os credores queriam que eles tirassem do bolso cerca de R$ 20 bilhões para cobrir o rombo, mas o trio acenou com um valor de R$ 6 bilhões.

Na sexta (13), a Americanas conseguiu uma medida cautelar que impedia a trava a seus ativos. Os bancos reagiram e tentaram derrubar a decisão, mas só o BTG acabou conseguindo – em petição que chamou o caso de “maior fraude corporativa da história do país”.

Além dos R$1,2 bilhão retido pelo BTG, a empresa também ficou sem acesso a mais de R$ 3 bilhões em adiantamentos de recebíveis de cartão de crédito –operação comum que garante capital de giro ao varejo, mas que os bancos se recusaram a financiar.

Outros credores que custodiavam ativos da companhia, como Bradesco e Itaú, também bloquearam suas contas –esses terão que liberar o dinheiro, decidiu a Justiça.

Na petição da recuperação judicial, a Americanas critica seus credores. Diz que, não fosse a sangria no caixa, seria possível renegociar as dívidas e continuar operando sem problemas de liquidez.

MAIS SOBRE O ESCÂNDALO DA AMERICANAS

Na Bolsa, o reflexo aparece nas ações da companhia, que terminaram o dia cotadas a R$ 1,00, em queda de 42,52%. Desde antes da revelação do rombo, quando os papéis valiam R$ 12, a desvalorização acumulada é de 91,6%.

Por estar em recuperação judicial, as ações da companhia deixarão todos os índices da B3, a Bolsa brasileira, incluindo o Ibovespa, o principal deles.

**DÊ UMA PAUSA**

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