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O que é trombose? Saiba como prevenir e tratar

Natalie Rosa
·7 minuto de leitura

Nas últimas semanas, dois termos começaram a ser discutidos na mídia: coágulos sanguíneos e trombose. A discussão foi motivada pelo surgimento de alguns casos do efeito colateral após a aplicação das vacinas da Janssen e da AstraZeneca contra a COVID-19.

Os casos, felizmente, são extremamente raros, mas a trombose pode ser uma doença séria e merece toda a atenção necessária. Pensando nisso, o Canaltech conversou com dois médicos cirurgiões vasculares que nos contaram mais sobre o tema, explicando como a doença pode surgir, como é feito o tratamento e como prevenir.

<em>Imagem: Reprodução/twenty20photos/Envato</em>
Imagem: Reprodução/twenty20photos/Envato

O que é a trombose?

Artur José Rocha Lima, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, explica que a trombose consiste na formação de um coágulo patológico dentro da luz de uma veia ou artéria, que acaba provocando o entupimento dos vasos sanguíneos. O cirurgião Christiano Bernardi, da DaVita Serviços Médicos explica que existem diferentes maneiras de um coágulo se manifestar e exemplifica algumas delas.

Trombose Venosa Profunda (TVP)

A TVP é a forma mais comum de trombose, quando ocorre a formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias. Eles costumam surgir nas pernas, mas existe a possibilidade de aparecer em outros órgãos.

Trombose Arterial

Bernardi explica que os trombos também podem se formar nas artérias, bloqueando-as totalmente. "Quando existe uma obstrução total das artérias do cérebro, por exemplo, ocorre o que é conhecido como Acidente Vascular Cerebral (AVC). Quando esse evento ocorre nos membros inferiores, pode-se apresentar como dificuldade para manter caminhada ou até mesmo com gangrena", explica o cirurgião vascular, dizendo que nesses casos acontece um infarto tecidual nas regiões em que o sangue não chega.

Trombose hemorroidária

A trombose hemorroidária surge quando uma hemorroida apresenta a formação aguda de trombos. "Esse quadro implica no desenvolvimento de um nódulo com edema e de coloração arroxeada na margem anal. É frequentemente acompanhado de dor severa", completa o médico.

<em>Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements</em>
Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements

O que causa a trombose?

Lima conta que existem várias situações que podem colaborar para a formação de um trombo, como o uso da pílula anticoncepcional, permanecer muito tempo sentado ou deitado, ou ainda a predisposição genética, como a trombofilia. Bernardi conta também que entre os fatores de risco estão tratamentos hormonais, o pós-operatório de cirurgias do quadril, joelho e de fraturas, o tabagismo, gravidez, presença de varizes, idade mais avançada, insuficiência cardíaca, tumores malignos, obesidade, entre outros.

Os médicos também contaram ao Canaltech que existem diferentes níveis de gravidade de trombose. Dr. Artur explica que a trombose pode acometer veias de diferentes calibres e regiões anatômicas, provocando, então, uma variedade de sintomas. "Caso a trombose seja em uma veia de maior calibre, por exemplo a veia femoral comum (que fica ao nível da virilha), o paciente irá desenvolver sintomas mais graves", conta o médico especialista.

Dr. Bernardi explica também que quanto mais grossa a veia acometida, maior é o comprometimento circulatório do órgão, e que quando os coágulos viajam pela corrente sanguínea e chegam ao pulmão, o paciente pode sofrer de uma condição grave chamada embolia pulmonar, que obstrui as artérias dos órgãos. "Do mesmo modo que localmente, o tamanho e a quantidade dos coágulos que chegam ao pulmão têm grande importância na repercussão clínica desta manifestação, que pode se apresentar desde assintomático (coágulos pequenos) até ao extremo de óbito em poucos minutos (grandes coágulos)", completa.

Trombose e anticoncepcionais

<em>Imagem: Reprodução/ Reproductive Health Supplies Coalition/Unsplash</em>
Imagem: Reprodução/ Reproductive Health Supplies Coalition/Unsplash

Não é novidade que o uso de anticoncepcionais pode desencadear casos de trombose, como explica o médico Christiano Bernardi. "Segundo dados da ANVISA, existe um aumento de 4 a 6 vezes no risco de trombose venosa em mulheres que fazem uso de pílulas anticoncepcionais, especialmente as combinadas com estrógenos sintéticos", conta o médico.

Lima explica que os anticoncepcionais são medicamentos que contam com estrógeno e progesterona, que agem no organismo de duas formas: "são pró coagulantes por interferirem na cascata de coagulação e são vasodilatadores causando uma lentidão na circulação venosa. Esses dois mecanismos facilitam a formação de trombos", explica.

Bernardi afirma que o risco de trombose na população que faz o uso de anticoncepcionais é muito baixo, principalmente quando não há outros fatores de riscos associados, como tabagismo e hereditariedade, por exemplo. "A recomendação é a de sempre. Anticoncepcionais são medicamentos, e como qualquer outro, e seu uso deve ser prescrito de maneira individualizada, caso a caso, por um ginecologista", pontua.

Predisposição genética

O Canaltech também perguntou aos médicos se é possível descobrir se uma pessoa tem a predisposição genética a ter trombose, o que significa que ela teria mais chances de desenvolver a doença. Dr. Artur conta que existem pessoas que têm uma tendência maior para a formação de coágulos, como as que sofrem com a trombofilia, que consiste em uma alteração no sangue que pode ser identificada através de exames.

Bernardi diz que um paciente pode descobrir se tem predisposição genética a ter trombose analisando casos pessoais e familiares, principalmente. "Pessoas com vários casos familiares de trombose,
especialmente em parentes de primeiro grau, devem levantar suspeitas. Uma história clínica minuciosa e detalhada é a chave para esse diagnóstico", explica o especialista, dizendo ainda que nenhuma Sociedade Médica recomenda a realização de testes genéticos aleatórios na população, com exceção de pessoas que tenham histórico de trombose.

Prevenção e tratamento

Felizmente, existem casos em que é possível prevenir o aparecimento da trombose, e o diagnóstico precoce pode ser crucial para a saúde do paciente. Dr. Lima também aponta para a importância de ter o conhecimento de doenças pré-existentes, comentando ainda que é possível seguir protocolos e escalas que ajudam na investigação da doença. "Dessa forma, quando o paciente vai operar, o médico cirurgião vascular procura evitar a formação do trombo. Além disso, existe um algoritmo para evitar o aparecimento da trombose que inclui medicamentos que afinam o sangue", exemplifica o médico.

Atenção aos sintomas

Dr. Bernardi também aponta para a importância do diagnóstico precoce, o que é essencial para que os coágulos não aumentem de tamanho e não se tornem ainda mais grave. Geralmente, exames de imagem são solicitados ao médico para confirmar o diagnóstico, mas que é preciso estar atento aos sintomas, que são:

  • Vermelhidão ao longo da perna, o que pode ser resultado de um inchaço repentino ou de um inchaço que piora;

  • Aumento da temperatura da perna que está com dor;

  • Respiração rápida e curta, além de palpitações e, possivelmente, desmaios;

  • Tosse com sangue;

  • Dor no peito ou nas costas, sintoma menos comum.

Assim que é concluído o diagnóstico da trombose, o tratamento é feito com o uso de medicamentos anticoagulantes que podem ser administrados tanto em regime ambulatorial quanto em regime de internação, segundo Christiano Bernardi. Essas drogas atuam no organismo aumentando o tempo normal de coagulação, o que facilita a dissolução dos coágulos já formados e evita a evolução do trombo e o seu desprendimento, o que é chamado de embolia.

O cirurgião diz ainda que o uso desses medicamentos costuma durar cerca de seis meses, podendo se estender em casos específicos por mais alguns meses, ou ainda por toda a vida. "Em casos muito específicos com grande comprometimento clínico, apresentando risco de vida, da viabilidade do membro, ou com contraindicações ao uso de anticoagulantes, outras modalidades de tratamento podem ser instituídas como o uso de drogas que 'dissolvem' o coágulo (fibrinolíticos), dispositivos cirúrgicos de aspiração de coágulos, filtro de veia cava, stents ou uma associação das diversas técnicas", completa.

COVID-19 e trombose

<em>Imagem: Reprodução/Photocreo/Envato Elements</em>
Imagem: Reprodução/Photocreo/Envato Elements

Com o surgimento dos casos de trombose após a vacinação com o imunizante da COVID-19, a população entrou em estado de alerta em relação ao efeito colateral. Felizmente, autoridades da Europa e dos Estados Unidos já deixaram claro que as consequências são extremamente raras e que os benefícios da vacina superam esses efeitos.

Bernardi, inclusive, fez uma comparação com as taxas de mortalidade pela COVID-19 . "A título de comparação, o risco de morrer de COVID-19 em maiores de 55 anos é de 360 por milhão (MS), e o risco de ser atingido por um raio é de 1,4 por milhão (INPE). Só isso já justificaria o uso da vacina, com base nos dados atuais (abril/21)", explica. "E o risco de trombose associada à vacina é de 0,5 casos em 1 milhão de pessoas", complementa o cirurgião vascular.

Lima também pontua a importância da vacinação contra a doença. "Estudos mais recentes confirmam que a possibilidade da formação de coágulos é muito menor que a própria COVID -19, portanto o 'custo' é muito menor que o benefício da eventual proteção que essa vacina pode conferir", completa o profissional.

Fonte: Canaltech

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