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O que é startup?

·4 minuto de leitura

Muita gente acredita que toda empresa que lida com tecnologia pode ser chamada de startup, desde as menorzinhas até o Google. Isso se deve a uma certa banalização do termo na imprensa, mas a verdade é que uma startup é qualquer negócio com potencial escalável, isto é, capaz de crescer sem precisar de mais investimentos na mesma proporção, usando para isso a menor quantidade de recursos possível.

Os empreendedores estadunidenses Steve Blank e Eric Ries, dois dos "gurus" do mundo startup, têm suas próprias definições sobre o termo. O primeiro disse: "uma startup é uma organização formada para buscar um modelo de negócio repetível e escalável". Já o segundo escreveu: "Uma startup é uma instituição humana projetada para fornecer um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza".

O que eles querem dizer com isso? E onde a tecnologia entra aí, afinal? Para responder a essa pergunta, peguemos um exemplo de um pizzaria convencional e comparemos a um aplicativo de delivery de pizzas.

A primeira precisa alugar um imóvel para começar a funcionar, e sua clientela local aumentará até certo ponto. Ao atingir esse auge, o negócio precisará criar uma rede, alugando novos imóveis em outros lugares. Mas o app de pizzas pode atender a pessoas de toda a cidade, pois a operação só precisa de uma boa plataforma e um bom servidor web para manter o serviço. Pode até pensar em atender a outras cidades, estados e até países, fazendo parcerias com outras pizzarias locais.

Portanto, a startup testou um novo modelo de negócios para testar uma hipótese, ou seja, trazer uma solução a um problema visto na sociedade. Isso é sempre uma missão arriscada, e ela só foi possível com a ajuda da tecnologia, que também permitiu a ela um crescimento acelerado com menos grana. Por isso o termo é constantemente associado à inovação, mas também ao risco.

Segundo a CB Insights, quase 67% das startups falham em obter a independência, isto é, se sustentarem sem investimentos extras para alavancar o empreendimento, algo comum nos seus primeiros anos. Já as empresas tradicionais normalmente seguem modelos de negócio já testados e seu principal objetivo, desde o início, é o lucro imediato e o equilíbrio financeiro.

Imagem: Reprodução/rawpixel.com/Freepik
Imagem: Reprodução/rawpixel.com/Freepik

Características de uma startup

  • Inovadora: não segue uma fórmula tradicional de negócio, já testada e aprovada no mercado. Em vez disso, busca novas ideias, produtos e soluções para problemas ainda em aberto;

  • Escalável: como dito acima, o modelo de uma startup permite ampliar a produção e a entrega sem aumentar os custos. Se o modelo for bem sucedido, vai oferecer retorno rápido do investimento inicial;

  • Repetível: o trabalho pode ser repetido em escala para diferentes clientes, sem precisar criar cópias diferentes do produto para diferentes clientes. Por exemplo, em vez de vender um CD de música para cada consumidor, o streaming de áudio guarda as músicas no servidor e atende a milhões de pessoas;

  • Incerta: por entrarem em mercados pouco explorados ou ainda inéditos, é um negócio que oferece mais riscos;

  • Flexível: tem a capacidade de alterar seu modelo de negócio caso o original não se prove rentável, após testar sua hipótese (a ideia que deu origem ao negócio) e perceber outras necessidades de seus clientes. Essa capacidade de mudar rapidamente de estratégia é chamada de "pivotar".

Qual é a trajetória de uma startup?

Normalmente uma startup de sucesso projeta cerca de cinco anos para chegar ao exit, isto é, à sua independência financeira e a possibilidade de abrir suas ações na Bolsa. Mas esse período de tempo varia de caso a caso. Antes disso, passa pelos seguintes passos:

  • Investimento inicial: a primeira rodada de uma startup para obter dinheiro para validar uma solução é conhecida como bootstrapping, quando os fundadores investem do próprio bolso, ou co a ajuda de amigos e familiares;

  • Financiamento seed: o primeiro montante externo vem dos chamados "investidores anjo", empreendedores ou ricaços que buscam investir em empresas em estágio inicial, e em troca pedem para se tornar acionistas da startup;

  • Financiamento Séries A, B, C, D, E, F etc.: rodadas lideradas principalmente por fundos de capital de risco, que investem dezenas a centenas de milhões de dólares nas startups. Uma Série A é normalmente para posicionar a empresa no mercado, após ela ter testado seu produto internamente. A Série B é para crescer o negócio, a C é expandir para outros mercados e assim vai;

  • IPO ou aquisição: após os vários investimentos, a startup se provou um negócio sólido e confiável. Então ela ou aceita a proposta de ser adquirida ou fundida a uma empresa maior, que pagará bastante dinheiro aos fundadores pela transação, ou abrirá suas ações para serem compradas publicamente pela Bolsa. QUando chegam a esse ponto, já podemos deixar de chamá-las de startups.

Lembramos que durante um momento valioso de uma startup em ascensão é quando se torna "unicórnio", ou seja, quando ganha valor de mercado de US$ 1 bilhão. Mas nem todo unicórnio é rapidamente adquirido ou abre IPO (oferta pública de ações). A Uber, por exemplo, foi fundada em 2009, começou a operar em 2011 e dois anos depois chegou a valor de mercado de mais de US$ 3,5 bilhões. Mas seu IPO só aconteceu mesmo em 2019, e ainda decepcionando as expectativas na época.

Fonte: Canaltech

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